domingo, 24 de março de 2013

Cáritas desenvolve ações para garantia de água no semiárido brasileiro


A água é um bem natural que está ficando cada vez mais escasso, devido ao mau uso do ser humano. Por esse motivo, a Organização das Nações Unidas criou o Dia Mundial da Água, em 22 de março de 1992.

Parte da população brasileira sofre com a seca todos os dias, e a Cáritas Brasileira, organismo vinculado à CNBB, desenvolve programas e projetos que buscam minimizar os efeitos da falta de chuva que afeta a vida de milhões de cidadãos na região nordeste. Este ano, a pior estiagem das últimas quatro décadas trouxeram prejuízos para a lavoura, fizeram disparar o preço dos alimentos, e têm obrigado muitos agricultores a deixarem o local onde moram. A possibilidade de chover abaixo da média histórica no Nordeste em 2013 é de 40% ou 45%, dependendo do estado, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Ocupando uma área de aproximadamente 975 mil quilômetros quadrados, o Semiárido brasileiro abrange 1.133 municípios de 9 estados do país. Embora seja o Semiárido mais chuvoso do planeta, constitui-se como uma região com déficit hídrico, o que também se aplica aos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba, que fazem parte junto com o Rio Grande do Norte, da área de atuação da Cáritas Brasileira Regional Nordeste.

As ações desenvolvidas pela Rede Cáritas têm obtido resultados positivos, principalmente no que se refere ao armazenamento da água para consumo e produção, com base nos princípios da agroecologia, da economia popular solidária, da luta por políticas públicas e do acesso a terra, à água e aos direitos.

Um exemplo concreto de convivência com a realidade local é a experiência do Projeto Raízes, implantado nos municípios da Paraíba (Cacimbas, Casserengue e Poço Dantas), de Pernambuco (Ibirajuba) e Alagoas (Cacimbas), com apoio financeiro da cooperação espanhola Manos Unidas e o Banco do Nordeste (BNB). A iniciativa já promoveu a construção de 734 obras hídricas (cisternas de placas, barragens subterrâneas e tanques de pedra), a implantação de 156 núcleos produtivos familiares, 19 bancos de sementes, e a construção de 02 núcleos de beneficiamento de frutas. No total, 1.907 pessoas foram beneficiadas diretamente com as ações.

O Dia Mundial da Água não é só para pensar, mas principalmente para agir: vamos usar esse recurso natural com sabedoria para que ele nunca acabe.

Fonte: CNBB

sábado, 23 de março de 2013

Especial Água 2013: Saneamento é gargalo


As questões ligadas ao déficit de saneamento no Brasil também têm de merecer atenção especial neste ano dedicado à cooperação pela água. Para o gestor da Unidade de Negócios da Mizumo, Giovani Toledo - referência nacional em sistemas pré-fabricados para tratamento de esgoto sanitário –, ainda é longo o caminho para que a sociedade atue em favor da preservação dos recursos hídricos, nos níveis ideais de atendimento às necessidades futuras e atuais da humanidade. “De um entendimento geral da sociedade quanto aos fatores envolvidos, dependerá a superação dos desafios que se desenham atualmente: poluição, desperdício, falta de tratamento de esgoto, uso racional dos recursos hídricos, criação de políticas eficientes de captação, distribuição, armazenamento e abastecimento de água”, relata.

No âmbito público, defende Toledo, é essencial haver um compromisso com políticas de saneamento que promovam investimentos nos serviços de ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário. Conforme dados divulgados em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70% dos municípios brasileiros não têm projetos estruturados nessas áreas. “A universalização desses serviços é um grande e urgente desafio no Brasil. São necessários esforços coletivos no sentido de garantir às pessoas o acesso a serviços básicos. Paralelamente, as indústrias devem intensificar o desenvolvimento de tecnologias e de produtos que favoreçam a proteção dos recursos hídricos e a reutilização de água. Se bem aproveitado, este Ano Internacional de Cooperação poderá ser muito útil para a adoção de medidas efetivas, destinadas à ampliação dos serviços de saneamento básico e incentivo ao uso racional da água. A hora é agora!”, pondera.

A parcela de cada cidadão


A todos nós, cidadãos comuns, moradores de grandes e pequenas cidades, também cabe uma parcela de cooperação para o sucesso dessa rede global em prol da água.

Pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, Luciano Zanella sugere algumas medidas simples – e relativamente baratas – para redução do desperdício, manejo racional e reuso da água. Entre elas, ele destaca o investimento em equipamentos economizadores, como o arejador, acessório usado em torneiras com a função de misturar ar à água, dando a sensação de maior volume, mantendo assim o conforto do usuário e economizando água.

Para Zanella, outra medida positiva já aplicada no Brasil é o uso de bacias sanitárias em tamanho padrão, de 6,8 litros. Elas são consideradas de baixo volume de descarga, se comparadas a modelos antigos, que consumiam até 15 litros em apenas uma descarga, após o uso do vaso sanitário. As válvulas de descarga dupla também são viáveis para instalação doméstica, liberando volumes diferenciados de água para dejetos líquidos e sólidos.

Revista Ecologico

Cidades apagarão luzes para lembrar meio ambiente


Pelo quinto ano consecutivo, a organização não governamental WWF promove em mais de 150 países, neste sábado (23), o movimento Hora do Planeta. É um ato simbólico que conta com a participação de governos, empresas e a população. As pessoas podem participar apagando a luz de casa, da empresa ou qualquer outro lugar das 20h30 às 21h30.

A proposta é levar a uma reflexão sobre o aquecimento global e as ameaças ao meio ambiente. No Brasil, 92 cidades confirmaram participação, sendo 22 capitais , entre elas, Brasília (DF), Natal (RN), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO) e Florianópolis (SC).

A superintendente da WWF-Brasil, Regina Cavini, explica que as prefeituras apagam os monumentos mais importantes e significativos, porque não se pode apagar a luz de toda uma cidade. Em Brasília serão apagadas as luzes do Congresso Nacional e da Esplanada dos Ministérios.

Regina Cavini ressalta que o movimento é um ponto de partida para ações contínuas. “O WWF sabe que não é em uma hora que vamos fazer as mudanças necessárias ao planeta. O que interessa é as pessoas usarem este momento para se reunirem com suas famílias e seus amigos e repensarem os seus hábitos”, diz.
Em 2012, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo apagaram as luzes durante a Hora do Planeta.

Agência Brasil

FAO: progresso da bioenergia não pode afetar segurança alimentar


O desenvolvimento da bioenergia no Brasil deve evitar comprometer a segurança alimentar, alertou o coordenador do programa de Bioenergia da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Olivier Dubois.

Em entrevista à Agência Brasil, Dubois falou da necessidade constante de mapeamento do solo para investigar o impacto ambiental da produção agropecuária. Destacou que é preciso estudar os efeitos indiretos da ocupação do solo, para que não haja danos, principalmente, à agricultura familiar ao redor do mundo.

“Se disser ao pequeno agricultor que ele terá dinheiro a partir de uma cultura, o risco é de ele utilizar seu lote todo para essa única cultura. Ele fará 10 hectares para cultura de dendê e terá de comprar comida. O risco disso é que ele será muito mais dependente dos preços dos alimentos. Ou seja, uma certa proporção [do seu terreno] ele tem que garantir, senão há o risco de segurança alimentar”

A avaliação de Dubois é que não há necessariamente uma incompatibilidade entre a produção de alimentos e biocombustíveis. “Não podemos diabolizar uma coisa porque depende muito da forma como você faz. Não se pode competir com a utilização da terra na produção de biocombustíveis, mas é possível concorrer. Planta alimentar como matéria-prima pode ser mantida em consórcio de diferentes culturas na mesma área”.

O coordenador citou o Projeto de Critérios e Indicadores de Bioenergia e Segurança Alimentar da FAO, como uma ferramenta da entidade, que inclui instrumentos de avaliação dos impactos ambientais e socioeconômicos da produção de bioenergia, com indicadores que podem ser medidos durante a produção e a recomendação de boas práticas e de medidas políticas para promover o desenvolvimento sustentável da bioenergia.


“Essa ferramenta orienta, por exemplo, os possíveis riscos de substituição alimentar de forma sustentável. Com ela podemos avaliar e monitorar as práticas de bionergia pelo mundo”, explicou. O instrumento permite recomendar, por exemplo, balancear a produção de energia com a de outros alimentos, utilizando o subproduto para alimentar o gado, misturando ou fazendo rotação de culturas.

De acordo com a Embrapa Agroenergia, até 2004 não existia fabricação de biodiesel no Brasil. Com a implantação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), o País passou a ser o segundo maior produtor mundial e colocou no mercado 2.717 m³ do biocombustível em 2012.

Agência Brasil

João Pessoa e mais 91 cidades participam da ‘Hora do Planeta’, neste sábado à noite


Atenta às mobilizações em todo o mundo pela preservação do planeta, a Prefeitura de João Pessoa (PMJP), por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), foi a primeira capital do Nordeste a aderir formalmente à Hora do Planeta. O movimento global acontece neste sábado (23), das 20h30 às 21h30, nos principais prédios das repartições públicas, que apagarão suas luzes.

Pelo quinto ano consecutivo, o WWF-Brasil promove a Hora do Planeta, um ato simbólico, promovido no mundo todo pela Rede WWF, no qual governos, empresas e a população demonstram a sua preocupação com o aquecimento global, apagando as suas luzes durante 60 minutos. Neste sábado,  92 cidades, sendo 22 capitais, estarão mobilizadas com diversas atividades pela Hora do Planeta.

A Hora do Planeta é um movimento global, promovido pelo quinto ano consecutivo pela Rede WWF Brasil (World Wildlife Fund), com o objetivo de sensibilizar os cidadãos sobre os problemas ambientais enfrentados mundialmente.  Em 2012, monumentos como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, a Ponte Estaiada, em São Paulo e a Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, tiveram as luzes desligadas durante uma hora. Mais de 150 países e territórios também se envolveram na manifestação.

Clima 

As mudanças no clima são consideradas pelos cientistas uma das maiores ameaças ambientais do século XXI, afetando cidadãos comuns, empresas, governos e toda a natureza. Ondas de calor e períodos de grandes secas têm provocado perdas agrícolas e são uma ameaça para a economia mundial. A Hora do Planeta propõe uma hora de reflexão para os cidadãos, para que repensemos nossas ações sobre o meio ambiente.

Na cidade-âncora Brasília serão apagadas as luzes da Esplanada dos Ministérios, do Congresso Nacional, da Catedral e de outros monumentos históricos. O público contará com a participação da banda regional Patubatê e do grupo DJs Criolina, no Museu Nacional da República, local do evento.

São Paulo também apagará as luzes de símbolos como a Ponte Estaiada, o Obelisco, o Mercado Municipal, o estádio do Pacaembu, o Monumento das Bandeiras, o Theatro Municipal, o Arco do Anhangabaú e a Biblioteca Mário de Andrade. Além disso, o grupo Vá de Bike reunirá ciclistas numa pedalada no centro da capital paulista. O circuito passará por três desses locais e monumentos paulistanos que ficarão às escuras durante a Hora do Planeta.

No Rio de Janeiro ficarão às escuras o Cristo Redentor, os Arcos da Lapa, a Orla de Copacabana e de Ipanema, o Arpoador, o Parque Garota de Ipanema, a Igreja da Penha e a Catedral Metropolitana.

Celebridades como o músico Tom Zé, a atriz Paolla Oliveira, o chef Alex Atala, entre muitos outros famosos vestiram a camisa em apoio à ação. A cantora Gaby Amarantos topou o desafio “Eu vou se você for” do WWF e prometeu ficar um dia inteiro longe da internet se 1000 pessoas curtissem a foto dela no Instagram. O cineasta Flávio Tambellini também embarcou no desafio e se propôs a usar bicicleta por um mês e plantar uma árvore por semana no Rio de Janeiro se 1000 pessoas fizessem o mesmo. Essas iniciativas, que já reuniram mais de quatro milhões de interações no YouTube, consistem na produção de um vídeo em que qualquer pessoa assume um compromisso e desafia outra com o objetivo de mudar o planeta.

Cerca de 50 empresas como Banco do Brasil, Lojas Renner, McDonald’s, Meliá Hotels também apoiaram a ação. O HSBC-Brasil realizará uma mobilização pela água do planeta em nove capitais brasileiras – São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Recife, Goiânia, Campo Grande e Brasília. Colaboradores do banco realizarão atividades como plantio de mudas, recuperação de nascentes e medição da qualidade das águas dos rios. Além disso, dez prédios administrativos do HSBC ficarão às escuras.

Sobre a Hora do Planeta

A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas. Desde sua primeira edição, em março de 2007, a Hora do Planeta não parou de crescer. O que começou como um evento isolado em uma única cidade, Sidney, na Austrália, tornou-se uma ação global, envolvendo um bilhão de pessoas em mais de 5 mil cidades de 152 países.  Alguns dos mais conhecidos monumentos mundiais, como as pirâmides do Egito, a Torre Eiffel em Paris, a Acrópole de Atenas e até mesmo a cidade de Las Vegas (EUA) já ficaram no escuro durante sessenta minutos.

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Sobre a Rede WWF

A Rede WWF é uma das maiores organizações ambientalistas independentes do mundo.  Ela tem o apoio de quase 5 milhões de pessoas e uma rede mundial ativa em mais de 100 países.  A missão da Rede WWF é acabar com a degradação do meio ambiente natural do planeta e construir um futuro onde os seres humanos vivam em harmonia com a natureza, assegurando o uso sustentável dos recursos naturais renováveis e promovendo a redução da poluição e do desperdício de consumo.
 

Portal Correio

Destaque Nacional: cinco estados não pagam o piso ao professor; Paraíba é um deles


Levantamento exclusivo realizado pela revista Educação junto às secretarias de educação das 27 unidades da federação brasileiras e a sindicatos dos professores revela que cinco estados - Amapá, Amazonas, Paraíba, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - não pagavam ao docente o valor estabelecido pela Lei do Piso Salarial do Magistério Público (Lei 11.738/2008). Os dados são referentes a dezembro de 2012, quando o vencimento básico para um docente da rede pública com formação de ensino médio era de R$ 1.451, por uma jornada de 40 horas de trabalho semanais.

A Lei do Piso também estabelece que um terço da jornada seja destinado a atividades fora da sala de aula, em planejamento pedagógico ou de atividades, por exemplo. Nesse quesito, 15 redes não cumpriam a lei federal. Em três casos (RJ, SP e TO), ocorreu uma divergência entre o sindicato da categoria e a secretaria de Educação do estado. Além disso, o Distrito Federal cumpre a lei, apenas no que se refere aos professores com jornadas de 40 horas semanais - os de 20 horas semanais têm 25% da jornada para atividades fora da sala de aula, segundo a secretaria.

Parte dos estados que não cumprem a destinação de um terço para jornada extraclasse está praticamente alcançando o que a lei federal determina. É o que acontece, por exemplo, no Acre, em Pernambuco e no Piauí, que destinam 30%, e não 33%, para atividades extraclasse. No segundo, o Estatuto do Magistério determina que esta seja a porcentagem de tempo destinada ao tempo para planejamento pedagógico e de aulas.

No Amazonas, de acordo com o sindicato da categoria, não está institucionalizado o tempo para planejamento, variando conforme o professor. A Secretaria do Estado de Educação (Seduc) do Amazonas informa que um projeto de lei será encaminhado para a Assembleia Legislativa para resolver a questão.

Na prática, a ampliação do tempo destinado à jornada extraclasse vem sendo alvo de negociações entre os sindicatos de professores e as secretarias estaduais de Educação em cada uma das unidades da federação. No Paraná, por exemplo, após negociações em dezembro, os professores deverão passar 25% do tempo fora da sala de aula.


Demanda histórica A criação de um piso nacional único para a educação pública é uma reivindicação histórica dos professores. Mas os problemas de remuneração e valorização do docente não foram resolvidos plenamente pela lei federal. As cinco secretarias que têm vencimentos abaixo do determinado justificam que complementam a remuneração do professor (e do aposentado), cujo vencimento básico não alcança o valor estipulado.

A maior distância entre o vencimento básico e o piso, conforme o levantamento, ocorre no Rio Grande do Sul. Em valores de dezembro de 2012, o professor com formação de nível médio recebia R$ 921,75 - uma diferença de mais de R$ 500 para o piso. A secretária-adjunta de Educação do Rio Grande do Sul contesta a assertiva de que o estado não cumpre a lei e afirma que a rede gaúcha vive uma "sinuca".

Segundo ela, a carreira do magistério estadual do Rio Grande do Sul tem diferentes vencimentos básicos conforme a formação do professor e, se o reajuste baseado na arrecadação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) fosse aplicado, a máquina administrativa não teria como arcar com a folha de pagamento.

"No Rio Grande do Sul, a diferença de remuneração entre os níveis de habilitação, sem contar tempo de serviço e promoções, entre o básico do nível médio para o básico do professor graduado chega a 85% do vencimento. Para pós-graduado, a 100%. Fizemos, no estado, uma opção de não desmontar a carreira, e de discutir judicialmente o índice de correção do piso", aponta.

Na prática, cada estado tem autonomia para elaborar o plano de carreira para os professores, que deve ser aprovado pelo Legislativo. Com isso, a lei federal é insuficiente para resolver a remuneração dos professores sozinha. Entretanto, é forte instrumento de pressão para os sindicatos, que tiveram conquistas nas negociações desde a aprovação do instrumento.

Perto do piso Na Paraíba, o vencimento básico se encontrava, em 2012, em R$ 1.384,00 proporcionalmente à jornada de 40 horas semanais. Todos os professores recebem uma complementação variável, conforme o nível de escolaridade. Só então, o valor de R$ 1.451 era superado.

No Amapá, há ainda docentes com vencimentos abaixo do piso, conforme explica a Secretaria de Estado da Educação (Seed). De acordo com e-mail da assessoria de comunicação, hoje um professor do estado inicia ganhando R$ 1.470. Os que ganham abaixo dessa remuneração são aqueles que cursaram o antigo magistério e que não fizeram graduação e especializações. O governo do Amapá afirma que, em 2012, enviou um projeto de lei para a Assembleia Legislativa propondo o pagamento do piso para os professores que ganham abaixo do valor, mas ele não foi aprovado.

Já em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Educação (SED) argumenta que passa por um problema formal, mas que todos os professores recebem acima do piso, após um complemento específico a fim de totalizar o que determina a lei. De acordo com a assessoria de comunicação da pasta, toda vez que vai haver ampliação de salário do docente, é necessária a aprovação de um projeto de lei na Assembleia Legislativa. Em 2012, não houve aprovação e o valor permaneceu em R$ 1.281. A secretaria afirma ainda que os aposentados também recebem o complemento, mas que é muito difícil encontrar inativos com vencimentos mínimos, porque a maioria incorporou vantagens ao longo da carreira.


Já no Amazonas, a diferença para o cumprimento da Lei do Piso era muito pequena em 2012. O professor com nível médio tinha remuneração, em jornada de 40 horas, de 1.412,12. Como todos os docentes recebem uma gratificação de 43% em cima do vencimento básico, a situação está praticamente equacionada. Segundo a Seduc, há uma proposta para que a complementação da regência de classe seja incorporada ao salário, e a medida será encaminhada à Assembleia Legislativa.

Nada é tão simples O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) acrescenta esse estado à lista dos que não cumprem a Lei do Piso - informação que é contestada pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) de Minas. "O governo transformou toda a remuneração do professor em parcela única, que é o subsídio. O estado acabou com o vencimento básico em Minas Gerais. Acabou com as tabelas de vencimento básico ao fixar as tabelas da remuneração cheia", explica a coordenadora-geral, Beatriz Cerqueira.

Em outras palavras, acabando com o vencimento básico, o governo teria incorporado as gratificações ao salário, fazendo com que o professor não tivesse aumento em sua remuneração base. "Quando o estado fez isso, também congelou qualquer benefício vinculado à formação acadêmica ou ao tempo de serviço", diz.



UOL com Revista Educação 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Inep poderá zerar redações do Enem que apresentarem algum tipo de deboche


O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, defende a punição de candidatos que apresentarem alguma forma de deboche nas redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na última edição do Enem, segundo o presidente, foram contabilizadas cerca de 300 redações que continham algum tipo de inserção indevida. Para o próximo edital do exame será discutida a possibilidade de zerar essas redações.

"Vou defender junto à comissão técnica [formada por especialistas e técnicos do Inep] que, em caso de inserções indevidas seja dada a nota zero", disse o presidente. O próximo edital deve ser lançado em maio deste ano, até lá a questão será discutida em reuniões semanais. O presidente diz que mesmo que as redações com inserções indevidas representem um universo pequeno próximo ao total de 4,1 milhões de redações corrigidas na última edição do exame, merecem medidas específicas por representarem um "desrespeito ao candidato sério".

No mês passado, o estudante de Fernando Maioto publicou em sua página pessoal da rede social Facebook a versão digital da redação que escreveu no Enem. Ele incluiu, em meio aos argumentos sobre migração, o hino do Palmeiras. Ele recebeu a nota 500, metade da nota máxima. Acima da publicação, debochou: "O melhor do Enem é fazer uma redação com o hino do Palmeiras, e ainda tirar nota... UFA que eu já passei por essa fase. E desejo toda a sorte para quem está passando por ela. O Enem só me faz rir..."

O presidente do Inep diz que a comissão técnica discutirá critérios para discernir inserções inadequadas de divagações devido ao nervosismo do candidato "sério". Nesses casos, a redação não seria zerada.

Além da punição, as discussões para a elaboração do próximo edital devem levar em consideração os erros de português. Atualmente, uma redação nota 1.000, a nota máxima, deve conter "um excelente texto, mesmo que apresente alguns desvios em cada competência avaliada", informa em nota o Ministério da Educação (MEC). A tolerância, segundo a pasta, deve-se a consideração de que o participante é um egresso do Ensino Médio, "ainda em processo de letramento na transição para o nível superior".

Luiz Cláudio Costa comenta que, nesta edição "não foram redações ruins que tiraram uma nota boa, são redações em que o estudante mostra o domínio da norma culta, faz construções extremamente complexas e comete um ou dois desvios". Ele diz no entanto, que haverá um debate técnico se deve ou não haver essa tolerância. "O MEC e o Inep defendem que a norma culta é a primeira competência exigida do estudante. Mas quando o estudante mostrou o domínio e teve um erro ele deve receber a nota máxima ou não? Vamos debater isso também".

Na última edição do Enem, de acordo com o Inep, foram 2.080 redações com a nota máxima.

Agência Brasil