sábado, 23 de agosto de 2014

Usinas de energia solar queimam pássaros em pleno voo nos EUA


Usinas de energia solar, conhecidas como alternativas energéticas com menos impacto ambiental, têm queimado pássaros em pleno voo nos Estados Unidos.

Investigadores federais de proteção à vida selvagem que visitaram no ano passado a usina BrightSource Energy, a maior planta solar do mundo, que fica no deserto de Mojave, verificaram que pássaros queimavam e caíam sobre o local, em média, a cada dois minutos.

Agora, esses investigadores pedem que planos de ampliação da usina sejam paralisados até que se possa verificar a extensão total das mortes de pássaros. Enquanto a BrightSource estima que ocorram cerca de mil mortes por ano, um especialista do grupo ambientalista Center for Biological Diversity calcula que ocorram até 28 mil mortes anualmente.

Para Garry George, diretor de energias renováveis da organização ambiental Audubon Society, focada na preservação dos pássaros, as mortes são alarmantes. "É difícil dizer se é a localização ou a tecnologia", diz. "É preciso ter cautela."

As mortes das aves mostram que a busca por uma energia limpa por vezes pode provocar danos ambientais inadvertidamente. Fazendas solares têm sido criticadas também por seus impactos sobre as tartarugas do deserto e os parques eólicos já foram apontados por matar pássaros, inclusive numerosas aves de rapina.

"Levamos esse assunto muito a sério", disse Jeff Holland, prota-voz da empresa NRG Solar, de Carlsbad, na Califórnia. Trata-se de uma das três empresas por trás da usina. A outra empresa é o Google.


A usina de US$ 2,2 bilhões, inaugurada em fevereiro, tem por mais de 300 mil espelhos, cada um do tamanho de uma porta. Eles refletem os raios solares em direção a três torres, que se elevam a uma altura de até 40 andares. A água dentro das torres é aquecida para produzir vapor, que aciona turbinas que geram energia elétrica suficiente para suprir 140 mil casas.

Os raios solares refletidos pelos espelhos são brilhantes o suficiente para atrapalhar pilotos chegando ou saindo de Las Vegas e de Los Angeles.

Especialistas afirmam que a usina pode ser uma grande armadilha para a vida selvagem: a luz refletida pelos espelhos atrai insetos que, por sua vez, atraem pássaros que morrem devido aos intensos raios de luz.

Defensores da energia solar estão lutando para evitar que as mortes dos pássaros forcem uma pausa na construção de novas usinas, no momento em que eles veem que a tecnologia está a ponto de tornar-se mais acessível e disponível, de acordo com Thomas Conroy, especialista em energias renováveis.

Para ele, a diversidade de tecnologias  e de fontes energéticas é essencial. "Ninguém deve argumentar que devemos usar só carvão, só energia solar, só energia eólica ou só energia nuclear. E cada uma dessas tecnologias tem uma longa lista de prós e contras."

G1 Natureza

Apetite global por energia aumenta pressão sobre água


Os recursos hídricos estão sob pressão para atender a crescente demanda global por energia. O alerta vem de um novo relatório da ONU, lançado na última sexta-feira (21), em Tóquio, por ocasião do Dia Mundial da Água. O documento analisa criticamente a falta de coordenação e planejamento entre os dois domínios, e insta a melhorias para evitar a escassez de energia, o desabastecimento de água e a deterioração dos recursos naturais.

No total, a produção de energia é responsável por 15% de retirada de água do planeta. Mas esse número está aumentando e, em 2035, o crescimento populacional, a urbanização e o aumento do consumo prometem empurrar o consumo de água para geração de energia até 20%.

A demanda por energia elétrica deve aumentar em 70% até 2035, com mais de metade deste crescimento vindo da China e da Índia.

Recursos hídricos em declínio já estão afetando muitas partes do mundo e 20% de todos os aquíferos já são considerados sobreexplorados.

Em 2050, 2,3 bilhões de pessoas estarão vivendo em regiões sujeitas a estresse hídrico severo, especialmente na África do Norte, Central e Sul da Ásia.

De acordo com o estudo, o desafio de atender a demanda por energia pode muito bem vir às custas dos recursos hídricos. Como a preocupação com o meio ambiente e os impactos sociais das térmicas e das usinas nucleares aumenta, os países estão tentando diversificar suas fontes de energia, visando reduzir a dependência externa e mitigar os efeitos da flutuação dos preços. Mas todos as opções têm seus limites, diz a ONU.

O cultivo de biocombustíveis, que requer uma grande quantidade de água, aumentou em grande escala desde 2000. Extração de gás de xisto também se espalhou nos últimos anos, particularmente nos Estados Unidos. Mas esta energia fóssil só pode ser extraída através de fraturamento hidráulico, que requer grandes quantidades de água e apresenta o risco de contaminar os lençóis freáticos.

Fontes de energia renováveis parecem menos prejudicial para o abastecimento de água, sugere o relatório. A hidroeletricidade atualmente atende 16% da demanda de energia em todo o mundo e seu potencial ainda é pouco explorado. No entanto, a construção de barragens pode ter um impacto negativo sobre a biodiversidade e as comunidades humanas.

Outras energias alternativas estão ganhando terreno. Entre 2000 e 2010, a energia eólica e a energia solar cresceram 27% e 42%, respectivamente, em todo o mundo. Mas, embora essas tecnologias exijam muito pouca água, eles fornecem energia de forma intermitente e precisa ser combinado com outras fontes que não necessitam de água.

Assim, pondera o relatório, apesar dos progressos na área das energias renováveis, o combustível fóssil deve manter a sua liderança nos próximos anos. Pelas previsões da Agência Internacional de Energia, os combustíveis fósseis devem manter sua liderança na matriz mundial até 2035, seguido das energias renováveis.

COMO ENFRENTAR O DESAFIO DA ENERGIA
 O relatório destaca a necessidade de coordenar as políticas de água e de gestão de energia para enfrentar os desafios futuros. Isto inclui a revisão de práticas de preços para garantir que a água e a energia são vendidas a preços que reflitam seu custo real e impacto ambiental com mais precisão.

Sistemas que permitem a produção combinada de água e energia elétrica, provavelmente serão a chave para o futuro, diz o estudo.

É o caso das usinas de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e Shoaiba, na Arábia Saudita, que servem tanto para a dessalinização da água do mar como para a produção de energia.

Outa solução que vem ganhando força é reciclagem de água para geração de energia. A matéria orgânica serve para a produção de biogás rico em metano.

No Chile, a central de Farafana trata 50% do esgoto de Santiago e produz perto de 24 milhões de metros cúbicos de biogás. Cem mil moradores usam essa energia, em vez de gás natural.

Em Estocolmo, na Suécia, carros e táxis usam biogás produzido a partir de águas residuais. O interesse por esta tecnologia também está crescendo em países em desenvolvimento.

ÁGUA E ENERGIA: UMA RELAÇÃO DELICADA 

O relatório mostra que os lugares onde as pessoas não têm acesso adequado à água coincidem, em grande parte, com aqueles onde as pessoas não têm energia elétrica, evidenciando o quão interligados são esses dois setores.

Em pleno século 21, 768 milhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso a uma fonte de água tratada, 2,5 bilhões de pessoas não têm saneamento adequado, enquanto 1,3 bilhão de pessoas não possuem acesso a energia elétrica.

A coleta, o transporte e o tratamento de água necessitam de energia, enquanto a água é utilizada na produção de energia e para a extração de combustíveis fósseis. Usinas de geração elétrica, que produzem 80% da eletricidade no mundo, utilizam grandes quantidades de água para o processo de resfriamento.

Segundo a ONU, essas relações evidenciam que as escolhas estratégicas feitas em um domínio têm repercussões sobre o outro.

Planeta Sustentável

Guerra por água revela crise de governança no Brasil


O conflito entre Rio de Janeiro e São Paulo em torno do rio Paraíba do Sul é apenas o sintoma mais visível de um problema grave: a crise de governança da água. Para especialistas, o governo brasileiro falha em dar respostas adequadas às crises hídricas, o que coloca em risco a própria legitimação de suas instituições.

A investida da companhia de eletricidade de São Paulo (CESP) de reduzir a vazão de água da Usina
Hidrelétrica Jaguari - contrariando determinação do ONS e diminuindo assim a quantidade de água do Paraíba do Sul que segue para o Rio de Janeiro - é indicação clara do problema.

Outro sinal: o risco da disputa em torno da transposição do Paraíba do Sul ir parar no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta enfrenta a resistência do governo fluminense e é tema de uma ação do Ministério Público Federal de Campos.

"Quando a gente chega a esse ponto é porque a crise tem sido de governança. A gestão da água vinha numa crescente focada na administração por bacias hidrográficas, mais descentralizada e mais participativa. Infelizmente, na última década, temos tido uma fragilidade, um desmonte desse tipo de gestão, muito desencadeado pelo governo federal. E isso tem a ver, por exemplo, com o enfraquecimento da ANA, que tem menos poder do que a Aneel", afirma Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.

Para ela, a crise da governança ficou explicita na transposição do Rio São Francisco, "quando todos os comitês de bacias da região foram contra a obra, e mesmo assim ela foi à frente e a questão foi para a justiça, e agora temos uma obra inacabada".

Esse episódio foi, segundo Malu, o primeiro abalo na estrutura do sistema de recursos hídricos no Brasil. "Se os comitês deliberaram contra, por questões técnicas e ambientais, por que foram ignorados?", questiona.

Outro caso problemático, na visão da especialista, foi a expansão de PCHs (pequenas centras hidrelétricas) em Minas Gerais, que estavam sendo licenciadas, mas o Ministério Público teve que revogar as licenças porque não foi feito um estudo de impacto ambiental nas bacias hidrográficas afetadas. "Minas Gerais, que é popularmente conhecida como caixa d’água no Brasil, acabou sendo enfraquecida pelo confronto judicializado entre o setor elétrico e o de água", acrescenta.

RIO X SP 

Para Márcio Pereira, especialista em meio ambiente do L.O. Baptista-SVMFA, as disputas judiciais não resolvem o problema hídrico. Segundo ele, nem São Paulo, nem o Rio de Janeiro e tampouco o governo federal, têm cumprido com suas obrigações de gestão.

"As nossas agências reguladoras deveriam fazer a mediação de conflitos, mas esse papel ainda não foi implementado. Cabe ao governo fazê-lo. É o processo de integração entre diferentes politicas que está faltando. O setor elétrico tem uma política, o setor de resíduos tem outro, o de água tem outro, assim fica difícil", pontua.

São Paulo e Rio, segundo ele, poderiam aproveitar a oportunidade para reunir todos os atores que fazem uso da água e encontrar uma solução apartidária, buscar uma oportunidade de iniciar um novo modelo de gestão a fim de evitar conflitos nos próximos anos.

"Sem mexer na nossa Constituição, poderíamos criar um sistema único que centralizasse todos os órgãos. Porque a água é continua, ela só vai ter diferentes domínios de forma circunstancial", completa.

Arthur Rollo, advogado e professo da Faculdade de Direito de São Bernardo, alerta para a tendência dos conflitos de água aumentarem à medida que as fontes atuais são exauridas ou poluídas.

"O poder público tem o dever de preservar os recursos naturais. Isso devia ser permanente. Na verdade, países conscientes em relação à água usam essa política de forma permanente. Mas aqui a gente suja a água da represa, e tem que gastar muito dinheiro para tratar e gerar agua potável", diz.

Mas a população também tem papel ativo. "Tem um principio do direito ambiental que é o principio da
participação ambiental, todos têm que participar ativamente da preservação dos recursos naturais para a presente geração e para o futuro. Tem que preservar, fiscalizar e cobrar", finaliza.

Planeta Sustentável

domingo, 17 de agosto de 2014

Só 10% do lixo em João Pessoa é enviado para coleta seletiva, diz Emlur


O programa de Coleta Seletiva na cidade de João Pessoa recebe apenas 10% de todo o lixo produzido no município. O serviço já existe há aproximadamente 15 anos. No entanto, de acordo com o coordenador da coleta na capital paraibana, Gilberto Félix, a consciência da população da capital paraibana  sobre o destino correto dos materiais ainda está muito longe do ideal.

Para Gilberto Felix, a cidade de João Pessoa é quase precária no que se diz respeito ao cuidado e separação do lixo. "As pessoas não estão acostumadas com a coletiva seletiva, nem em ter o cuidado em colocar os tipos de lixo separados. Pior é quando realizamos a coleta em um local e quando voltamos está do mesmo jeito, isto nos dá até desgosto. É preciso que a população ajude mais, sendo assim, precisamos desenvolver não só o trabalho ambiental, como também, o trabalho social", disse ele, que também ressaltou, " Ver a cidade cada vez mais limpa deveria ser um meta de todos".

Nem todos os bairros da cidade são atendidos pelos carrinhos da coleta seletiva, como por exemplo, os bairros do Centro, Tambauzinho, Valentina, Gramame e Esplanada, mas segundo Gilberto Feliz esse não é um motivo para não se preocupar com o lixo produzido nas residências, pois qualquer pessoa que se interessar pelo serviço, pode solicitá-lo através do telefone: 0800-083-2425.

"Em caráter de urgência estamos trabalhando para atender toda a cidade, a meta é que 100% da capital tenha acesso aos nossos serviços. Porém, nos lugares que ainda não chegamos é só ligar para nosso número que imediatamente faremos de tudo para atender a solicitação", explicou Gilberto.

Os agentes ambientais realizam a coleta todos os dias empurrando seus carrinhos, onde geram renda para suas familias. Há também um caminhão que auxilia os trabalhos. Gilberto Freire informou que as pessoas que desenvolvem esse trabalho são os antigos cotadores do Lixão do Róger, e que alguns deles chegam a receber R$ 2 mil. Entretanto, esse modo de fazer a coleta é considerado antiquado, e a meta é ter pelo menos mais quatro caminhões para otimizar o serviço.

Segundo a Prefeitura Municipal, em seu site oficial, atualmente, a cidade conta com cinco núcleos de coleta seletiva, nos bairros: Cabo Branco, Bessa, 13 de Maio, Jardim Cidade Universitária e Mangabeira.

G1 PB

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Lago misterioso aparece no deserto da Tunísia


Um lago misterioso apareceu no deserto da Tunísia no mês de julho, criando um novo local de lazer para moradores locais e despertando curiosidade sobre sua formação.

O local foi descoberto por pastores há cerca de três semanas. No início, o lago era azul, mas com o passar do tempo se tornou verde, com grande presença de algas, gerando um questionamento sobre uma possível contaminação de suas águas, segundo o jornal “Daily Mail”.

Apesar disso, a praia de Gafsa, como passou a ser chamado o local, passou a ser muito utilizada pelos moradores locais, que usam suas aguas para se refrescar do forte calor. Na região, as temperaturas chegam a 40ºC.


Ainda não houve nenhuma explicação para o surgimento do lago, mas alguns especialistas sugeriram que uma atividade sísmica possa ter levado uma porção de água subterrânea a chegar à superfície.

O escritório de Segurança Pública de Gafsa emitiu um alerta ao público avisando que o lago é perigoso e não apto para o mergulho, mas isso não interrompeu o uso das águas pelos locais.

G1

Governo não prorrogará prazo para lei que extingue lixões


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta quinta-feira (31) que o governo federal não determinará a prorrogação do prazo para o início da aplicação da lei que proíbe o uso de lixões no país. Mais de metade dos municípios do país não tomaram as medidas necessárias para cumprir a determinação, que é conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos. O prazo de adequação é até este sábado (2).

A lei foi sancionada em 2010 e determina que as prefeituras deveriam ter concluído, até 2 agosto deste ano, a destinação adequada para o lixo que não possui qualquer possibilidade de reaproveitamento. Entre as medidas possíveis estão a construção de aterro sanitário ou a incineração com baixo impacto ambiental. Sem o cumprimento da lei, os municípios ficam sujeitos a multas e ações na Justiça por crime ambiental.

“O governo entende que o assunto é tão importante que não se trata de prorrogar prazo. A decisão é manter prazo e nos colocarmos à disposição do Congresso para manter o diálogo”, disse Izabella Teixeira. De acordo com a ministra, o governo federal irá se reunir, no próximo dia 22, com autoridades do Ministério Público Federal nos estados para decidir soluções para o caso de municípios que estão descumprindo a nova norma.

De acordo com Ministério do Meio Ambiente (MMA), somente 2.202 municípios, de um total de 5.570, estabeleceram medidas para garantir a destinação adequada do lixo que não pode ser reciclado ou usado em compostagem. Em alguns estados, como Roraima, o Ministério Público tem questionado as ações que estão sendo pelo governo local para o cumprimento da lei.

A ministra evitou falar que os municípios que não cumprem a lei estão em situação irregular. Eles correspondem a cerca de 60% do total do municípios do país, mas produzem o equivalente a aproximadamente 40% do volume de lixo, segundo o MMA. “Esses [mais de]  3.000 municípios estariam, não sei se irregulares. [Estariam] em situação de questionamento”, disse a ministra.

Recursos disponíveis

O MMA informou que nos últimos quatro anos foram disponibilizados R$ 1,2 bilhão para que estados e municípios realizassem o planejamento das ações e iniciassem medidas para se adequarem à nova legislação de resíduos sólidos. No entanto, segundo Izabella Teixeira, cerca de 50% foi efetivamente aplicado, devido ao que ela chamou de “dificuldades operacionais”.

A ministra explicou que, em alguns casos, municípios deixaram de acessar os recursos de investimento na aplicação da lei por terem não terem apresentado um projeto executivo. Em outras ocasiões, a liberação foi suspensa devido à má aplicação.

“São situações de incapacidade técnica de municípios, incapacidade de acessar recursos. Há situações, inclusive, que podem ser resolvidas entendendo melhor a integração dos planos municipais”, declarou Izabella. “O que temos visto é intenção de construir soluções. Há uma grande preocupação de prefeitos em resolver isso, porque ninguém quer ter problema ambiental”, completou.

Pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, as autoridades que desobedecem as determinações previstas na norma ficam submetidas a punições previstas na lei de crimes ambientais, que inclui multas que variam de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. Atualmente, somente três estados possuem plano de resíduos sólidos: Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro. O ministério não divulgou o total de municípios que já têm o plano definido.

G1 Natureza

Supermercado usa o próprio lixo para fazer compostagem


As redes de supermercados são as responsáveis por gerar a maior quantidade de lixo orgânico. Boa parte deste material é descartado nos aterros sanitários sem passar por qualquer processo de separação ou reciclagem. Na contramão, a Zona Sul, uma das grandes redes no Rio de Janeiro, decidiu investir em um programa para transformar o lixo gerado em suas lojas em adubo orgânico.

O lixo orgânico é aquele resíduo de origem vegetal ou animal, como restos de alimentos (carnes, vegetais, frutos, cascas de ovos). Em seu processo de decomposição, esse lixo produz o chorume, um líquido viscoso que pode provocar contaminação de ambientes naturais como solo e águas.

Se não aproveitado de forma correta, o resíduo orgânico perde seu grande potencial que é o de gerar energia e ainda transformar-se em um importante produto para adubar a terra. É através da compostagem que é possível aplicar um conjunto de técnicas para transformar o que, a princípio, não teria mais valor em um produto útil.

A compostagem é um processo de transformação de matéria orgânica em adubo com a ação de bactérias em alta temperatura. Este processo é também conhecido como uma forma de se reciclar o indesejável e mal cheiroso lixo orgânico.

Há cinco anos, a Zona Sul resolveu separar as 5 toneladas de lixo orgânico geradas nas 33 lojas e mandar para a compostagem. Após a triagem do lixo, restam 3 toneladas que se tornam matéria-prima para transformar-se em adubo, que pode ser usado na agricultura, jardins e plantas.

"O que geramos de resíduos orgânicos em toda a nossa rede é praticamente uma cidade, pois temos cinco mil funcionários. A gente começou a pensar na ideia da compostagem", contou a ((o))eco Fortunato Leta, diretor-presidente da rede Zona Sul. "O desafio era retribuir para a sociedade e diminuir a carga de resíduos que a gente leva para os aterros", disse em uma conversa durante o seminário "Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – Como transformar lixo em dinheiro".

A ideia começou a tomar corpo em 2009 e hoje, já são produzidos 30 toneladas de adubo orgânico através de empresas parceiras. Apenas a rede em si mobiliza 150 funcionários para trabalhar no processo de seleção do lixo enviado para a compostagem. Uma parte é feita com uma empresa parceira no município de Magé, a 60 km da capital fluminense, e outra parte segue para a Comlurb, que compra o lixo para fazer composto orgânico e utilizar em praças e encostas.

Compostagem ainda é cara

Leta diz que esta iniciativa de reciclagem de lixo orgânico é pioneira no setor de redes de supermercados no estado do Rio, mas ainda não se paga. "Arrisco a dizer que somos os únicos na indústria de supermercado que fazemos esse projeto no Rio, ou seja, aproveitar o lixo e não levá-lo para o aterro". No entanto, ele garante que sai "muito mais barato" jogar o lixo no aterro sanitário. "Ainda não consegui fechar os custos. Meu discurso está antenado com a ação, mesmo não valendo a pena economicamente", disse. O adubo orgânico derivado do lixo reciclado volta às prateleiras das lojas do Zona Sul em embalagens de 2 quilos.

Para Leta, o desafio agora é participar de todo o ciclo que envolve desde a geração de lixo, reciclagem, adubação e produção de cultivos orgânicos. Em um projeto ainda piloto, a rede alugou um pequeno terreno onde planta pimenta em 4 mil metros quadrados de área. A primeira safra da pimenta foi colhida recentemente de um solo também certificado como orgânico.

"Conseguimos uma parceria de um produtor orgânico em Magé próximo à empresa que faz a compostagem e lá estamos produzindo pimenta. É a nossa primeira experiência. Queremos participar do ciclo completo. Se der certo, vamos expandir", disse Leta.

O ECO