sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Plantio de culturas de subsistência no Semiárido nordestino: um caso a ser repensado, artigo de João Suassuna


O plantio de milho e feijão, na dependência de chuvas, no Nordeste Semiárido, é uma atividade que não faz parte das nossas propostas de convivência com o clima da região. O clima semiárido é muito irregular, no tocante à caída das precipitações, portanto, inadequado ao cultivo de tais culturas, quando plantadas em regime de sequeio (na dependência única e exclusiva das chuvas). Não assinaria embaixo uma proposta como essa, que viesse a pôr em risco o sustento e a vida do cidadão que reside no Polígono das Secas.
 
Em recente entrevista na mídia, Manelito Dantas Vilar, proprietário da fazenda Carnaúba, localizada no município de Taperoá (PB), no Semiárido paraibano, fez comentários sobre a loteria existente na caída das chuvas no Cariri do Estado, fazendo referência à semelhança existente com as precipitações de Paris, na França. Segundo ele, em Paris, as precipitações alcançam um volume médio anual de cerca de 600 mm, equivalente ao que é precipitado na região de Taperoá, em igual período. Apenas salientou uma diferença fundamental: as chuvas de Paris ocorrem em 183 dias, de forma bem distribuída no tempo e no espaço. Já as do Cariri paraibano ocorrem em cerca de 42 dias, no máximo, portanto concentradas irregularmente em curto período de tempo. Essa característica é imperiosa de ser observada, pois é, com ela, que advêm todas as impropriedades de se plantar, na região, as culturas de subsistência, que necessitam de umidade suficiente, e em momentos bem específicos do desenvolvimento da planta, para a satisfação de seu ciclo biológico de: germinar, se desenvolver, florir e frutificar.

Faltando a umidade necessária, em um dos segmentos do ciclo, haverá certamente a quebra da safra das culturas, com as consequências nefastas à vida do produtor rural, tão bem conhecidas por todos nós nordestinos. 

Uma planta de milho ou de feijão leva, em média, cerca de 90 dias para ser colhida. Na região semiárida, a semeadura dessas culturas costuma ocorrer no dia de São José (19 de março), para ser colhida no dia de São João (24 de junho). É a esperança do sertanejo de vir a ter milho verde no período junino, para a confecção das variadas iguarias de milho, tão apreciadas na região. É por essa razão que as chuvas ocorridas no dia de São José, enchem de esperanças o sertanejo, na crença de um ano com chuvas regulares e, portanto, de boas colheitas. 

Como produzir grãos numa região com problemas climáticos tão sérios, se podemos produzir, e com competência, a proteína animal em termos de carne e leite e, a partir desses produtos, adquirir os grãos necessários à alimentação, produzidos em outras localidades do país, com condições mais propícias para assim fazê-lo? É uma questão de se adequar uma política agrícola, que efetivamente não temos, a uma realidade regional. 

A Embrapa vem trabalhando a genética das plantas de milho e feijão, no sentido de torná-las precoces. Esse trabalho tem chegado a resultados interessantíssimos. Recentemente, a instituição desenvolveu nova variedade de feijão Caupi, com ciclo vegetativo inferior a 60 dias. Com esses resultados, a sua intenção é o de aumentar as chances nos plantios dos cultivares, quando realizados em regime de sequeiro, ou seja, a expensas das chuvas que, normalmente, ocorrem na região.

Respeitando as intenções da Embrapa nesse trabalho, mas a nossa opinião é a de que, mesmo com a utilização de cultivares precoces, os resultados nele obtidos não irão alcançar o sucesso desejado pelos pesquisadores, pelo simples fato de não haver ainda, na ciência, mecanismos de se fazer chover no momento adequado e nas quantidades volumétricas suficientes para a satisfação dos cultivos. Ora, no caso do Cariri paraibano, as chuvas são concentradas em 42 dias do ano. Nesse diminuto intervalo de tempo, torna-se impossível se prever a caída das chuvas, em volumes suficientes e no momento adequado, necessárias ao cumprimento do ciclo biológico dos vegetais, mesmo com as novas características de precocidade adquiridas. No caso do milho, por exemplo, em linguagem sertaneja, faltará sempre a chuva da “boneca” (fase vegetativa na qual a espiga está formada e os grãos estão em processo de desenvolvimento) e no do feijão o problema residirá na fase de desenvolvimento dos grãos.

Na visão de José do Patrocínio Tomaz Albuquerque, um dos maiores hidrogeólogos do Nordeste, os cultivos de subsistência no Semiárido são importantes, desde que haja aportes hídricos para realizá-los. Segundo ele, a alternativa correta na produção de alimentos, não é somente uma (sequeiro), mas a correção das irregularidades que o afetam pelo uso dos recursos hídricos acumulados, seja superficialmente, seja subterraneamente.

Além, é claro do incremento do xerofitismo. Porém, sem radicalismos. As águas subterrâneas continuam desconhecidas e, por isso, subestimadas em sua importância na correção de tais irregularidades. Principalmente as contidas nos aquíferos aluviais (há, inclusive, aquíferos aluviais intermitentes, como os rios, cujas águas não são aproveitadas e se perdem, também, por evaporação). Só um programa de pesquisas com sondagens poderia revelar onde e como dispor de todas estas águas subterrâneas dos aquíferos aluviais. Isso e tantas outros estudos e ações governamentais é o que falta para encarar, com relativo sucesso, o problema de nosso Semiárido”.

Isso posto, defendemos um novo modelo de exploração agrícola para ser implantado no Semiárido. Esse modelo deve passar, necessariamente, pela exploração racional da capacidade de suporte da região, com a utilização dos elementos biológicossolo, água, plantas xerófilas, e animais adaptados, fugindo, sempre que possível, das culturas de grãos na dependência de chuvas (culturas de sequeiro). A instabilidade climática da região é muito severa, resultando, invariavelmente, em perdas frequentes de safras.

Finalizamos essa breve análise, com uma observação feita por Mônica Silveira, repórter da Globo Nordeste, quando da realização da Série sobre a Seca de 2013, editada no mês de maio, no Recife. Numa hora em que estavam recolhendo, na caatinga, as carcaças dos animais mortos pela seca, a repórter se referia aos laticínios produzidos na fazenda Carnaúba, evidenciando a possibilidade de, mesmo em período de seca severa, se “produzir queijos finos no Semiárido, temperados com plantas nativas da Caatinga, direto da região mais seca do Brasil. Segundo ela, delicadeza e sabor para alcançar paladares de quem nem imagina o que é a luta para enfrentar tanta adversidade”.

Eco Debate

Abelhas surpreendem apicultores ao começar a produzir mel verde


Abelhas de uma colmeia na cidade de Bernin, no sul da França, começaram a produzir mel em vários tons de verde. A mudança misteriosa intrigou os apicultores. Depois de analisar a situação, o apicultor amador Maxime Favier diz acreditar que elas têm coletado açúcar de xaropes e sucos artificiais em uma fábrica que fica próxima ao local.


G1 

Pneumonia e diarreia matam 5 mil crianças por dia no mundo


As maiores causas de morte entre crianças com menos de 5 anos de idade no mundo são pneumonia e diarreia. Essas duas doenças são responsáveis por 17% e 9% das mortes nessa faixa etária, respectivamente, resultando em um total de 5 mil mortes diárias. Os dados são do Relatório de Progresso 2013 sobre o Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado hoje (13).   

A ocorrência dessas doenças, segundo o Unicef, é altamente concentrada. "São doenças dos pobres e sua distribuição é altamente concentrada, com cerca de três quartos das ocorrências de mortes por pneumonia e diarreia em apenas 15 países", informou o relatório. Para o fundo, o principal problema - e, ao mesmo tempo, a principal vantagem - é que as causas de mortalidade infantil podem ser evitadas com medidas relativamente simples, acessíveis à maioria dos países, independentemente de níveis de renda.  

No caso da pneumonia, o país que registra mais mortes pela doença é a Índia, seguida pela Nigéria, pelo Congo e o Paquistão. Os casos de diarreia estão fortemente concentrados na África, onde a maioria dos países tem mais de 10% de mortes de crianças abaixo dos 5 anos causadas pela doença. De acordo com o Unicef, a principal causa da diarreia no continente é o rotavírus - responsável por 28% dos casos.  

Outra doença considerada pelo Fundo uma das principais causas de mortalidade infantil é a malária, que mata por dia 1,2 mil crianças com menos de 5 anos - 7% do total. O foco dos casos de malária é a África Subsaariana, com destaque para a Nigéria e o Congo, com os maiores índices de mortalidade pela doença. A Tanzânia e o Benin também se destacam como países com os menores indicadores de proteção das crianças contra o mosquito transmissor - mais de três quartos delas não dormem com tela de proteção, conhecida como mosquiteiro - considerado o método mais efetivo de prevenção à doença. 
  
Fatores como complicações nos primeiros 28 dias de vida (período neonatal), desnutrição e o vírus HIV são causas apontadas também como importantes para a morte de crianças abaixo dos 5 anos. Para o Unicef, a educação da mãe, o acesso à saúde, a higiene, o saneamento básico e a imunização por meio de vacinas são mecanismos por meio dos quais pode haver redução das taxas de mortalidade.

Jornal do Brasil

Alertas de desmatamento e degradação da Floresta Amazônica aumentam 35%


O número de alertas sobre desmatamento e degradação da Floresta Amazônica aumentou em 35% entre agosto de 2012 e julho de 2013 na comparação com agosto de 2011 a julho de 2012. As imagens de satélites usadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), mostraram que, entre agosto de 2012 e julho deste ano, as áreas possivelmente devastadas chegaram a 2.766 quilômetros quadrados ao passo que, entre agosto de 2011 e julho do ano passado, a devastação ocorreu em 2.051 quilômetros quadrados.

A explicação para o aumento se deve aos meses de agosto de 2012 com 522 quilômetros quadrados de área devastada e a maio deste ano, com 465 quilômetros quadrados devastados, em decorrência da degradação, que ocorre quando há remoção parcial da floresta por uso do fogo ou por corte seletivo de árvores. Os dados do Deter incluem o corte raso, que configura o desmatamento ilegal, e ocorre quando há a retirada completa da floresta nativa em uma área.

“Tivemos um alerta de desmatamento causado pela intensificação do fogo em agosto de 2012”, disse o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Volney Zanardi Júnior. Segundo ele, o acréscimo em maio é justificado pelo fato de as nuvens terem se dissipado e, com isso, os satélites do Inpe puderam detectar a degradação dos meses anteriores.

O coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Jair Schmitt, informou que o aumento das áreas degradadas decorre das queimadas originadas por causas naturais e intencionais. “É um típico comportamento de reação à fiscalização. Ante a situação atual de monitoramento por satélite que é praticamente diário que se faz do corte raso e o aumento da fiscalização em campo, o infrator não se arrisca mais a fazer o corte raso imediatamente. Ele primeiro começa fazendo uma degradação pelo fogo. Mas o Ibama consegue interferir nesse processo antes que se converta em desmatamento ilegal”, disse.

A maior parte dos alertas identificados entre agosto do ano passado e julho deste ano representava corte raso (59%). A degradação por uso de fogo respondeu por 33% dos alertas na Amazônia Legal e por exploração florestal foi 3% dos alertas nesse período. Em 5% dos casos, as imagens apontaram um falso positivo, ou seja, algum problema técnico na captação das imagens.

Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas são os estados com áreas mais críticas detectadas pelo Deter. Mato Grosso é o campeão em áreas devastadas com 1.184 quilômetros quadrados, um aumento de 25% em relação ao período anterior, em decorrência da pecuária. No Pará, grilagem e pecuária pressionam o desmatamento ao longo do eixo da BR-163 (Cuiabá-Santarém). No Amazonas, a área preocupante, segundo o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano, é o sul do estado, que explica o aumento de 82% nos alertas de desmatamento e degradação, no eixo da Transamazônica, por pressão da pecuária.

O principal objetivo do Deter, explicou o presidente do Ibama, é identificar as áreas que estão sofrendo degradação florestal para que o governo federal possa ir a campo e evitar que as áreas degradadas sejam convertidas em corte raso e, consequentemente, em desmatamento.

“Temos duas grandes ações no momento: a Onda Verde, com ação preventiva, em que o Ibama está em campo junto com outros órgãos do governo federal para coibir a conversão de áreas degradadas em desmatamento e a Hileia Pátria, que tem como foco terras indígenas e unidades de conservação federal para coibir madeireiras ilegais”, disse Volney Zanardi.

Ainda entre agosto de 2012 e abril deste ano, o Ibama apreendeu 68 mil metros cúbicos de madeira em toras e 17 mil metros cúbicos de madeira serrada, além de 44 armas de fogo, 86 caminhões, 158 tratores e 291 motosserras. Os agentes ambientais emitiram 4 mil autos de infração, com multas que ultrapassaram R$ 1,9 bilhão. No mesmo período, mais de 252 mil hectares foram embargados.

Agência Brasil

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Desperdício de alimento é terceiro maior emissor de CO2 do mundo


A comida desperdiçada no mundo responde por mais emissões de gases causadores de efeito estufa do que qualquer país, exceto China e Estados Unidos, disse a ONU em um relatório divulgado nesta quarta-feira (11).

Todos os anos, cerca de um terço de todos os alimentos para consumo humano, aproximadamente de 1,3 bilhão de toneladas, é desperdiçado, juntamente com toda a energia, água e produtos químicos necessários para produzi-la e descartá-la.

Quase 30% das terras agrícolas do mundo, e um volume de água equivalente à vazão anual do rio Volga, são usadas em vão.

No seu relatório intitulado "A Pegada do Desperdício Alimentar", a Organização das Nações Unidas para Agricultura e a Alimentação (FAO) estima que a emissão de carbono dos alimentos desperdiçados equivale a 3,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.

Se fosse um país, seria o terceiro maior emissor do mundo, depois da China e dos Estados Unidos, sugerindo que um uso mais eficiente dos alimentos poderia contribuir substancialmente para os esforços globais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e diminuir o aquecimento global.

No mundo industrializado, a maior parte do lixo vem de consumidores que compram muito e jogam fora o que não comem. Nos países em desenvolvimento, a causa principal é a agricultura ineficiente e falta de instalações de armazenamento adequadas.

"A redução de desperdício de alimentos não só evitaria a pressão sobre recursos naturais escassos, mas também diminuiria a necessidade de aumentar a produção de alimentos em 60 por cento, a fim de atender a demanda da população em 2050", diz a FAO.

A organização sugere que se melhore a comunicação entre produtores e consumidores para gerenciar a cadeia de suprimentos de forma mais eficiente, bem como investir mais na colheita, resfriamento e métodos de embalagem.

A FAO também disse que os consumidores no mundo desenvolvido devem ser encorajados a servir pequenas porções e fazer mais uso das sobras. As empresas devem dar comida excedente para instituições de caridade, e desenvolver alternativas para o despejo de resíduos orgânicos em aterros sanitários.

A FAO estima o custo do desperdício de alimentos, excluindo os peixes e frutos do mar, em cerca de 750 bilhões de dólares por ano, com base em preços de produção.

O desperdício de alimentos consome cerca de 250 quilômetros cúbicos de água e ocupa cerca de 1,4 bilhão de hectares- grande parte de hábitat natural transformado para tornar-se arável.
  
G1 Natureza

domingo, 8 de setembro de 2013

Atividades do homem agravam eventos climáticos extremos


As mudanças climáticas provocadas pelo uso humano de combustíveis fósseis tiveram um papel em meia dúzia de eventos climáticos extremos no ano passado, informaram cientistas nesta quinta-feira.

Uma equipe de especialistas examinou 12 episódios climáticos extremos em 2012, de secas nos Estados Unidos e África a fortes chuvas em Europa, Austrália, China, Japão e Nova Zelândia.

Metade dos eventos selecionados demonstrou algum indício de terem sido piores do que o esperado, devido a elementos como água do mar ou temperaturas mais quentes, causados por emissões de gases estufa e aerossóis na atmosfera.

O relatório, intitulado 'Explicando os Eventos Extremos de 2012 de uma Perspectiva Climática' (em uma tradução livre), foi publicado no Boletim da Sociedade Meteorológica Americana. O estudo, revisto por pares, incluiu 18 temas de pesquisa de todo o mundo.

'Todos os eventos extremos de 2012 considerados neste relatório, baseados nas análises dos autores, provavelmente teriam ocorrido independentemente das mudanças climáticas', disse Thomas Karl, diretor do Centro de Dados Climáticos Nacionais da Agência Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês).

O objetivo do esforço de pesquisa é compreender se eventos extremos são propensos a ocorrer mais frequentemente no futuro e 'se a sua intensidade está mudando por causa de fatores naturais ou de mudanças causadas pelo homem', disse Karl a jornalistas.

Segundo cientistas, a influência humana no clima pode ser em parte culpada pelas fortes chuvas na Austrália e na Nova Zelândia e na seca recorde de inverno no sudoeste da Europa.

No entanto, chuvas incomuns em China e Japão, ainda que extremas, não parecem ter tido um vínculo claro com as mudanças climáticas causadas pelo homem. Nem a seca de 2012 nos Estados Unidos parece ter sido influenciada pelas mudanças climáticas, embora o mesmo grupo de cientistas tenha reportado no ano passado que um clima severamente seco a partir de 2011 parece ter sido agravado pelo aquecimento global antropogênico.

A atribuição de eventos extremos é difícil porque as mudanças climáticas podem ser um fator contribuinte, mas não o único, afirmou Tom Peterson, principal cientista do Centro de Dados Climáticos da NOAA.

Se a variabilidade natural no clima puder ser comparada a motoristas que dirigem perigosamente ou ruas escorregadias, ele considerou que pisar fundo no acelerador é como o aumento na intensidade das chuvas e no nível do mar, que são causados pelo aquecimento global.

'Nós sabemos que o mundo está esquentando e a razão principal é a queima de combustíveis fósseis', disse Peterson.

Um dos exemplos mais fortes da influência humana foi vista na incomum onda de calor registrada no leste dos Estados Unidos entre março e maio de 2012. A contribuição humana para o evento foi estimada em 35%, elevando o risco de ocorrer tão onda de calor em 12 vezes.

G1 Natureza

Maior vulcão do mundo pode ter sido encontrado no fundo do Pacífico


Uma pesquisa apresentada por cientistas de pelo menos seis universidades afirma ter identificado o maior vulcão "solitário" já registrado no planeta.

Chamado de Tamu Massif, ele faz parte de uma grande estrutura montanhosa no fundo do Oceano Pacífico, formada entre 130 e 145 milhões de anos e localizada a cerca de 1,6 mil quilômetros a leste do Japão.

O Tamu Massif tem tamanho próximo ao das ilhas da Grã-Bretanha e é quase tão grande quanto vulcões extintos de Marte, de acordo com os pesquisadores. Eles afirmam que o vulcão se formou há cerca de 145 milhões de anos e se tornou inativo alguns milhões de anos após surgir.

O estudo detalhando o vulcão foi publicado na revista científica "Nature Geoscience", nesta semana. O Tamu Massif tem cerca de 310 mil km² e é muito maior do que o Mauna Loa, no Havaí, considerado o maior vulcão ativo do mundo, que mede 5,2 mil km² aproximadamente.

"Nós demonstramos que o Tamu Massif é um imenso e solitário vulcão, formado por fluxos de lava massivos que emanam do seu centro para formar um escudo amplo e largo", dizem os cientistas na pesquisa.
Por mais de 20 anos o Tamu Massif tem sido estudado pelo professor William Sager, da Universidade de Houston. No entanto, até agora, não estava claro se ele era um conjunto de vários pontos de erupção ou um só vulcão.

Ao reunir informações de várias fontes, incluindo amostras de material do centro do vulcão e dados coletados em navios de pesquisas, os cientistas confirmaram que a grande massa basáltica que forma o Tamu Massif veio de erupções de uma só fonte.

Vulcão tipo escudo

"O Tamu Massif é o maior vulcão único tipo escudo já descoberto na Terra", disse Sager, em entrevista à Universidade de Houston. "Pode haver vulcões maiores, porque há grandes formações ígneas pelo mundo afora, como o planalto Ontong Java. Mas não sabemos se origem dessas formações é um só vulcão ou um complexo de vulcões", ponderou o pesquisador.

O Tamu Massif difere de outros vulcões submarinos não apenas pelo tamanho, mas pela sua forma. Ele é baixo e largo, o que indica que a lava de suas erupções deve ter corrido por distâncias mais longas, em comparação com outros vulcões da Terra. Há milhares de vulcões sob os mares, afirmam os cientistas.

"Ele não é alto, mas é muito extenso", afirmou Sage. "Nós sabemos que é um grande e imenso vulcão 'construído' a partir de fluxos massivos de lava. Nós não percebemos isso antes porque 'planaltos oceânicos' são formações enormes escondidas sob as águas", refletiu.

G1