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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Mais de 200 toneladas de resíduos de óleo foram retiradas no Nordeste


A origem, as causas e responsabilidades do despejo de óleo em praias do Nordeste ainda são desconhecidas. O que se sabe é que 166 praias em 72 municípios dos nove estados da região já foram afetados. Mais de 200 toneladas de resíduos oleosos (mistura de óleo e areia) foram coletadas só pela Petrobras, ou seja, sem contabilizar indivíduos e organizações voluntárias que estão fazendo o árduo trabalho de “enxugar gelo”.
Cerca de 1700 agentes ambientais contratados pela estatal estão coletando os resíduos desde 12 de setembro. Já a Marinha empregou 1.583 militares. O trabalho é realizado em conjunto ao Ibama. Análises já comprovaram que a substância trata-se de petróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado de óleo.
Entretanto, não se sabe exatamente a quantidade exata da distribuição de óleo e, pior, os órgãos só conseguem avistar o material quando ele está bem próximo da praia.
“Nós utilizamos satélites, não só brasileiros, mas também estrangeiros. Temos utilizado aeronave do Ibama com um sistema de radar. Essa aeronave percorreu e vem percorrendo todo o litoral brasileiro, sem detecção desse óleo, que vem por baixo da superfície. Ele vem de um sistema subsuperficial, está abaixo do sistema de visualização por radar”, disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na última quarta-feira (16).
O Rio Grande do Norte é o estado com mais praias atingidas, foram encontradas manchas até nos parrachos de Maracajaú: conhecido como o Caribe brasileiro. Há 60 quilômetros de Natal, a área é repleta de piscinas naturais que estão inseridas na Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais.

Fauna atingida

Os números até agora são difíceis de mensurar. O Ibama informa que 29 animais foram conhecidamente afetados, entre eles aves e tartarugas marinhas. Porém, considerando que nem todos os casos são computados pelo órgão, o número certamente é bem maior.

Só o Projeto Tamar, por exemplo, recolheu 10 filhotes mortos nas praias da Bahia desde a última sexta-feira (11). Já o Instituto Biota de Conservação registrou, na semana passada, o primeiro golfinho com manchas de óleo no litoral de Alagoas. Ao passo que o caso ganha mais atenção da mídia e da população brasileira, a atenção sobre o impacto aos animais deve aumentar.
O Projeto Tamar afirmou em nota que está monitorando intensamente as praias de Sergipe e do litoral Norte da Bahia. São “áreas consideradas prioritárias para a reprodução e conservação de três das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no litoral brasileiro: a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), e a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata)”.

Contenção

Conter o avanço das manchas sem saber sua origem é uma missão praticamente impossível. O próprio Ibama afirmou, em nota, que o uso de barreiras de contenção para reter o óleo pode não alcançar a eficácia pretendida. Veja abaixo como funcionam tais barreiras:
Barreiras de contenção são compostas por uma parte flutuante e outra submersa, chamada saia, que tem a função de conter o óleo superficial (substância com densidade menor que a da água), mas o poluente que atinge o nordeste do país se concentra em camada sub-superficial. Por essa razão, as manchas não são visualizadas em imagens de satélite, sobrevoos e monitoramentos com sensores para detecção de óleo.
Além disso, barreiras de contenção geralmente são eficazes em correntes com velocidades de até um nó, o equivalente a uma milha náutica por hora. A vazão dos rios é muito superior a essa capacidade.
O Ibama também ressalta que, apesar de ser recomendado instalar barreiras em águas calmas, como manguezais, se estas mesmas áreas já estiverem contaminadas a estrutura impede a limpeza natural do ambiente, ou seja, além de não ajudar ainda atrapalha.

De quem é a culpa?

 que se afirma, até agora, é que o óleo encontrado não é produzido no Brasil e não foi comercializado ou fruto de operações da Petrobras. Já há análises apontando que material seja de origem venezuelana. A Marinha continua investigando a origem das manchas de óleo, enquanto a Polícia Federal realiza a investigação criminal.

O que fazer

Para quem mora ou está em uma região afetada é importante evitar nadar ou praticar esportes aquáticos e não entrar em contato com a substância – caso aconteça sem querer, buscar a unidade de saúde. Também é importante notificar a prefeitura da cidade sobre os resíduos, inclusive se encontrar um animal coberto por óleo: alguns moradores ao se deparar com a situação lavam o animal por conta própria e devolvem-o para o mar, o que não é recomendado.
Fonte: Ciclo Vivo

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Teste mal conduzido espalha praga e dá prejuízo a produtores no Nordeste


O Jornal Nacional vai exibir, nesta semana, uma série de reportagens especiais sobre prejuízos que o Brasil sofre por causa de pragas. O que elas têm em comum é o fato de que não existiam, por aqui. Foram trazidas de outros países. Na primeira reportagem, Tonico Ferreira mostra duas delas - que prejudicam a criação de gado em diferentes estados brasileiros.

O bicho é pequeno, mas agressivo e altamente reprodutivo. Ataca os bois em grandes colônias. “Num local como esse aqui, a gente encontra mais de mil carrapatos. com certeza”, aponta um especialista.

A fêmea produz até 4 mil ovos e a fertilidade é de 98%. O carrapato do boi veio da Índia. O gado de raça européia, importante na produção não só de carne, mas, sobretudo de leite, é o mais sensível ao parasita.

É um problema essencialmente econômico para o país. O prejuízo que ele traz tanto pela queda na produção de carne, leite e transmissão de doenças quanto pelo custo das medidas de controle é de quase R$ 6 bilhões por ano.

Novos métodos de combate ao carrapato são testados em uma fazenda experimental em Minas Gerais. É um passo importante. Mas, quem conhece o problema a fundo, diz que é preciso um esforço coletivo.

“Quando não existe uma política pública, a coisa fica por conta do interessado particular. E isso leva a muitos erros. Hoje, um dos grandes problemas que a gente ter essa política pública, é que cada um faz como consegue”, ressalta Romário Cerqueira Leite, prof. de doenças parasitárias – UFMG.

A Embrapa, no entanto, reclama da falta de interesse de muitos produtores. O laboratório em Juiz de Fora, Minas Gerais, que recebe amostras de carrapato e testa os melhores produtos para combater o parasita, está com capacidade ociosa.

“Não temos política pública, mas temos um serviço gratuito que a Embrapa oferece a todos os produtores. E nós temos recebido em torno de mil amostras por ano e temos capacidade de realizar mais de 6 mil por ano”, afirmou Rui da Silva Verneque, pesquisador da Embrapa.

Pequenos produtores de leite são os mais prejudicados. Sergio da Silva, por exemplo, tirava 270 litros de leite por dia antes do carrapato atacar. Agora, consegue apenas 180 litros. Somando os gastos com o controle do carrapato, ele calcula que deixa de ganhar mil reais por mês.

“É um inimigo que a gente está tendo que buscar força pra poder vencer, porque está difícil”, declarou Regino Sérgio da Silva, produtor de leite.

Criadores de gado do Nordeste também estão tendo prejuízos por causa de outra espécie invasora.

No Nordeste uma praga está atacando uma planta que é um dos principais recursos que o criador de gado tem para alimentar os rebanhos nos períodos de estiagem prolongada. E esta região passa por uma seca que vem desde o ano passado.

Há mais de 100 anos a palma forrageira, que veio do México, é alimento para o gado no semiárido nordestino. Recentemente foi atacada pela cochonilha. Esse inseto é conhecido por produzir um corante natural vermelho, o carmim. A fonte da infestação foi um teste para produção comercial desse corante.


O experimento foi mal conduzido, houve perda de controle e cochonilha se espalhou por plantações de palma em Pernambuco e Paraíba. É fácil identificar o ataque do inseto. Ele forma colônias em flocos brancos. A cochonilha suga a selva e provoca a morte da planta.

João Vieira de Andrade, produtor familiar, levou um susto. “O povo aqui não acreditava que a cochonilha mataria essa palma. Trinta, 40 anos que nós vivemos por aqui e nunca viu doença em palma. Aí ela chegou de vez assim”, contou o produtor de leite.  

Com 20 vacas leiteiras, ficou sem água, sem pasto e sem palma, teve de pegar um empréstimo. “O financiamento nós fizemos pra dar de comer aos animais. Os animais comeram o financiamento todo. E agora, como pago o banco?”, lamentou. 

João ficou também sem ter como sustentar a família. “É difícil o negócio”, lamenta. Ele vendeu as vacas, deve R$ 32 mil para o banco e agora trabalha nas fazendas vizinhas fazendo bico.

Agrônomos estão tentando controlar a praga, com variedades de palma resistentes à cochonilha do carmim.
“Aqui estamos diante de duas variedades. A variedade resistente, que é a variedade miúda, que você vê que ela não tem ataque da cochonilha, e aqui a variedade suscetível que é gigante. Vocês vejam o nível de ataque como está aqui. Mesmo estando plantada há três anos, ela junto aqui, ela não repassa a cochonilha para esta outra”, explica Djalma Cordeiro, agrônomo.

Com esse novo horizonte, João pensa em voltar a fazer o que sabe: criar gado e produzir leite.

Jornal Nacional