domingo, 2 de novembro de 2014

Novo estudo liga desmatamento da Amazônia a seca no país


O pesquisador Antônio Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), braço do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisou mais de 200 artigos científicos sobre a Amazônia e sua relação com o clima e as chuvas no Brasil, e concluiu que o desmatamento dessa região influencia a falta de água sentida nas regiões mais populosas do país, incluindo o Sudeste.

A diminuição da quantidade de árvores no bioma impede o fluxo de umidade entre o Norte e o Sul do país, aponta o estudo divulgado nesta quinta-feira (30).

O relatório “O Futuro Climático da Amazônia”, encomendado pela Articulação Regional Amazônia, rede composta por várias associações sul-americanas, tenta explicar as possíveis causas e efeitos da bagunça climática recente e apresenta soluções que minimizariam os impactos negativos dessas alterações.

De acordo com o pesquisador, a falta de precipitação, sentida principalmente no Sudeste, em especial no estado de São Paulo, seria consequência indireta do desflorestamento amazônico. Desde o início da década de 1970 até 2013, a exploração madeireira e o desmatamento gradual retiraram do bioma 762.979 km² de floresta, área equivalente a duas Alemanhas. Os dados referem-se ao desmate total (chamado de corte raso).

A retirada da cobertura vegetal interrompe o fluxo de umidade do solo para a atmosfera. Desta forma, os “rios voadores”, nome dado a grandes nuvens de umidade, responsáveis pelas chuvas, que são transportadas pelos ventos desde a Amazônia até o Centro-Oeste, Sul e Sudeste brasileiros, não “seguem viagem”, causando a escassez hídrica.

“A estação seca está se estendendo por maior tempo nas regiões mais desmatadas e as nuvens de chuva dos rios aéreos não estão chegando, a partir da floresta ainda existente, em áreas que anteriormente chegavam. Esse efeito tem conexão direta com o desmatamento”, disse Nobre ao G1. "As regiões mais desmatadas são a saída dos rios aéreos da Amazônia para o resto da América do Sul Meridional", complementou.

Segundo a investigação, por dia, a Amazônia libera na atmosfera 20 trilhões de litros de água transpirada. Nobre compara a força das árvores aos gêiseres, nascentes termais que lançam periodicamente jatos de água quente para o alto. Essa transpiração, segundo o estudo, torna ainda mais valiosa a floresta (além da sua vasta biodiversidade).

Tendência de mais desmatamento

Uma das soluções apresentadas pela pesquisa para evitar a descontinuidade no fluxo de umidade, e, desta forma, reduzir o agravamento da seca no Brasil, é zerar o desmatamento na Amazônia. No entanto, isso parece longe de acontecer.

Levantamento apresentado este mês pela organização Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou aumento de 191% no desmate da floresta em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013.

Apesar de o dado ser paralelo ao divulgado pelo governo, que usa os sistemas Deter e Prodes, as informações mais atualizadas do próprio Deter, referentes a junho e julho, apontaram aumento de 195% na perda de vegetação na comparação desses períodos entre 2014 e 2013.

Outro ponto alarmante é que o Brasil não assinou na Cúpula do Clima, realizada pelas Nações Unidas em setembro, um acordo criado para reduzir pela metade a perda de florestas até 2020 e zerá-la até 2030.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse na ocasião que o país não foi “convidado a se engajar no processo de preparação” da declaração. Em vez disso, segundo ela, o país recebeu uma cópia do texto da ONU, que pediu para aprová-lo sem a permissão de sugerir qualquer alteração. O Itamaraty acrescentou que o documento não é da ONU, mas dos países que o assinaram, e que o texto necessitava de melhorias, por isso o Brasil optou por não assinar.

Nobre acredita que o governo brasileiro, ao não assinar a declaração das florestas, desconhecia os termos presentes no atual relatório e tem “a esperança de que tais argumentos serão absorvidos pelos negociadores".

No trabalho, ele cita outras soluções para reverter a situação de crise na Amazônia e suas consequências drásticas: popularizar os fatos científicos que explicam a importância do bioma para o clima; reduzir as queimadas que atingem a região; recuperar as áreas desmatadas com replantio de novas florestas; e contar com "esforços de guerra" do governo e da sociedade para financiar ações de preservação e conter o avanço da degradação.

“O diagnóstico é muito sério, as ameaças são reais e as soluções ainda estão ao alcance para reverter este quadro”, finaliza o pesquisador.

G1


Maior aranha do mundo mede 30 centímetros e pode ter o peso de um filhote de cão


Um entomologista e fotógrafo do Museu de Zoologia Comparativa da Universidade de Harvard deu de cara com o maior pesadelo de muita gente enquanto fazia uma caminhada norturna por uma floresta tropical na Guiana: a maior aranha do mundo. 

Piotr Naskrecki conta em seu blog que ouviu um farfalhar do chão da floresta, e, ao ligar a lanterna, descobriu que tinha companhia em sua caminhada noturna, uma Goliath Birdeater da América do Sul, uma aranha cujas pernas podem chegar a 30cm, ligadas a um corpo do tamanho de um “punho grande”. Essas aranhas podem pesar até 200g, sendo tão pesadas quanto um filhote de cachorro pequeno, segundo o cientista.

A animal ainda faz um ruído aterrorizante quando caminha. Suas patas têm “garras duras que produzem um som muito peculiar, como estalos, não muito diferente de cascos de um cavalo batendo no chão”, descreveu o entomologista em seu relato. Por causa de seu tamanho, a Goliath Birdeater (“comedora de pássaros”, em tradução livre) é, provavelmente, a única aranha do mundo que pode ser ouvida ao andar.


Apesar do nome, o cientista explicou que as aves não são uma refeição normal para a espécie Theraphosa blondi, que prefere se alimentar do que encontra no chão da floresta, incluindo insetos, minhocas e rãs. Ainda assim, se ela encontrar um ninho caído no chão, por exemplo, poderia matar todos os passarinhos contidos nele. Sua força tem a capacidade de matar um pequeno mamífero, injetando um veneno através de dentes que podem chegar a 2cm de comprimento.
 
“Elas essencialmente atacam qualquer coisa que encontram”, escreveu Naskrecki.

Assim que avistou o animal, Naskrecki achou que estava vendo um gambá. Para analisá-lo melhor, ele se aproximou, o que acabou sendo um erro.

“Toda vez que eu me aproximava da aranha, ela fazia três coisas. Primeiro, ela começava a esfregar suas pernas em seu abdômem peludo. ‘Ah, que fofo!’, eu pensei da primeira vez que vi a forma adorável como ela se comportava... Até que uma nuvem de cabelos que dão urticária atingiu meus olhos e me fez coçá-los e chorar por vários dias”, relatou o pesquisador. “Como se isso não fosse suficiente, o aracnídeo abaixava suas patas dianteiras e abria suas enormes presas, capazes de perfurar o crânio de um rato, e tentava me espetar com seus instrumentos pontudos”.

Quando são surpreendidas ou ameaçadas, essas aranhas, membros da família tarântula, ou Theraphosidae, podem emitir um ruído de assobio alto, esfregando suas pernas umas nas outras, cobertas por pelos com ganchos microscópicos.


O nome popular do aracnídeo, embora impreciso, tem sido usado desde que foi encontrada uma gravura do século XVIII que retrata um deles comendo um beija-flor.

As fêmeas podem viver por 15 a 25 anos, mas os machos morrem logo após atingirem a maturidade e só vivem por cerca de 3 a 6 anos. E, às vezes, as fêmeas comem seus companheiros.

Essas aranhas gigantes vivem em tocas, são animais noturnos e encontrados em florestas tropicais da Guiana, Suriname, Sul da Venezuela e Norte do Brasil. No entanto, elas são raras e não costumam ser vistas por humanos, como ressaltou Naskrecki. 
 
“Eu venho trabalhando nos trópicos da América do Sul há muitos e muitos anos, e nos últimos 10 a 15 anos, eu só encontrei uma aranha dessa espécie três vezes”, disse ele.

O Globo

sábado, 11 de outubro de 2014

Acidificação dos oceanos cresce 26% nos últimos 200 anos, diz relatório


O pH dos oceanos aumentou 26% em média nos últimos 200 anos, ao absorver mais de um quarto das emissões de CO2 geradas pela atividade humana, adverte um relatório publicado nesta quarta-feira (8), em Seul.

Pesquisadores ligados à Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) analisaram centenas de estudos existentes sobre este fenômeno para redigir o documento que apresentaram em Pyeongchang (Coreia) por ocasião da 12ª reunião da convenção das Nações Unidas sobre a proteção da biodiversidade.

O relatório destaca a gravidade do fenômeno, que apresenta uma rapidez sem precedentes e um impacto muito variado, que seguirá aumentando nas próximas décadas. "É inevitável que entre 50 e 100 anos as emissões antropogênicas de dióxido de carbono elevem a acidez dos oceanos a níveis que terão um impacto enorme, quase sempre negativo, sobre os organismos marinhos e os ecossistemas, assim como sobre os bens e serviços que proporcionam", destacam os cientistas.

A acidez dos oceanos varia naturalmente ao longo do dia, das estações, do local e da região, mas também em função da profundidade da água. "Os ecossistemas das costas sofrem uma maior variabilidade do que os que estão em alto mar", destacam os pesquisadores.

Alguns trabalhos revelam que a fertilização de certas espécies é muito sensível à acidificação dos oceanos, enquanto outras são mais tolerantes.

Os corais, moluscos e equinodermos (estrelas do mar, oriços e pepinos do mar, por exemplo) estão particularmente afetados por esta mudança, que reduz seu ritmo de crescimento e sua taxa de sobrevivência, mas algumas algas e microalgas podem se beneficiar, do mesmo modo que alguns tipos de fitoplânctons.

O relatório destaca o impacto sócio-econômico já visível em algumas regiões do mundo: na aquicultura do noroeste dos Estados Unidos e na criação de ostras.

Os riscos para as barreiras de coral nas zonas tropicais também são uma "enorme preocupação, já que envolvem a subsistência de 100 milhões de pessoas, que dependem destes habitats".

Segundo os pesquisadores, "apenas a redução das emissões de CO2 permitirá deter o problema".

G1 Natureza

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mundo está fracassando nas metas para 2020 de proteção da natureza


Governos estão fracassando no cumprimento de metas para proteger animais e plantas sob um plano estabelecido para a biodiversidade até 2020, o qual também busca aumentar o abastecimento alimentar e desacelerar a mudança climática, mostrou um relatório da Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira.

Muitas espécies raras enfrentam um crescente risco de extinção, florestas estão sendo desmatadas por fazendeiros a uma taxa alarmante, e a poluição e a pesca excessiva continuam, apesar de um esforço da ONU, definido em acordo em 2010, para reverter as tendências prejudiciais para a natureza.

“Tem havido um aumento no esforço (pelos governos)… mas isso não será suficiente para se alcançar as metas”, disse Bráulio de Souza dias, secretário-executivo da Convenção de Diversidade Biológica (CDB), à Reuters, citando o relatório de progresso sobre o tema.

No geral, o relatório da Previsão para a Biodiversidade Global, divulgado no começo de um encontro sobre o tema na Coreia do Sul, nesta segunda-feira, mostrou que apenas cinco das 53 metas estabelecidas para se preservar a natureza estavam dentro da meta ou à frente do itinerário. As outras 48 estavam para trás.

Os governos estão no caminho certo, por exemplo, em relação a uma meta que estabelece 17 por cento da área terrestre mundial até 2020 como áreas protegidas para a vida marítima, tais como parques ou reservas.
Mas estavam para trás em metas como cortar pela metade a taxa de perda de habitats naturais, ou de prevenir extinções de espécies conhecidas ameaçadas.

“Apesar de histórias individuais de sucesso, o risco médio de extinção para pássaros, mamíferos e anfíbios ainda cresce”, disse o relatório, acrescentando que a biodiversidade significa mais do que campanhas para salvar orangotangos, ursos polares ou sapos raros.

Pedindo que os governos redobrem os esforços, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o sucesso na preservação da vida no planeta ajudaria nas metas de “eliminar a pobreza, melhorar a saúde humana e fornecer energia, alimentos e água potável para todos”.

Outros relatórios da ONU estimaram, por exemplo, que a polinização por insetos - amplamente feita por abelhas - vale cerca de 190 bilhões de dólares por ano ao assegurar a produção da alimentos.

O relatório de segunda-feira estimou que o mundo precisaria gastar entre US$ 150 bilhões e US$ 440 bilhões por ano para alcançar as metas de 2020.

Reuters

Surgimento de outros casos de Ebola na Europa é 'inevitável', diz OMS


Mais casos do vírus Ebola vão se espalhar quase que inevitavelmente pela Europa, mas o continente está bem preparado para controlar a doença, disse nesta terça-feira a diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em entrevista à agência de notícias Reuters poucas horas após o primeiro caso de contágio local de Ebola ser confirmado na Europa, em uma enfermeira na Espanha, a diretora da OMS para Europa, Zsuzsanna Jakab, disse que mais incidentes do tipo são "inevitáveis".

Autoridades de saúde espanholas disseram que três pessoas foram hospitalizadas, além da enfermeira, para tentar conter uma maior disseminação do Ebola, após o primeiro caso de uma pessoa a contrair o vírus fora da África.

"Tais casos importados e eventos similares ao que aconteceu na Espanha também vão acontecer no futuro, muito provavelmente", disse Jakab à Reuters em entrevista por telefone de seu gabinete em Copenhague.
"É algo bastante inevitável... que tais eventos ocorram no futuro, por causa do grande número de viagens tanto da Europa para os países afetados como no sentido inverso", disse.

Vários países na região europeia da OMS, incluindo França, Grã-Bretanha, Holanda, Noruega e Espanha, trataram pacientes repatriados após contraírem o Ebola na África Ocidental, onde a doença tem se espalhado por Guiné, Serra Leoa e Libéria desde março, matando mais de 3,4 mil pessoas no maior surto da doença já registrado.

Jakab disse que os funcionários de saúde destacados para cuidar dos pacientes, assim como seus familiares e pessoas próximas, eram os que tinham maior risco de serem infectados.

"Vai acontecer", disse. "Mas a coisa mais importante em nosso ver é que a Europa ainda se encontra em risco baixo e que a parte ocidental da região europeia em particular é a mais bem preparada do mundo para responder a febres virais hemorrágicas, incluindo o Ebola", afirmou.

G1

sábado, 4 de outubro de 2014

Canadá terá 1ª usina de captura de carbono em larga escala do mundo


A primeira planta em larga escala de captura e armazenamento de carbono do mundo, construída em uma termelétrica a carvão no Canadá, será inaugurada na quinta-feira (2). Se for bem-sucedido, o projeto piloto, de CAD$ 1,4 bilhão (US$ 1,25 bilhão) poderá renovar o interesse no uso de carvão para a geração de energia, em um momento em que vários países buscam desativar as térmicas a carvão - uma das principais fontes de emissão de gases causadores do efeito estufa, associadas com o aquecimento global.

A inauguração da planta, em Estevan, na província de Saskatchewan, é "um ponto significativo" na história do desenvolvimento das tecnologias de captura e armazenamento de carbono, informou em um comunicado a diretora da Agência Internacional de Energia (AIE), Maria van der Hoeven.

Essas tecnologias nascentes permitem capturar o dióxido de carbono (CO2), resultante da combustão de combustíveis fósseis ou de processos industriais, e possibilitam seu armazenamento subterrâneo. "A experiência nesse projeto será criticamente importante", afirmou van der Hoeven.

"Desejo ao operador da planta muito sucesso em demonstrar ao mundo que a captura de CO2 de uma usina geradora de energia em larga escala na verdade não é ficção científica, mas realidade atual', acrescentou.

A AIE prevê que a captura e o armazenamento de carbono responderão por um sexto das reduções de emissões globais até 2050. Sem a tecnologia, a agência informou que dois terços das reservas comprovadas de petróleo não poderão ser comercializadas.

O carvão não renovável é usado para gerar 40% da eletricidade do mundo, segundo a SaskPower. A usina tem três térmicas a carvão, que geram quase metade da energia usada na província canadense, assim como 70% de suas emissões de gases provocadores do efeito estufa.

A SaskPower reparou sua antiga represa Boundary para produzir mais de 110 megawattss de energia limpa, capturando ao mesmo tempo um milhão de toneladas ao ano de dióxido de carbono.

G1 Natureza

Atividade humana ameaça jazida de pegadas pré-históricas na Bolívia


Um morro íngreme no sudeste da Bolívia guarda mais de 5 mil pegadas de animais, algumas de até um metro, que datam de mais de 65 milhões de anos. Mas esse tesouro paleontológico está ameaçado pela atividade humana.

O morro, chamado Cal Orcko (montanha de cal, em quéchua), é uma das maiores jazidas de fósseis de pegadas do mundo. Fica nos arredores da cidade de Sucre, no sudeste dos vales bolivianos.

Na esplanada de terra, é possível ver fileiras de pegadas em diferentes direções. Os diâmetros variam em tamanho, e as formas revelam o contorno das patas, sobretudo, de saurópodes, tiranossauros, terópodes, ornitópodes e anquilossauros.

Ao todo, há 5.055 pegadas individuais de animais de pelo menos oito espécies diferentes e 462 rastros contínuos, ou seja, sequências de pegadas.

"Como jazida paleontológica de pegadas, Cal Orcko é uma das maiores do mundo", afirmou o cientista boliviano Omar Medina, integrante da Sociedade Científica Universitária de Paleontologia (Sociupa).

O local recebe 120 mil visitas ao ano.

"É a maior jazida paleontológica do mundo e, para mim, é o máximo. Os turistas vão embora alucinados, surpresos", contou o morador Juan Carlos Molina.

Perto desse sítio natural, fica a fábrica de cimento Fancesa, que retira calcário da pedreira vizinha, ininterruptamente. Os donos da empresa são o governo regional, a prefeitura da cidade e a universidade estadual local.

"O precipício foi bastante afetado, porque foram muitos anos de trabalho tirando matéria-prima", explicou à AFP Elizabeth Baldivieso, administradora do Parque Cretáceo, fundação privada que cuida do local.

Segundo Elizabeth, uma parte norte da região está em perigo, enquanto a parte sul será protegida.
Já o secretário de Turismo e Cultura do Governo de Chuquisaca, Juan José Padilla, disse à AFP que essa é "uma visão um pouco alarmista do tema", alegando que Fancesa se comprometeu a apoiar a preservação do local.

Os vestígios registrados em Cal Orcko são maiores do que os existentes em outras reservas, como Lark Quarry (Austrália), Yanguoxia (China) e Altamira (Espanha), de acordo com uma pesquisa feita pelo Parque Cretáceo.

Pegadas em uma superfície quase vertical

Curiosamente, as pegadas registradas nesta montanha de cal, com 1,5 km de extensão e 110 metros de altitude, estão sobre uma rocha com 72 graus de inclinação.

A presença desses rastros em uma superfície quase vertical é um fenômeno que sempre desperta a curiosidade dos visitantes, contou Medina, mas a explicação é o movimento das placas submarinas.

"Uma vez que os dinossauros se extinguem no Terciário, nosso planeta começa a sofrer grandes movimentos orogênicos, movimentos de placas tectônicas, de deslizamento de continentes, e as placas marinhas começam a provocar aqui uma espécie de efeito sanfona", afirmou o especialista.

Em outras palavras, até 65 milhões de anos atrás, ao final do Cretáceo, esse morro era uma lagoa, habitada por diferentes espécies que deixaram suas pegadas no barro. O espaço aquífero secou, as marcas foram seladas e, finalmente, os movimentos orogênicos colocaram a planície em posição quase vertical.

A visualização das marcas começou em meados da década de 1990, pela própria ação do tempo, da chuva e da erosão. Além disso, parte do morro ficou descoberto depois que a fábrica Fancesa começou a explorar a pedreira de calcário.

Em 2009, a Bolívia inscreveu Cal Orcko na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como patrimônio natural da humanidade. A entidade recusou o pedido, justamente em observação às políticas de preservação.

Após as objeções, o projeto será reformulado e apresentado novamente ao órgão em 2015.

G1