sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Brasil polui como país desenvolvido, diz pesquisador do IPCC


O desmatamento deixou de ser a principal causa de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, que passou a ter como principal fonte de emissão a queima de combustível fóssil, poluindo "como um país desenvolvido”, segundo avaliação do pesquisador peruano José Marengo, representante latino-americano no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês). Ele é professor de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foi indicado pelo Brasil para o programa de monitoramento do clima.
 
De acordo com o pesquisador, o inventário de emissão de gases de efeito estufa de 2010, lançado em 2013 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostra que houve a inversão do tipo de poluição predominante no Brasil em comparação ao relatório anterior, de 2004.

“Desde 2008, talvez um pouquinho antes, a taxa de desmatamento na Amazônia diminuiu bastante, mas a frota de veículos aumentou. A agricultura também tem melhorado um pouco, mas ainda contribui, principalmente [a cultura de arroz], para a emissão de metano, a mineração contribui, tem as termelétricas. O que basicamente coloca o Brasil como país poluidor tipo primeiro mundo é mais a queima de combustíveis fósseis, e aqui no Brasil são basicamente termelétricas, de qualquer tecnologia, e também a frota veicular”.
 
Para ele, apesar da diminuição no desmatamento, a situação ainda é preocupante. “Sempre criticamos os países desenvolvidos por isso [queima de combustível fóssil]. Obviamente, se nós tivéssemos um sistema de transporte massivo, confiável, confortável, as pessoas deixariam os carros em casa. Mas se vocês querem tomar o metrô em São Paulo, no Rio, em uma certa hora do dia, é uma humilhação. Se você vai de bicicleta, te atropelam. Então, isso tem que mudar, a única forma é favorecer o transporte público, decente, para que as pessoas deixem o carro em casa”.

Marengo lembra que o IPCC não trabalha com o tempo geológico, que estuda os grandes ciclos do planeta, e já provou que houve eras de aquecimento e resfriamento da Terra sem a interferência humana. As análises são de um período de 200 anos e mostram que as causas naturais do aquecimento são de longo prazo e levam a variações pequenas, enquanto a intervenção humana é de curto prazo e tem ação “superrápida”.
“A única forma [de evitar um aquecimento maior] é reduzir a emissão de gases de efeito estufa, diminuindo por exemplo a frota de veículos, [aumentar as] energias renováveis, solar, eólica, biomassa, redução no consumo de termelétricas, obviamente não podemos fechar, zerar a contribuição de gases de queima de combustíveis fósseis, o ideal é misturar um e colocar outras fontes, obviamente isso pode ter um custo elevado. Medidas de mitigação são caras”.

As projeções mais otimistas estimam que a temperatura média do planeta vai subir cerca de 1,5 grau Celsius (ºC) até 2100. No caso das emissões de gases do efeito estufa, o aumento pode chegar até a 4°C.

Marengo apresentou hoje (8) um resumo do relatório do Grupo de Trabalho 1 do IPCC, lançado no fim de setembro em Estocolmo, na Suécia, com as análises dos aspectos físicos e científicos dos sistemas e das mudanças climáticas. O Grupo de Trabalho 2 faz a análise sócio econômica dos impactos das mudanças climáticas e tem previsão de lançar o relatório em março de 2014 em Yokohama, no Japão. O Grupo 3 vai apresentar os resultados dos estudos sobre mitigação e opções para redução da emissão dos gases de efeito estufa em abril de 2014, em Berlim, na Alemanha. Além dos três relatórios setoriais, também está previsto o lançamento do relatório de síntese em outubro de 2014 em Copenhague, na Dinamarca. Este é o quinto relatório produzido pelo grupo, criado pela Organização das Nações Unidas.

Agência Brasil

Mais de 2 mil políticos são flagrados recebendo o Bolsa Família


O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) flagrou, por meio de um levantamento, 2.168 políticos eleitos que teriam recebido dinheiro do Bolsa Família, do governo federal.  De acordo com a pasta, o motivo do cruzamento de dados foi “garantir a qualidade das informações cadastrais e, consequentemente, a focalização do Bolsa Família”. Para isso, foi feito o cruzamento da folha de pagamento do programa de transferência de renda com a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um decreto de 2004, proíbe qualquer político eleito e empossado de receber os benefícios do Bolsa Família. Quem foi flagrado neste ato, teve o benefício bloqueado em fevereiro de 2013. Após o bloqueio, o ministério enviou às prefeituras um questionário com perguntas relativas à situação dos políticos identificados.

A lei que versa sobre o tema diz que “será obrigado a efetuar o ressarcimento da importância recebida o beneficiário que dolosamente tenha prestado informações falsas ou utilizado qualquer outro meio ilícito, a fim de indevidamente ingressar ou se manter como beneficiário do Programa Bolsa Família”.   

Como o bloqueio do pagamento do Bolsa Família dos 2.168 beneficiários que foram confirmados como políticos eleitos ocorreu no mês de fevereiro de 2013, o único pagamento recebido foi do mês de janeiro deste ano.

Jornal do Brasil

Americano é contaminado por bactéria em praia e morre em 60 horas


O casal Henry e Patty Konietzky foram caçar caranguejos na praia de Ormond, na Flórida, no dia 22 de setembro e ele voltou com uma lesão no tornozelo que pensaram ser uma simples picada de inseto, como informa a agência AP. No entanto, ele desenvolveu uma ferida e, depois, se confirmou que ele estava contaminado com a bactéria Vibrio vulnificus, encontrada em águas costeiras.

Essa bactéria, segundo informações dos Institutos Nacionais de dos EUA Saúde (NIH, na sigla em inglês), é um organismo virulento que causa infecções severeas em pessoas saudáveis. No caso de Henry, a bactéria se espalhou rapidamente pelo corpo, e ele morreu em 60 horas (dois dias e meio).

G1 Saúde

Um planeta boiando pelo espaço


Quando eu era mais novo e começava a me interessar por astronomia, as coisas eram bem mais simples. Estrelas eram gigantescas bolas de gás incandescentes, produzindo sua própria luz. Do mesmo disco em que as estrelas se formavam, planetas poderiam se formar, dando origem a sistemas planetários. Sem massa suficiente para iniciar a reação de fusão nuclear em seu interior, planetas estariam sempre associados a estrelas, refletindo sua luz no espaço.

Mas as coisas mudaram muito de lá para cá e ficaram mais complicadas, mas, principalmente, mais interessantes!

Primeiro que planetas começaram a pipocar ao redor de vários tipos de estrelas, desde estrelas quentes e jovens até estrelas mortas como pulsares. Planetas rochosos, gasosos, pequenos ou grandes foram sendo descobertos a partir da melhoria dos equipamentos e das técnicas de observação. Hoje já são mais de 700 confirmados e mais de 3 mil candidatos! Em segundo lugar, bem, aí vem o mais estranho.

Nesta semana, uma equipe da Universidade do Havaí anunciou a descoberta de um planeta vagando solitário pelo espaço. Esse objeto, chamado de PSO J3218.5-22 (PSO para os íntimos) foi encontrado na constelação de Capricórnio, em um esforço observacional para se detectar anãs marrons, um tipo de estrela que não conseguiu acumular matéria o suficiente para iniciar o processo de fusão nuclear. Apesar disso, as anãs marrons produzem radiação infravermelha, por causa da dinâmica de seus gases. O objeto PSO surgiu justamente dos catálogos produzidos na busca desse tipo de estrela. Aliás, esses catálogos têm, até agora, um tamanho de 4 mil Terabytes, mais que a soma de todos os livros já publicados, do que todos os filmes feitos e de todas as músicas já escritas!

Depois de detectado, esse objeto foi acompanhado por 2 anos seguidos, com observações precisas que permitiram deduzir que sua distância é de 80 anos luz apenas. Além disso, pelo seu movimento próprio, a equipe liderada por Michael Liu conseguiu deduzir que o PSO pertence a um conjunto de estrelas conhecido como “grupo móvel de Beta Pictoris”, que teria se formado há 12 milhões de anos.

Ninguém sabe ao certo como esse planeta teria se formado, a primeira hipótese é ele teria sido formado junto com as estrelas desse grupo e, por interações gravitacionais mútuas, teria sido “estilingado” do sistema. Essa hipótese encontra resistência por que o PSO tem 12 milhões de anos também.

Outra ideia é que o planeta tenha se formado a partir do colapso de uma nuvem de gás, tal qual o processo de formação de uma estrela, mas em escala menor. Apesar de a ideia ser um tanto estranha, isso já foi observado, pelo menos uma vez, é o caso de OTS44. Esse objeto está cercado por uma nuvem e é possível observar gás caindo em direção a ele. OTS44 tem, no máximo, 2 milhões de anos apenas e estaria ainda em processo de acúmulo de matéria.

Esses dois objetos são considerados planetas, mas tem gente que torce o nariz. Planetas se formam e, ao menos em princípio, se mantêm ao redor de estrelas. O processo de formação através do colapso de uma nuvem é a descrição do processo de formação de estrelas. Em termos de massa, há um consenso, não muito firme, de que objetos com mais de 12 vezes a massa de Júpiter deveriam ser considerados estrelas, apesar de alguns catálogos listarem planetas com 24 vezes a massa de Júpiter. OTS44 tem massa de estrela (12 massas de Júpiter) e se forma como estrela, mas ainda assim é considerado planeta. Já PSO tem apenas 6 massas de Júpiter, o que o deixa definitivamente na classe de planetas. Se ele se formou como OTS44 está se formando, então as teorias de formação de planetas vão precisar de uma boa revisão.

Além de ser um caso interessante, PSO deve ser o planeta solitário menos massivo conhecido até agora, sua descoberta abre excelentes perspectivas para o estudo de exoplanetas. Obter uma imagem de um exoplaneta é muito difícil, pois o brilho da estrela é muito maior, o que o ofusca. Estudos da atmosfera dos exoplanetas descobertos até agora foram feitos de forma indireta. Agora, a descoberta de PSO nos dá a oportunidade de estudar não só a composição química, mas também a dinâmica de atmosferas dos exoplanetas de maneira direta.

G1

Crédito da imagem: MPIA / V. Ch. Quetz

sábado, 5 de outubro de 2013

Ecossistema marinho está ameaçado por 'combinação mortal', diz estudo


Os oceanos do mundo estão diante de uma ameaça maior do que se supunha anteriormente, proveniente de um "trio mortal" composto por aquecimento global, nível de oxigênio em declínio e acidificação, informou um estudo internacional divulgado nesta quinta-feira (3).

"Os riscos ao oceano e aos ecossistemas que ele apoia vêm sendo subestimados de forma significativa", segundo o Programa Internacional sobre o Estado do Oceano (Ipso, na sigla em inglês), um grupo não governamental de cientistas.

"A escala e a velocidade da perturbação de carbono atual, e a resultante acidificação do oceano, são inéditas na história conhecida da Terra", segundo o relatório feito com a União Internacional para a Conservação da Natureza.

Os oceanos estão se aquecendo por causa do calor resultante do acúmulo de gases do efeito-estufa na atmosfera. Fertilizantes e esgoto que vão parar nos mares podem provocar a proliferação de algas, reduzindo os níveis de oxigênio nas águas.

E o dióxido de carbono no ar pode formar um ácido fraco quando reage com a água do mar. "O ‘trio mortal' de acidificação, aquecimento e desoxigenação está afetando gravemente a produtividade e a eficiência do oceano", diz o estudo.

Alex Rogers, da Universidade de Oxford, diretor científico do Ipso, disse que os cientistas estavam descobrindo que as ameaças aos oceanos, dos impactos de carbono à pesca predatória, estavam se misturando. "Estamos vendo impactos em todo o mundo", ele disse.

Extinções

Condições atuais nos oceanos eram similares às de 55 milhões de anos atrás, conhecidas como máximo térmico Paleoceno-Eoceno, que levaram a extinções em massa. Mas o ritmo atual da mudança está mais rápido e significa maiores tensões, disse Roger.

A acidificação, por exemplo, ameaça os organismos marinhos que usam carbonato de cálcio para formar seus esqueletos -como os recifes de corais, caranguejos, ostras e alguns plânctons vitais para as redes alimentares marinhas.

Enquanto que o aquecimento empurra muitos cardumes de peixes comerciais para os polos e eleva o risco de extinção para algumas espécies marinhas. Os corais podem parar de crescer se as temperaturas subirem até 2 ºC e correm risco de dissolverem em um ambiente com 3 ºC, disse o estudo.

Os cientistas disseram que as descobertas acrescentaram urgência a um plano de quase 200 governos para chegar a um acordo até o final de 2015 para limitar um aumento na média das temperaturas mundiais para menos do que 2 ºC acima da era pré-industrial.

G1 Natureza

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Avanço lento de obras compromete meta do governo de universalizar saneamento em 20 anos, diz estudo


Um estudo feito pelo Instituto Trata Brasil, divulgado hoje (1º), mostra que a lenta velocidade nos avanços nas áreas de saneamento compromete a possibilidade de o país atingir a universalização de água tratada e coleta e tratamento de esgoto nos próximos 20 anos, prazo contido no Plano Nacional de Saneamento Básico do Governo Federal (Plansab). A pesquisa é baseada em dados de 2011, os mais atuais, do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis) do Ministério das Cidades.

De acordo com o levantamento, a oferta de água tratada em 2011, nas 100 maiores cidades, melhorou em comparação a 2010. Em 2011, o serviço teve crescimento de 0,9 ponto percentual – passou a atingir 92,2% da população, número bem superior à média do país (82,4%).

Já a coleta de esgoto chegou nessas cidades a 61,40% da população (a média no país é 48,1%), um crescimento de 2,3 pontos percentuais em 2011 ante 2010. “Quase metade das maiores cidades [47], no entanto, tem índices abaixo de 60%, o que torna muito difícil alcançarem a universalização até 2030, a se manter este ritmo de crescimento”, destaca o estudo.

Em relação ao volume de esgotos tratados, o índice nas 100 maiores cidades chegou a 38,5%, muito similar aos 37,5% a média do país. “É o serviço mais distante da universalização no saneamento. Em 2030, a se manter esse ritmo de avanços, estaremos longe de ter todo o esgoto tratado nas 100 maiores cidades”, ressalta a pesquisa.

As perdas financeiras pelo mau uso da água em 2011 foi maior nas cidades maiores. Nesses municípios, o índice foi 40,08%, pior que a média do país (38%). Apenas quatro cidades apresentaram perdas menores que 15%; 22 delas tiveram índices entre 15 e 30%. “Isso significa que 74% das cidades apresentaram perdas maiores que 30%, sendo que 14 delas com perdas acima de 60%”.

Entre as 100 maiores cidades brasileiras, o município de Uberlândia (MG) é o que oferece à população o melhor serviço de saneamento básico. A cidade mineira é seguida por Jundiaí (SP), Maringá (PR), Limeira (SP), Sorocaba (SP), Franca (SP), São José dos Campos (SP), Santos (SP), Ribeirão Preto (SP) e Curitiba (PR). Já a cidade que oferece o pior serviço, dentre as 100 maiores, é Ananindeua (PA), seguida por Santarém (PA), Macapá (AP), Jaboatão dos Guararapes (PE), Belém (PA), Porto Velho (RO), Duque de Caxias (RJ), São Luís (MA), Teresina (PI) e Aparecida de Goiânia (GO).

Agência Brasil

Guatemala: Arqueólogo descobre cidade maia de mais de 3 mil anos


O arqueólogo americano Brent Woodfill anunciou, na sexta-feira (27), a descoberta de um centro industrial da época pré-clássica na Guatemala. No local, denominado “Salinas de los Nueve Cerros”, os maias produziam sal não marinho.

De acordo com as pesquisas chefiadas por Woodfill, esta foi uma das cidades mais antigas do mundo maia com uma extensão de 30 quilômetros quadrados.

O arqueólogo explicou, em entrevista coletiva, que os maias daquela época tinham a capacidade de produzir até 24 mil toneladas de sal por ano. A produção era feita através de um procedimento artesanal, ou seja, fervendo a água de um rio que flui de um domo de sal que fica no centro do local.

O arqueólogo disse que o produto era levado para ser comercializado nas terras baixas dos departamentos de Petén e Alta Verapaz (norte), e Chiapas (México), através dos rios Chixoy e Usumacinta.

Salinas de los Nueve Cerros data do período pré-clássico médio cedo (1000 a 800 anos a.C.) e durante o clássico (600 a 900 d.C.) expandiu sua economia não só baseada no sal, mas na agricultura e na exportação de navalhas de obsidiana, comentou Woodfill.

A descoberta mais impressionante do local, destacou, foi uma plataforma artificial de 200 metros de largura por até cem de comprimento e 13 de profundidade, onde se produzia o sal. Também há duas quadras canchas de jogo de bola maia, três pirâmides de oito metros de altura e alguns palácios pequenos, detalhou Woodfill.

Portal Vermelho