A economia brasileira ficou praticamente estagnada no começo de 2012. O
resultado do Produto Interno Bruto, divulgado nesta sexta-feira (1º)
pelo IBGE, mostra um crescimento muito tímido entre janeiro e março, mas
com alguns setores que surpreenderam.
Devagar, quase parando. A economia girou em um ritmo mais lento e o
PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, teve aumento
de apenas 0,2% entre janeiro e março. Já na comparação com o mesmo
período de 2011, a alta é um pouco maior: 0,8 %. Mesmo assim, ficamos na
lanterna entre os Brics, grupo de cinco países emergentes.
O setor que mais encolheu foi a agropecuária (-7,3%). O mau tempo
prejudicou algumas lavouras importantes. As importações cresceram mais
do que as exportações e isso também atrapalhou o resultado do PIB.
A surpresa boa veio da indústria, que teve crescimento de 1,7%, A
explicação é que as fábricas conseguiram aumentar suas receitas, apesar
de terem reduzido a produção nesses meses.
Outra contribuição veio dos gastos do governo, que aumentaram (1,5%). O
setor de serviços, que inclui telefonia e o comércio, por exemplo,
também cresceu (0,6%), graças ao bolso dos consumidores.
O brasileiro ajuda a movimentar a economia, e não é pouco. Segundo o
IBGE, o consumo das famílias cresce desde 2003 e representa 60% do PIB.
Só que o apetite para gastar ficou menor. O consumo está crescendo em
um ritmo mais lento. Já foi de mais de 6% e hoje é metade disso.
“O mercado de trabalho está bem, ainda sim a inadimplência subiu, as
pessoas estão mais reticentes de pegar dinheiro emprestado ou porque
estão devendo e não estão conseguindo pagar ou porque têm risco de
entrar nessa situação”, explica o economista da FGV Armando Castelar.
Para ele, é preciso mais do que medidas de incentivo ao consumo para estimular a economia.
“Acho que o que o Brasil precisa agora é mudar um pouco o seu modelo,
cuidar de coisas que ficaram esquecidas, como o investimento em
infraestrutura e crescer mais com base nessas áreas do que tentar
realmente continuar estimulando o consumo naquele ritmo muito forte que a
gente tinha antes”, acrescenta.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o PIB do
primeiro trimestre confirma que a recuperação da atividade econômica tem
sido bastante gradual e que o consumo das famílias continua sendo o
principal suporte neste período de crise internacional. Para ele, o
ritmo da atividade econômica vai se intensificar ao longo de 2012.
G1
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