Uma lagarta que cresce rapidamente, multiplica-se com velocidade e se alimenta de maneira voraz.
No oeste da Bahia, em uma região de cerrado que engloba municípios como Barreiras, São Desidério
e Luiz Eduardo Magalhães, as terras são de grandes planícies, com
centenas de fazendas modernas, mecanizadas, que cultivam de tudo.
O algodão é um dos principais produtos. As lavouras se espalham por 147 propriedades e 260 mil hectares.
Todas as áreas já foram invadidas pela nova praga, caso da fazenda
Santo Inácio, que fica no município de São Desidério. Uma propriedade
típica do oeste baiano, tocada por agricultores que vieram do Sul do
Brasil. Marcelo Kappes e o pai, Lauri, cultivam 1,2 mil hectares de
algodão e atravessam um momento de crise.
Marcelo mostra de perto o estrago nas lavouras da família. Segundo ele,
as primeiras lagartas apareceram no ano passado, mas foi só foi este
ano que o ataque se tornou mais crítico.
Marcelo conta que se alimentando do botão floral, a planta não desenvolve as flores e sem flores, não forma o algodão.
A lagarta também pode comer outras brotações do algodoeiro ou ainda
perfurar o fruto em uma fase mais avançada. De uma forma ou de outra, o
ataque reduz a produtividade das lavouras, às vezes, de maneira
violenta.
O problema se repete em todo o oeste da Bahia, mas a intensidade dos
ataques varia bastante de uma fazenda para outra. Nas contas da
Associação Baiana dos Produtores de Algodão, a helicoverpa deve
provocar, nesta safra, uma queda na produção de cerca de 15%.
Além de atacar o algodão, a lagarta também tem provocado estragos em
outras culturas do oeste baiano, como milho, soja, feijão e sorgo.
Segundo as associações de produtores, os prejuízos na região já passam
de R$ 1 bilhão.
Na Esalq, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, que pertence a
Universidade de São Paulo, trabalham alguns dos principais
pesquisadores do Brasil no ramo do controle de pragas.
Celso Omoto é entomologista, especialista em insetos, e explica que o
gênero helicoverpa é tido como extremamente prejudicial a nossa
agricultura. "A helicoverpa armígera foi identificada recentemente no
Brasil e esse relato foi comprovado pelos pesquisadores da Embrapa e da
Universidade Federal de Goiás", diz.
Um dos comportamentos que fazem da lagarta uma praga tão perigosa é
justamente a capacidade de se alimentar de tudo o que é tipo de lavoura.
Técnicos e autoridades não sabem ao certo quando a praga entrou no
Brasil, muito menos como e porque isso ocorreu. A helicoverpa armígera
pode ter vindo com mudas ou plantas importadas, pode ter migrado
naturalmente e há quem acredite em uma ação criminosa contra a
agricultura brasileira.
O certo é que já há registros da lagarta em estados como Bahia, Minas
Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, São
Paulo, Piauí e Maranhão, Tocantins, Paraná e Rio Grande do Sul. Em
alguns lugares, a espécie já foi identificada por cientistas, em outros
ainda falta a confirmação oficial.
G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário