sábado, 3 de junho de 2017

Saiba como fazer compostagem doméstica para gerar renda


No início do mês, a Sociedade Ecológica Amigos de Embu (SEAE), no município de Embu das Artes (SP), realizou uma oficina de compostagem doméstica, que teve como principal objetivo ensinar a prática da reutilização de resíduos vegetais do uso cotidiano em uma composteira com minhocas. A partir deste processo, pode ser obtido o biofertilizante (chorume) líquido, que serão usados para enriquecer o solo de hortas, jardins ou ainda serem comercializados. 

Embora uma produção doméstica seja em baixa escala, o húmus de minhoca é muito valorizado, o que faz com que vendas, mesmo que esporádicas, sejam alternativas para ajudar a fortalecer a renda familiar.

A oficina se dividiu em teoria e prática. Na primeira, o palestrante abordou o solo, a formação das rochas e suas etapas até a decomposição e compostagem natural. Reflexões sobre o homem enquanto ser, sua relação com o meio ambiente a que pertence, o uso e o desperdício de recursos naturais, também foram provocadas.

Na segunda parte, o público acompanhou com atenção a explicação da montagem estrutural e depois montou a sua própria composteira para utilizar em casa.

Como funciona

O método escolhido utiliza a vegetação seca para cobrir os restos de alimentos que serão utilizados, o que evita odores e insetos indesejados. Enquanto isso, as minhocas (californianas, vermelhas) consomem a matéria orgânica em decomposição, que resulta no adubo.

O sistema requer utensílios simples, como três caixas de plástico, uma tampa, um suporte para colocar em baixo das caixas, uma torneira, um pacote com minhocas, um pacote com composto sólido e matéria vegetal seca (serragem, folha, palha ou grama) e extrato de neem (repelente natural).

Na oficina, como parte das reflexões sobre reciclagem, as caixas plásticas foram substituídas por baldes de margarina, recolhidos pela SEAE em padarias.

No geral, as caixas devem ser sobrepostas, formando uma torre de três andares. A de baixo, onde instala-se a torneira, exerce a função coletora do biofertilizante. As duas de cima funcionam como digestoras, por onde as minhocas circularão e se alimentarão para concluir o trabalho.

O tempo médio para encher as duas caixas de cima é de 30 dias. Já a caixa de baixo, por conter líquido derivado da decomposição, o ideal é retirar o conteúdo semanalmente. Diluído em água pode adubar raízes ou folhas de qualquer espécie. Pode ser usado na mesma hora ou armazenado por até três meses. A estrutura precisa ficar em local seco e arejado, longe do sol e da chuva.

A oficina se dividiu em teoria e prática. Na primeira, o palestrante abordou o solo, a formação das rochas e suas etapas até a decomposição e compostagem natural. Reflexões sobre o homem enquanto ser, sua relação com o meio ambiente a que pertence, o uso e o desperdício de recursos naturais, também foram provocadas.


Ciclo Vivo

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Pesquisadora brasileira cria plástico 100% biodegradável com resíduos da agroindústria


Pesquisas da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto avançam e busca plástico 100% biodegradável e competitivo com o plástico comum. O resultado inicial é animador. Os testes, que reúne na fórmula resíduos agroindustriais, resultaram em um produto com qualidades técnicas e econômicas promissoras, que se degrada em no máximo 120 dias.

A química Bianca Chieregato Maniglia desenvolveu filmes plásticos biodegradáveis a partir de resíduos agroindustriais de cúrcuma, babaçu e urucum. E o fato do novo material ser totalmente desenvolvido a partir de descartes da agroindústria faz toda diferença. Ao mesmo tempo, recicla resíduos e é biodegradável.

A matéria-prima é oriunda de material produzido com fontes renováveis e, por isso, não se esgotam. Outra novidade é que a substância pode ser cultivada em qualquer lugar do mundo. Ao contrário, o plástico comum é feito do petróleo.

Bianca Maniglia adiciona outras qualidades ao produto: matéria- prima barata, que não compete com o mercado alimentício e ainda “contém composição interessante com a presença de ativos antioxidantes”.
Essa fórmula com compostos antioxidantes pode ser ainda mais interessante no desenvolvimento de “embalagens ativas”. Embalagem que interage com o produto, capaz de melhorar a qualidade de armazenamento para acondicionamento de frutas e legumes frescos.

Os estudos confirmam caminho certo para a obtenção de um plástico, ou pelo menos um filme plástico, totalmente biodegradável.

Agora, busca-se aplicação de aditivos como a palha de soja tratada, outro resíduo agroindustrial, para melhorar as propriedades destes filmes. A meta é o ganho de maior resistência mecânica e menor capacidade de absorver e reter água.


Ciclo Vivo

Dinamarca tem cerveja feita com cevada fertilizada com urina humana


Uma cervejaria dinamarquesa está usando 50 mil litros de urina reciclada de um festival de música para produzir cerveja. 

A cerveja se chama "Pisner", um trocadilho que combina o estilo de cerveja "pilsner" com uma gíria local para xixi. 

A cerveja produzida não contém xixi humano, mas é feita a partir de cevada plantada em campos fertilizados com urina humana, em vez de esterco ou adubo industrializado.
 
"A razão pela qual fizemos essa cerveja é porque somos uma cervejaria artesanal e, há cerca de 4 anos, nos tornamos orgânicos, então todas as nossas cervejas são orgânicas hoje. Pensamos que seria uma grande ideia fazer uma cerveja reciclável", disse Henrik Vang, executivo-chefe da cervejaria Norrebro Bryghus, explicando o conceito de "beercycling". 

Usar urina humana como fertilizante nessa escala é uma novidade, segundo o Conselho de Agricultura e Alimentos da Dinamarca. 

"O gosto é realmente bom. É fresca e densa ao mesmo tempo, é uma boa cerveja", disse Birden Eldahl, um dos provadores da cerveja. 

Os 50 mil litros de urina coletados no festival resultaram em cevada suficiente para fazer cerca de 60 mil garrafas de cerveja. 

G1
 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O fenômeno da coluna de luz violeta flagrado pela 1ª vez nos céus do Canadá


Um grupo de cientistas amadores fãs de auroras boreais descobriu um novo fenômeno atmosférico nos céus do norte do Canadá. 

Eric Donovan, professor da Universidade de Calgary, identificou a coluna de luz violeta em uma série de fotos compartilhadas no Facebook. A princípio, foi definido como um arco de prótons. Mas Donovan descartou a hipótese ao avaliar que não seria possível ver isso a olho nu. 

Diante do mistério, Donovan e seus colegas recorreram a um conjunto de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês) que estuda o campo magnético da Terra para obter mais informações. 

Assim, descobriram que a coluna de luz é uma corrente de gás que flui em grande velocidade nas partes mais elevadas da atmosfera terrestre. 

Uma luz chamada Steve

 

Cientistas analisaram o fenômeno usando satélites localizados a uma altitude de 300 km e notaram que o ar dentro da coluna era 3.000ºC mais quente e circulava a uma velocidade 600 vezes maior do que o ar do entorno. 

Pouco se sabe, além disso, sobre a enorme linha de luz violeta. Acredita-se que não seja uma aurora boreal, porque não resulta da característica interação de partículas solares com o campo magnético da Terra. 

O novo fenômeno foi batizado de "Steve", em referência à animação Os Sem-Floresta (2006), em que os personagens usam esse nome para falar de uma criatura que nunca tinham visto antes.

"É um fenômeno natural lindo, observado primeiro por cientistas amadores e que despertou o interesse de cientistas profissionais", destaca Roger Haagmans, pesquisador da ESA. 

"No final das contas, é bastante comum, mas que ainda não o havíamos notado. Isso só foi possível graças a uma soma de esforços." 


G1

sábado, 29 de abril de 2017

Centenas de bilhões de lixo plástico estão indo parar no Ártico


Apesar de pouco povoada, a região do Ártico enfrenta uma onda de infortúnios induzidos pelos humanos ultimamente. Além de estar sendo remodelado devido ao aquecimento do planeta, ele agora também está cheio de lixo plástico.

O lixo plástico é uma ameaça crescente para os oceanos ao redor do planeta. De acordo com um novo estudo, o Ártico não só compartilha esse problema global, mas também funciona como um “beco sem saída” para detritos flutuantes marinhos à deriva pelo Atlântico Norte.

Segundo os autores de um novo estudo publicado pela revista Science Advances, cerca de 300 bilhões de pedaços de detritos plásticos estão girando em torno dos oceanos do Oceano Ártico e dos mares da Groenlândia atualmente. A maioria destes são microplásticos, do tamanho de grãos de arroz, que podem ser especialmente ruins para a vida selvagem.

O estudo revelou que a maior parte do plástico no ártico chega através da corrente do golfo. Segundo os pesquisadores, existem “concentrações bastante altas” nos mares de Barents e Groenlândia. “Há um transporte contínuo de lixo flutuante do Atlântico Norte e os mares da Groenlândia e Barents agem como um beco sem saída para este fluxo contínuo de plástico”, explica o autor principal Andrés Cózar, biólogo da Universidade de Cádiz, na Espanha.


Para esclarecer isso, Cózar e seus colegas fizeram uma viagem de cinco meses ao redor do Oceano Ártico, criando um mapa de detritos plásticos flutuantes. Eles também usaram dados de mais de 17.000 boias com rastreamento por satélite, que flutuaram na superfície do oceano para ajudá-los a traçar o fluxo de plástico do Ártico encalhados pelas correntes oceânicas.

“O Ártico é um dos ecossistemas mais primitivos que ainda temos, e ao mesmo tempo, é provavelmente o ecossistema mais ameaçado pela mudança climática e pelo derretimento do gelo do mar. Qualquer pressão extra sobre os animais no Ártico, gerada a partir de lixo plástico ou por outra poluição, pode ser desastrosa”, diz o coautor do estudo, Erik van Sebille, oceanógrafo e cientista climático do Imperial College de Londres.

De acordo com um estudo de 2015, aproximadamente 9 milhões de toneladas por ano de plástico entram nos oceanos da Terra, matando e fazendo adoecer a vida selvagem de diversas maneiras. Redes de pesca descartadas sufocam golfinhos e baleias, por exemplo, enquanto sacolas plásticas entopem os sistemas digestivos de tartarugas marinhas com fome de água-viva. Além disso, ao contrário de outros detritos biodegradáveis, o plástico não se desintegra facilmente na água do mar, principalmente quando transformado em microplásticos menores e menores. Estes representam uma ameaça ecológica ainda mais perigosa, formando manchas tóxicas que parecem alimentos para aves marinhas, peixes entre outros animais marinhos.
Para os pesquisadores, o próximo passo é traduzir isso em como melhorar a reciclagem de plástico em terra. “Uma vez que o plástico está no oceano, fica muito difuso, muito pequeno e muito misturado com algas para filtra-lo facilmente para fora. A prevenção é a melhor cura”, conclui Sebille.


Notícia oferecida pela ONE2030.

sábado, 15 de abril de 2017

Como plantar tomate orgânico em casa


O  tomate  é  um  alimento  típico  do  Continente Americano,  tendo  como  origem  a  região  atual  do  México  e  espalhando-se  pelo resto  do  continente  com  o  passar  do  tempo.  Após  se  consolidar  como  um alimento comum para todas as tribos, despertou o interesse dos colonizadores e então foi levado para a Europa no século XVI.

Atualmente,  o tomate  é  um  alimento  presente  na  maior  parte  das  cozinhas  do mundo,  seja  para  dar  um  sabor  diferenciado  aos  molhos  ou  até  mesmo  para fazer  parte  dos  pratos  principais.  A  versatilidade  da  fruta  faz  com  que  ela  seja um  alimento  essencial  em  todos  os  lares, até porque é  possível  encontrar tomates  de  vários  tipos,  como  o  tomate  salada  longa  vida,  o  tomate redondo, tomate caqui, tomate cereja, entre outros.

Hoje,  o  tomate  que  é  adquirido  em  mercados  convencionais  possui pouco menos da metade dos nutrientes presentes em um tomate de 30 anos atrás, isso se  dá  pelos  métodos  de  agricultura  de  massa  e  pelo  uso  exacerbado  de  agrotóxicos  e  insumos  agrícolas.  Uma  forma  de  combater  tal  dificuldade  é  optar  pelo consumo  de  tomates  orgânicos,  ou  até  mesmo  realizar  o  plantio  domiciliar  de pequenos pés de tomate. Quer saber como plantar essa iguaria em casa?

Espaço


Os   tomates   podem   ser   plantados   em   pequenos   vasos   e   canteiros,   não necessitando  de  grandes  áreas  para  que  a  planta  se  desenvolva  com saúde  e vigor.  No  caso  de  plantação  em  pequenas  hortas,  é  possível  produzir  tomates maiores  e  em  grandes  quantidades,  mas  para  isso  é  preciso  estar  atento  a algumas orientações básicas de como plantar tomate orgânico.

Clima

O  tomate  é  um  alimento  com  origem  em  áreas  quentes,  portanto  não  suporta temperaturas muito frias. A temperatura ideal para cultivar o tomate é entre 20°C a 26°C, a partir dos 15°C já é possível cultivar tomateiros e obter belos frutos e a  temperatura  máxima  não  deve  ultrapassar  dos  35°C.  Em  regiões  que  não atendem  esses  requisitos  térmicos  o  tomate  pode  ser  cultivado  em  estufas.  No caso do produtor urbano, é possível utilizar pequenos vasos, mantê-los na região interna de suas casas e até mesmo construir pequenas estufas, para que o mal tempo não aflija a planta e nem prejudiquem seu desenvolvimento.

Luminosidade

Com relação à incidência de luz, o tomateiro requer um pouco mais de atenção. É  preciso  que  a  planta  seja  exposta  à  alta  luminosidade  e  receba  luz  solar  de maneira direta por no mínimo seis horas todos os dias.

Solo

Para  plantações  em  larga  escala,  recomenda-se  cuidar  do  solo pelo  menos  cinco meses  antes  da  implantação  da  cultura e  que  estas  áreas  não  tenham recebido plantas da família Solanaceae, como batata, jiló, pimentas, pimentão e berinjela. O solo  ideal  para  plantar  tomates  deve  possuir  pH  entre  5,5  a  7,  com boa  drenagem. A  camada  superficial  do  solo  deve  estar  sempre  bem  irrigada  e não  deve  ficar  encharcado  para  evitar  a  proliferação  de  doenças  e  demais pragas.  Um  solo  fértil  faz toda a diferença no desenvolvimento da planta.

Irrigação

Os tomateiros  devem  estar  sempre  bem  irrigados,  no  entanto  a  irrigação em demasia prejudica o desenvolvimento da planta. A irrigação programada   pode   ser   uma boa  alternativa  para  quem  não  consegue  monitorar  a  plantação  em  tempo integral. Como o tomateiro ficará sempre exposto à luz solar, a taxa de evaporação  do  solo  e  de  transpiração  da  água  é  alta   e  o  tomateiro  exige  irrigação constante.

Plantio


Na hora de plantar os tomates é preciso muita atenção por parte do produtor. É recomendado realizar pequenas mudas do tomateiro antes de colocá-lo no solo. Em uma sementeira, coloque de duas a cinco sementes em cada buraco, com cerca de 1cm de profundidade. Caso opte por tomates menores ou do tipo anão, faça o plantio diretamente no vaso ou na jardineira escolhida, nessa situação não há necessidade de transplantio.

Transplante de muda

As mudas estarão prontas  para  o  transplante  quando  estiverem  com  aproximadamente  4 folhas consolidadas  e  após  o  fortalecimento  dos  pequenos  tomateiros  é  necessário transplantar as mudas. O espaçamento irá variar de acordo com a variedade de tomate, sendo que o espaçamento mínimo recomendado entre cada planta é de 50 cm, podendo chegar até 1,6 m. No caso de plantas anãs ou de tomate cereja o espaçamento de 30 cm é suficiente.

Tratos culturais

É possível que conforme os tomateiros cresçam suas folhagens fiquem irregulares  e  as  plantas  comecem  a  perder  seu  vigor.  Nesse  caso,  utiliza-se  a  técnica de Tutoramento, onde estacas são colocadas para que a planta tenha uma orientação  de  crescimento.  Com  isso,  basta  podar  os  galhos  que  estiverem atrapalhando o desenvolvimento e liberar espaço para que ramos novos e saudáveis cresçam no lugar.

Colheita

O período de colheita irá variar de acordo com o tipo de tomate plantado e com sua  forma  de  desenvolvimento.  Tomates  com  crescimento  regular  do  tipo determinado,  que  crescem  em  moitas  e  dão  frutos  em  menos  tempo,  poderão ser  colhidos  entre  7  e  8  semanas.  Já  os  tomates  maiores,  com  crescimento  do tipo indeterminado podem demorar entre 10 e 16 semanas para amadurecerem. A  colheita  dependerá  do  destino  do  tomate.  Caso  o  tomate  seja  revendido  para regiões próximas, é importante colhê-lo já maduro, com uma quantidade maior de   nutrientes.   Mas   caso   o   tomate   precise   percorrer   longas   distâncias, recomenda-se colher o tomate no começo do amadurecimento para que ele não estrague até chegar ao consumidor final.

Por que aprender como plantar tomate orgânico?

Em caso de doenças ou enfraquecimento dos tomateiros, basta buscar métodos orgânicos  de  manutenção,  como  por  exemplo,  adicionar  matéria  orgânica  ao solo  para  que  a  planta  esteja  sempre  bem  nutrida.  Ao  erradicar  o  uso  de produtos químicos você terá uma planta muito mais saudável e nutritiva, estará consumindo saúde e não afetará o meio ambiente. A  forma  orgânica  de  agricultura,  além  de  poder  ser  reproduzida  em  pequenos ambientes,  é  mais  acessível  e  garante  a  aproximação  entre  consumidor  e  seu alimento,    vínculo    esse    indispensável    em    uma    sociedade    de    alimentos industrializados  e  quimicamente  alterados.  Opte  pelo  consumo  orgânico  e descubra uma relação de equilíbrio e gratidão com o meio ambiente. Agora que aprendeu como plantar tomate orgânico, é sua vez de botar a mão na massa e começar a plantar o seu tomate orgânico na sua casa ou propriedade rural.

Ciclo Vivo



sexta-feira, 14 de abril de 2017

Irã, 70°C: os mistérios do deserto de Lut, o lugar mais quente da Terra


Uma expedição de cientistas foi ao lugar mais quente do planeta, o deserto de Lut, no Irã, investigar como é possível existir vida animal ali, mas não vegetação. Na área, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, as temperaturas chegam a até 70°C. 

Em persa, a região é chamada Dasht-e-Loot, o que significa algo como "deserto do vazio". Mas apesar desse nome, foram descobertos ali água, insetos, répteis e raposas do deserto. 

"Há espécies de animais que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta", explica à BBC Amir AghaKouchak, professor de Hidrologia da Universidade da Califórnia em Irvine e um dos cientistas a participar da expedição. 

No entanto, curiosamente não há registro de vegetação em nenhum ponto dos 52 mil quilômetros quadrados de deserto, localizado no sudeste do país, próximo às fronteiras do Paquistão e Afeganistão. 

E o que cientistas querem entender é exatamente como existe uma cadeia alimentar numa região tão árida e sem plantas. 

"Nossa maior pergunta é como um ambiente tão inóspito pode manter vida, especialmente se não há vida vegetal. Como as raposas do deserto podem sobreviver nesse ambiente tão hostil? E de onde vem a água", explica o professor sobre a expedição. 

Pássaros como alimento

 

AghaKouchak viajou ao coração do deserto de Lut com um grupo de pesquisadores de diferentes áreas que trabalham nos Estados Unidos, Irã e países europeus. 

Uma das hipóteses dos cientistas é que pássaros que morrem na área são parte importante da cadeia alimentar. 

"Frequentemente avistamos pássaros mortos no deserto. A maioria são aves migratórias que provavelmente se perderam durante seu trajeto e terminaram chegando a Lut." 

Para comprovar ou descartar a teoria, os pesquisadores coletaram amostras das aves mortas durante a expedição.

70°C

 

Imagens de satélite mostraram o recorde de 70,7ºC em 2005. Temperatura que, segundo o pesquisador, não foi um caso isolado - outras observações registraram números semelhantes. 

AghaKouchak explica ainda que a geografia da região é o que provoca temperaturas tão altas - algumas áreas são compostas de rochas vulcânicas, que absorvem calor, e outras, de dunas e vento forte. 

"A combinação dessas circunstâncias, de superfície muito quente e muito vento, é o que provoca o calor extremo. É como ter um secador de cabelo funcionando o tempo todo", compara o cientista.

Apesar de a região parecer pouco atraente, o pesquisador a descreve como um deserto de "dunas elegantes" que ganham "padrões incríveis" criados pelo vento. E que é repleto de "kaluts", formações de rocha criadas pela erosão do vento. 

'Mar escondido'

 

Imagens de satélite também mostraram padrões de umidade no terreno. 

Inicialmente, os pesquisadores não acreditaram nas informações transmitidas - pensaram que as rochas da região estavam enviando sinais distorcidos. 

"Mas quando chegamos ao lugar onde as imagens mostravam umidade, nossos veículos ficaram presos em vários centímetros de lodo", contou o pesquisador.

"Essa foi a confirmação de que existia de fato água ali. E não se trata de um lugar pequeno. Acreditamos que se trata de uma área grande, a qual decidimos chamar de 'o mar escondido de Lut'. Porque a água é salgada", acrescenta. 

O pesquisador sugere que a umidade surge das distantes montanhas que rodeiam a zona plana - as águas das ocasionais chuvas da primavera e do início do outono seriam drenadas até ali.

G1