sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Influência humana é principal causa do aquecimento global, reitera IPCC


Relatório divulgado hoje (27) pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) mostra que a influência humana no clima é a principal causa do aquecimento global observado desde meados do século 20. O aumento das temperaturas é evidente e cada uma das últimas três décadas tem sido sucessivamente mais quente, informa o Sumário para os Formuladores de Políticas do Grupo de Trabalho 1 do IPCC.

“O relatório concluiu que a temperatura da atmosfera e dos oceanos se elevou, a quantidade de neve e de gelo diminuiu e que o nível do mar e de concentração de gases de efeito estufa aumentou”, destacou um dos coordenadores do documento, Qin Dahe.

Segundo o texto, há 95% de probabilidade de que mais da metade da elevação média da temperatura da Terra entre 1951 e 2010 tenham sido causadas pelo homem. Os gases de efeito estufa contribuíram para o aquecimento entre 0,5 e 1,3 graus Celsius (ºC) no período entre 1951 e 2010. “A continuada emissão de gases de efeito estufa vai causar mais aquecimento e mudanças climáticas. Limitar a mudança climática vai requerer substanciais e sustentadas reduções das emissões de gases de efeito estufa”, disse Thomas Stocker, outro coordenador do documento.

O relatório ressalta que, até o fim do século 21, há pelo menos 66% de chance de a temperatura global se elevar pelo menos 2ºC em comparação com o período entre 1850 e 1900. “A mudança na temperatura da superfície da Terra no final do século 21 pode exceder 1,5ºC no melhor cenário e, provavelmente, deve exceder 2ºC nos dois piores cenários”, disse Stocker. Na pior das possibilidades, a temperatura pode alcançar 4,8ºC até 2100.

Ele acrescentou que ondas de calor muito provavelmente vão ocorrer com mais frequência e devem durar mais tempo. “Com o aquecimento do planeta, esperamos ver regiões úmidas recebendo mais chuvas e regiões secas recebendo menos chuvas, apesar de existirem exceções”, disse o cientista.

O documento elaborado por 259 cientistas de 39 países apresentado em Estocolmo, na Suécia, mostrou que a elevação da temperatura dos oceanos até cem metros de profundidade pode variar entre 0,6 ºC e 2 ºC  até 2100. Além disso, devido ao aumento do degelo dos glaciares, o nível do mar deve subir entre 26 a 55 centímetros considerando o melhor cenário e, entre 45 a 82 centímetros, no pior cenário. O gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão no Hemisfério Norte até 2100.

“Com o aquecimento dos oceanos e a redução dos glaciares, o nível global dos mares vai continuar a subir, mas em um ritmo mais rápido do que experimentamos nos últimos 40 anos”, disse o pesquisador Qin Dahe.
De acordo com o documento, as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso aumentaram para níveis sem precedentes nos últimos 800 mil anos. As concentrações de dióxido de carbono subiram 40% desde a época pré-industrial (desde 1750), principalmente devido às emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis. Segundo Stocker, como resultado das emissões passadas, presentes e futuras de dióxido de carbono, a mudança climática é um fato. “Os efeitos no clima vão persistir por muitos séculos mesmo que as emissões parem”, concluiu o cientista.

O IPCC foi criado em 1988 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e reúne milhares de cientistas de diversos países. Já foram publicados quatro relatórios. A divulgação completa do quinto documento, incluindo os trabalhos dos grupos 2 e 3, deverá ocorrer até 2014. Nesta sexta-feira, foi lançado o documento do Grupo de Trabalho 1, que trata dos aspectos científicos das mudanças climáticas. Os dados do IPCC servirão de base para as negociações climáticas internacionais.

Agência Brasil

Taxas de juros ficaram maiores em agosto para famílias e empresas


As famílias e empresas pagaram taxas de juros mais caras em agosto, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados hoje (27). As pessoas jurídicas foram mais afetadas pela alta.

Nas operações de crédito com recursos livres, houve alta de 0,3 ponto percentual, elevando a taxa para 36,5% ao ano, para as pessoas físicas, de julho para agosto. No caso das empresas, a taxa média ficou 0,6 acima do registrado em julho, ao chegar a 20,6 % ao ano, em agosto.

No crédito com recursos direcionados (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura), a taxa média para as empresas ficou estável em 7,4% ao ano. Paras as pessoas físicas, a taxa chegou a 6,9% ao ano, com aumento de 0,1 ponto percentual em relação a julho.

O spread - diferença entre taxa de captação de recursos pelos bancos e a cobrada dos clientes - caiu 0,4 ponto percentual, para 25,3 pontos percentuais, para as pessoas físicas, no crédito com recursos livres. Para as empresas, o spread chegou a 11,1 pontos percentuais, com aumento de 0,3 ponto percentual em relação a julho.

O spread do crédito direcionado caiu 0,1 ponto percentual para 2,4 pontos percentuais para pessoas físicas. No caso das empresas, houve estabilidade em 2,5 pontos percentuais, em agosto.

Agência Brasil

Quatro estados concentram metade dos internautas do Brasil, diz Pnad


São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Um a cada dois brasileiros com acesso à internet mora em algum desses quatro estados. O Sudeste fechou o ano de 2012 reunindo 49,4% de todas as pessoas com acesso à web no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (27).

As informações estão presentes na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), referente a 2012.
Com 41 milhões dos 83 milhões de internautas do país, apesar da predominância entre os usuários, o Sudeste é a região onde moravam 43% dos brasileiros na faixa de idade da amostra utilizada pelo IBGE, os maiores de 10 anos.

Em 2012, o contingente de brasileiros com acesso à internet cresceu 6,8% ante o número de 2011, quando 77,6 milhões se conectavam à web. Com isso, a internet avançou no país e já conecta 49,2% das pessoas –essa fatia era de 46,5% há dois anos.

Apesar disso, a concentração dos internautas nos quatro estados do Sudeste já foi mais acentuada em 2011, quando chegou a 49,86%. A pequena queda no peso da região em relação ao total das conexões nacionais ocorreu devido ao avanço do Nordeste, Norte e Sul.

Já na segmentação por idade, a faixa dos adolescentes dos 15 aos 17 anos é aquela em que o uso da internet possui maior concentração de adeptos, de 76,7%. Na sequência surge a faixa dos jovens entre 18 e 19 anos: 73,8% deles são internautas.

O menor percentual é registrado entre as pessoas com mais de 50 anos, em que 20,5% das pessoas se conectam à internet.

Os domicílios com computador que possui acesso à internet somaram 25,3 milhões e chegaram a 40% do total em 2012, segundo a Pnad. Em 2011, apenas 37% das casas estavam equipadas com PCs que podiam acessar a web.

G1

Índice de analfabetismo para de cair e fica em 8,7%, diz Pnad


A taxa de analfabetismo no Brasil parou de cair. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta sexta-feira (27), em 2012, a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade foi estimada em 8,7%, o que correspondeu ao contingente de 13,2 milhões de analfabetos. Em 2011, essa taxa foi de 8,6% e o contingente foi de 12,9 milhões de pessoas.

Esta é a primeira vez que a taxa de analfabetismo aumenta em 15 anos. A última vez que o índice subiu em relação ao ano anterior foi em 1997. A partir de então, o índice vinha apresentando queda constante.

Em relação aos dados regionais, em 2012, as regiões Sul e Sudeste apresentaram taxas de analfabetismo de 4,4% e 4,8%, respectivamente, tendo a região Sudeste mantido a mesma taxa que no ano anterior. Na região Centro-Oeste, a taxa foi de 6,7%. Na região Norte, o índice é de 10,0%.

A região Nordeste registrou taxa de analfabetismo de 17,4% entre as pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2012, 0,5 ponto percentual acima da taxa de 2011 (16,9%). O Nordeste concentra mais da metade (54%) do total de analfabetos de 15 anos ou mais de idade do Brasil, um contingente que somava 7,1 milhões de pessoas. Mas analisando a evolução em 8 anos, a maior queda da taxa de analfabetismo foi verificada na região Nordeste, de 5,1 pontos percentuais (22,5%, em 2004, para 17,4%, em 2012).

No Centro-Oeste a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade passou de 6,3% em 2011 para 6,7% em 2012, o que também não foi estatisticamente significativo. No Brasil, a taxa foi estimada em 8,7%, frente a 8,6% em 2011 e 11,5% em 2004. Em 2012, havia no país 13,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade.

A taxa de analfabetismo no país tem se mostrado maior nos grupos de idades mais elevadas em todas as regiões. Entre aqueles que tinham de 15 a 19 anos de idade, a taxa foi de 1,2%, contra 1,6% entre os de 20 a 24 anos, 2,8% no grupo de 25 a 29 anos, 5,1% de 30 a 39 anos, alcançou 9,8% para as pessoas de 40 a 59 anos e foi de 24,4% entre os com 60 anos ou mais de idade.


Para IBGE, só a próxima Pnad poderá confirmar aumento do analfabetismo. "Ao longo do tempo a tendência foi de redução como um todo,  com taxas em níveis estáveis entre a  população idosa. O resultado de 2012 não é significativo em relação a 2011, pode ter acontecido por conta da amostragem probabilística. No ano que vem é que se vai ver se a taxa permanece estável ou continua na tendência de queda", disse a presidente do IBGE, Wasmália Bivar.

Em nota, o Ministério da Educação afirmou que "o analfabetismo de jovens e adultos vem sendo reduzido no Brasil — passou de 11,5% em 2004 para 8,7% em 2012", e destacou que "na faixa de 15 a 19 anos, a Pnad de 2012 registra taxa de analfabetismo de 1,2%, muito inferior à média geral, o que demonstra a efetividade das políticas em curso para a educação básica".

O MEC diz ainda que "na análise dos dados da Pnad deve-se considerar a dificuldade de identificar variações significativas no intervalo de um ano para outro, consideradas a metodologia usada e a natureza do fenômeno medido. Nesse caso, a análise da série temporal apresenta uma visão mais adequada do fenômeno em questão. O Ministério da Educação monitora com atenção os dados de evolução do analfabetismo no país e dará continuidade aos esforços no sentido de romper com o ciclo de produção do analfabetismo".

Brasileiros sem instrução

Ainda de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), diminuiu o número de brasileiros que não tem nenhuma instrução ou menos de um ano de estudo entre 2011 e 2012. Em 2011, 11,5% da população, o equivalente a 19,1 mihões de pessoas de 10 anos ou mais de idade se encaixam neste perfil. Um ano depois, a situação melhorou um pouco: as pessoas com até um ano de instrução representam 9% da população ou 15,1 milhão.

O estudo investiga dados sobre população, migração, educação, emprego, família, domicílios e rendimento. Foram ouvidas 362.451 pessoas em 147.203 domicílios. Segundo o IBGE, a população residente em 2011 no país era de 196,9 milhões.

Os maiores índices de pessoas de 10 anos ou mais de idade sem instrução se concentram na região Nordeste, seguida por Sudeste. Confira os números na tabela abaixo:

A pesquisa aponta também uma diminuição na taxa de analfabetismo funcional, representada pela proporção de pessoas de 15 anos ou mais com menos de quatro anos de estudo. Caiu de 20,4% (2011), para 18,3% (2012). No ano passado foram contabilizados 27,8 milhões de pessoas nestas condições.

Em contrapartida à ligeira recuperação nas taxas de brasileiros com pouco ou nenhum estudo, o índice de analfabetismo entre pessoas com 25 anos ou mais aumentou. Subiu de 10,6% em 2011 para 10,7% em 2012.

Ensino superior

O percentual de pessoas com nível superior completo aumentou de 11,4%, em 2011, para 12,0%, em 2012. Assim, em 2012, havia 14,2 milhões de pessoas com nível superior completo, 6,5% a mais que em 2011.

G1 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Caçadores envenenam água e matam 80 elefantes no Zimbábue


Caçadores de marfim do Zimbábue mataram mais de 80 elefantes ao colocar cianeto nos locais onde bebem água, ameaçando a sobrevivência de uma das maiores manadas do mundo, disse um ministro na quarta-feira.

O ministro do Meio Ambiente do Zimbábue, Saviour Kasukuwere, disse que os elefantes morreram nas últimas semanas no parque nacional Hwange, o maior do país do sul da África, enquanto forças de segurança se concentravam na eleição geral de 31 de julho.

Policiais e guardas florestais recuperaram 19 presas, apreenderam cianeto e armadilhas de arame após uma varredura em vilas próximas ao parque, localizado logo ao sul das cataratas de Victória.

"Estamos declarando guerra aos caçadores", disse o ministro à Reuters. "Estamos respondendo com toda nossa força porque nossos animais selvagens, incluindo os elefantes que estão matando, são parte de nossos recursos naturais e riquezas que queremos que beneficiem o povo Zimbábue."

O Zimbábue abriga uma das maiores manadas da África, acredita-se que metade de seus estimados 80 mil elefantes viva no parque Hwange.

Kasukuwere, indicado ministro do Meio Ambiente há uma semana, disse que iria pressionar por punições severas aos caçadores acusados, geralmente sentenciados a menos de 9 anos de prisão sob acusação de contrabando de animais.

O Zimbábue trabalha para reanimar a indústria do turismo, incluindo as visitas às áreas onde há vida selvagem. O turismo no país sofreu anos de declínio devido às políticas econômicas do presidente Robert Mugabe.

Mugabe e seu partido ZANU-PF, no poder desde que a ex-Rodésia ganhou independência da Grã-Bretanha em 1980, foi reeleito em uma eleição no mês de julho, criticada por seus principais rivais de fraude.

G1 Natureza

Bactérias da mandioca podem ajudar a eliminar cianureto de rios poluídos


Pesquisadores colombianos identificaram até seis grupos de bactérias nas fábricas de processamento de mandioca capazes de eliminar cianureto dos rios poluídos pela mineração de ouro.

Esta alternativa é eficaz e mais acessível que outros procedimentos químicos de limpeza de águas residuais, pois os microorganismos que degradam o cianureto aparecem durante a fermentação do amido da mandioca, que serve de matéria-prima para diversas coisas.

"A ideia da aplicação biotecnológica é poder levar este tipo de bactérias a lugares onde é feita mineração, educar o mineiro para que haja uma descontaminação de suas águas residuais", e evitar, portanto, que o cianureto chegue aos rios, explicou o bioquímico Joel Panay, líder da equipe de pesquisadores da Universidade Icesi de Cali.

A Colômbia, da mesma forma que outros países da América do Sul, tem grandes minas de ouro e esta atividade origina um grande impacto ambiental pela poluição dos rios.

A razão é que o cianureto é utilizado para separar o ouro do resto dos elementos extraídos dos rios, por ser um dos poucos reagentes químicos que dissolvem o metal na água, mas quando essas águas residuais onde a mistura é feita chega aos rios, deixa um rastro tóxico.
O objetivo da equipe de Panay é dotar os mineiros de tanques com as bactérias extraídas nas fábricas de processamento de mandioca para que eles mesmos possam contribuir para a descontaminação das águas residuais antes que elas cheguem às correntes.

Este desenvolvimento científico nasceu do projeto 'Bioremediação com bactérias degradadoras de poluentes', que Panay apresentou para seus alunos no laboratório e do qual a estudante Catalina Mosquera se apropriou para aplicá-lo à mineração, em uma zona onde essa atividade funciona como base da economia de muitas comunidades.

A ideia inicial foi identificar essas bactérias em um afluente, mas a insegurança para chegar a essas zonas, dominadas por grupos ilegais e delinquentes, obrigou os pesquisadores a buscarem uma alternativa.

Sendo assim, os especialistas optaram por comparecer a uma fábrica de processamento de mandioca, já que este tubérculo contém por natureza índices de cianureto.

"Os microorganismos se adaptam a este tipo de compostos quando estão na presença dele no ambiente, por isso se pensou que indo a uma fábrica de mandioca poderíamos encontrar microorganismos que, ao estarem expostos ao cianureto, que está presente na mandioca nesse processo de extração de amido, fossem capazes de degradá-lo', explicou.

Na fábrica La Agostiniana, localizada no departamento do Cauca (sudoeste), os pesquisadores tomaram amostras, as cultivaram e trabalharam no laboratório até conseguir identificar seis grupos de bactérias com distintas capacidades para eliminar o cianureto.

"Temos um eletrodo sensível ao cianureto, o qual nos permite medir a concentração. Nos demos conta que depois de dez dias, o cianureto que havia nesse meio líquido se reduzia a zero", explicou o químico.

Na Colômbia, é frequente encontrar cultivos de mandioca, uma das maiores fontes de calorias na dieta das zonas tropicais, agora transformada em uma solução para graves problemas ambientais em todo o país e concretamente no Valle del Cauca, departamento do que Cali é capital.

É o caso do rio Dagua, na cidade de Zaragoza, muito poluído e além disso infestado de dragas e grandes escavadeiras com as quais se pratica a mineração ilegal.

E embora estes pesquisadores admitam que ainda faltam algumas fases de trabalho para a aplicação extensiva deste desenvolvimento, confiam que, com o apoio do governo e do próprio setor, contribuirão para promover uma mineração limpa e portanto para solucionar um grave problema meio ambiental.

G1

Teste mal conduzido espalha praga e dá prejuízo a produtores no Nordeste


O Jornal Nacional vai exibir, nesta semana, uma série de reportagens especiais sobre prejuízos que o Brasil sofre por causa de pragas. O que elas têm em comum é o fato de que não existiam, por aqui. Foram trazidas de outros países. Na primeira reportagem, Tonico Ferreira mostra duas delas - que prejudicam a criação de gado em diferentes estados brasileiros.

O bicho é pequeno, mas agressivo e altamente reprodutivo. Ataca os bois em grandes colônias. “Num local como esse aqui, a gente encontra mais de mil carrapatos. com certeza”, aponta um especialista.

A fêmea produz até 4 mil ovos e a fertilidade é de 98%. O carrapato do boi veio da Índia. O gado de raça européia, importante na produção não só de carne, mas, sobretudo de leite, é o mais sensível ao parasita.

É um problema essencialmente econômico para o país. O prejuízo que ele traz tanto pela queda na produção de carne, leite e transmissão de doenças quanto pelo custo das medidas de controle é de quase R$ 6 bilhões por ano.

Novos métodos de combate ao carrapato são testados em uma fazenda experimental em Minas Gerais. É um passo importante. Mas, quem conhece o problema a fundo, diz que é preciso um esforço coletivo.

“Quando não existe uma política pública, a coisa fica por conta do interessado particular. E isso leva a muitos erros. Hoje, um dos grandes problemas que a gente ter essa política pública, é que cada um faz como consegue”, ressalta Romário Cerqueira Leite, prof. de doenças parasitárias – UFMG.

A Embrapa, no entanto, reclama da falta de interesse de muitos produtores. O laboratório em Juiz de Fora, Minas Gerais, que recebe amostras de carrapato e testa os melhores produtos para combater o parasita, está com capacidade ociosa.

“Não temos política pública, mas temos um serviço gratuito que a Embrapa oferece a todos os produtores. E nós temos recebido em torno de mil amostras por ano e temos capacidade de realizar mais de 6 mil por ano”, afirmou Rui da Silva Verneque, pesquisador da Embrapa.

Pequenos produtores de leite são os mais prejudicados. Sergio da Silva, por exemplo, tirava 270 litros de leite por dia antes do carrapato atacar. Agora, consegue apenas 180 litros. Somando os gastos com o controle do carrapato, ele calcula que deixa de ganhar mil reais por mês.

“É um inimigo que a gente está tendo que buscar força pra poder vencer, porque está difícil”, declarou Regino Sérgio da Silva, produtor de leite.

Criadores de gado do Nordeste também estão tendo prejuízos por causa de outra espécie invasora.

No Nordeste uma praga está atacando uma planta que é um dos principais recursos que o criador de gado tem para alimentar os rebanhos nos períodos de estiagem prolongada. E esta região passa por uma seca que vem desde o ano passado.

Há mais de 100 anos a palma forrageira, que veio do México, é alimento para o gado no semiárido nordestino. Recentemente foi atacada pela cochonilha. Esse inseto é conhecido por produzir um corante natural vermelho, o carmim. A fonte da infestação foi um teste para produção comercial desse corante.


O experimento foi mal conduzido, houve perda de controle e cochonilha se espalhou por plantações de palma em Pernambuco e Paraíba. É fácil identificar o ataque do inseto. Ele forma colônias em flocos brancos. A cochonilha suga a selva e provoca a morte da planta.

João Vieira de Andrade, produtor familiar, levou um susto. “O povo aqui não acreditava que a cochonilha mataria essa palma. Trinta, 40 anos que nós vivemos por aqui e nunca viu doença em palma. Aí ela chegou de vez assim”, contou o produtor de leite.  

Com 20 vacas leiteiras, ficou sem água, sem pasto e sem palma, teve de pegar um empréstimo. “O financiamento nós fizemos pra dar de comer aos animais. Os animais comeram o financiamento todo. E agora, como pago o banco?”, lamentou. 

João ficou também sem ter como sustentar a família. “É difícil o negócio”, lamenta. Ele vendeu as vacas, deve R$ 32 mil para o banco e agora trabalha nas fazendas vizinhas fazendo bico.

Agrônomos estão tentando controlar a praga, com variedades de palma resistentes à cochonilha do carmim.
“Aqui estamos diante de duas variedades. A variedade resistente, que é a variedade miúda, que você vê que ela não tem ataque da cochonilha, e aqui a variedade suscetível que é gigante. Vocês vejam o nível de ataque como está aqui. Mesmo estando plantada há três anos, ela junto aqui, ela não repassa a cochonilha para esta outra”, explica Djalma Cordeiro, agrônomo.

Com esse novo horizonte, João pensa em voltar a fazer o que sabe: criar gado e produzir leite.

Jornal Nacional

domingo, 22 de setembro de 2013

Monocultivo e uso intensivo de agrotóxicos ameaçam a Chapada do Apodi (RN)


Nas gravações de “Chapada do Apodi – morte e vida”, conhecemos José Holanda. Agricultor sem terra, durante 12 anos, foi peão na fazenda Boca da Mata, no alto da Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte. Ganhava muito pouco, comprava na bodega do fazendeiro, não podia criar animais e, de tempos em tempos, pulverizava com agrotóxico uma lavoura de algodão, usando nas costas uma bomba que acabava derramando veneno em seu corpo. Em 1997, ele e os companheiros que trabalhavam naquela fazenda se organizaram para ocupá-la e exigir sua desapropriação para a reforma agrária. Conseguiram: a antiga fazenda Boca da Mata é hoje o Assentamento Moaci Lucena.

Em 2013, 15 anos depois do que José chama de “o nascimento de uma nova vida”, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) quer implementar nesta porção potiguar da chapada, que fica na divisa entre os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, um projeto de irrigação que pretende levar água para o alto da serra.

A pior seca dos últimos 50 anos não meteu medo nos 6 mil agricultores familiares que vivem em Moaci Lucena e em dezenas de outras comunidades desse pedaço do Rio Grande do Norte. Seguiram produzindo polpa de frutas, mel, hortaliças e criando pequenos animais para o consumo dos centros urbanos próximos e das próprias famílias, graças às tecnologias de convivência com o semiárido de que se apropriaram e desenvolveram.

Veneno


Mas o projeto de irrigação do DNOCS, esse sim, tem lhes tirado o sono. O projeto prevê o monocultivo de cacau e uva no sertão potiguar, com uso intensivo de agrotóxicos – inclusive com a temida pulverização aérea, que, com sua potência e imprecisão, acerta seus alvos e tudo o mais que está em volta – e foi elaborado sem qualquer participação das comunidades que há tempos vivem e produzem naquele território. Comunidades inteiras deverão ser desalojadas. Para quem conviveu com veneno e pobreza por anos a fio e hoje vive com autonomia, saúde e dinheiro no bolso, isto é um retrocesso escandaloso.

As promessas desse tipo de projeto são bem conhecidas desses agricultores. Não muito longe dali, no fim dos anos 1980, o mesmo DNOCS emplacou um projeto de irrigação no lado cearense da Chapada do Apodi. A área irrigada, que alcança os municípios de Limoeiro do Norte, Quixeré e Russas, foi ocupada por cinco grandes empresas de fruticultura, desestruturando a produção de milhares de pequenos agricultores. Imagens: Reprodução.

Nessas três cidades, a incidência de câncer é 38% maior do que em cidades com população semelhante, mas que não estão expostas a tanto veneno. No bairro da Cidade Alta, em Limoeiro, onde vivem muitos dos trabalhadores da fruticultura irrigada, não é preciso ir longe pra ouvir histórias de intoxicação aguda. Ali, há três anos, o líder comunitário Zé Maria do Tomé foi assassinado por denunciar a contaminação por agrotóxicos dos canais de irrigação que servem tanto às lavouras quanto às comunidades. O gerente de uma das empresas fruticultoras é acusado de ser o mandante do crime.

A violência, o envenenamento, o uso irresponsável dos recursos naturais, a desestruturação de cadeias produtivas e o desaparecimento de saberes construídos na luta pela terra e na convivência harmônica com o meio ambiente parecem ser o preço a pagar por esse modelo de desenvolvimento que “mata uns de fome e outros de barriga cheia”, como diz José Holanda. Mas nem os trabalhadores rurais de Limoeiro do Norte, explorados e intoxicados, nem os agricultores da chapada potiguar, ameaçados, se dão por vencidos.

É o que sentimos nas filmagens, na convivência com os trabalhadores da fruticultura que defendem a dignidade possível com humor e solidariedade com os companheiros, enquanto buscam novas alternativas de vida e profissão. É o que está em toda parte em Moaci Lucena: no bebê de Zé Holanda, nas crianças sabidas e sadias, nos quintais produtivos, no rebanho de bodes que espera o fim da estiagem pra voltar a se multiplicar. O que está em disputa na Chapada do Apodi é nada a menos do que o direito à saúde, que separa a vida da morte.


Eco Bebate

Nova geração de transgênicos, resistentes ao agrotóxico 2,4-D, pode deixar lavouras brasileiras mais tóxicas


Brasil pode ser o terceiro a aprovar plantio de sementes resistentes ao agrotóxico 2,4-D. Especialistas alertam que o possível aval da CTNBio à soja e ao milho aumente o uso do herbicida altamente tóxico.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) julga nesta quinta-feira (19/09) o pedido de aprovação de quatro modalidades de sementes transgênicas resistentes ao agrotóxico 2,4-D. São dois tipos de soja e dois tipos de milho.

O Brasil seria o terceiro a aprovar o plantio dessas variedades. Até o momento, o Canadá é o único que cultiva esse tipo de milho. Já essa versão de soja transgênica é aprovada, além do Canadá, também no Japão – mas a permissão no país asiático se restringe à plantação em campos isolados.

O pedido de liberação foi feito pela americana Dow AgroSciences, que também tem sede no Brasil e é uma das seis gigantes da indústria de sementes e agrotóxicos do mundo.

Segundo Leonardo Melgarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio e avaliador de uma das sementes solicitadas pela Dow, existem “riscos alarmantes” na aprovação das sementes. “Nós estamos passando agora para a possibilidade de aplicação via aérea de produtos de alta periculosidade”, afirma.

O 2,4-D é um dos componentes do chamado Agente Laranja, utilizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Ele é o terceiro agrotóxico mais utilizado no Brasil (5%), depois do glifosato (29%) e do óleo mineral (6%). De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regulamenta e avalia a toxicidade de agrotóxicos, o 2,4-D é classificado com o nível de toxicidade mais elevado.

Efeito reverso  

A aprovação das sementes resistente ao 2,4-D pode levar a um efeito contrário: especialistas alertam que o uso do agrotóxico pode aumentar. Em artigo publicado na revista científica Environmental Science Europe, Chuck Benbrook, da Universidade do Estado de Washington, prevê um aumento de 50% no uso do 2.4-D nos Estados Unidos caso as novas sementes sejam aprovadas neste país.

O Centro de Segurança Alimentar dos Estados Unidos prevê que o uso do herbicida isoxaflutole aumentará quatro vezes devido à aprovação nos EUA de uma modalidade de milho resistente a este herbicida.

No Brasil, Victor Pelaez, diretor do Observatório da Indústria de Agrotóxicos e professor na Universidade Federal do Paraná, lembra que, quando a primeira soja transgênica foi aprovada, umas das possíveis vantagens apresentadas seria a diminuição do uso do agrotóxico glifosato. Oito anos depois, o glifosato continua sendo o agrotóxico mais utilizado no Brasil. Pesquisas do Observatório apontam que, após a utilização da soja transgênica no Rio Grande do Sul, ainda de maneira ilegal, entre 2000 e 2004, o consumo do glifosato aumentou 162%.

Esse consumo levou ao desenvolvimento de pragas resistentes e, por consequência, à necessidade de sementes tolerantes a herbicidas mais tóxicos. “Do ponto de vista tecnológico, é um retrocesso. Seja porque se tem que utilizar mais quantidade do glifosato que é menos tóxico, seja porque tem que se usar também produtos mais tóxicos. Isso era a crônica da morte anunciada. Todo mundo da área sabia disso”, analisa Pelaez.

Segundo a Dow, não há uma relação entre o uso elevado dos agrotóxicos e o uso de transgênicos. “As taxas de uso de herbicidas está já crescendo devido à resistência ao glifosato, e irá crescer ainda mais sem a nova tecnologia para ajudar a lidar com essa situação”, afirma Garry Hilman, porta-voz da empresa. Segundo ele, as novas sementes vão permitir que as ervas daninhas não desenvolvam resistência a um tipo específico de agrotóxico.

Aos ser questionado sobre a relutância de alguns países à aprovação das sementes tolerantes ao 2,4-D, a empresa afirma que se deve aos trâmites burocráticos dos países. “Nós estamos confiantes que os legisladores nas principais nações produtoras irão reconhecer os diversos benefícios desta nova tecnologia tanto para os produtores agrícolas como para o meio ambiente.”

Para a Secretaria Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), as novas sementes não resolverão o problema do que tem se chamado de “falha tecnológica”. “Essas variedades, assim como as que as antecederam, chamadas de ‘melhoradas’, termo que não utilizo pois apenas foram selecionadas em laboratório, não melhoraram em nada a agricultura, pois causou uma grande redução na base genética das culturas alimentares”, afirma o MPA em declaração à DW Brasil.

Passado sombrio


Operação “Mão de Fazendeiro” despejou cerca de 45 milhões de litros de Agente Laranja no Vietnã
O 2,4-D ficou mundialmente conhecido por compor o Agente Laranja, utilizado para desfolhar as florestas e expor vietnamitas ao ataque dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Milhões de pessoas morreram devido à operação conhecida como “Mão de fazendeiro” e, 30 anos depois, a substância química ainda é encontrado na terra e água do país, levando a defeitos genéticos em várias gerações.

A Dow AgroSciences, junto com três outras empresas do ramo de biotecnologia, montou a Força Tarefa 2,4-D, com o objetivo de divulgar informações sobre o herbicida. Elas afirmam que a vinculação com o Agente Laranja é um equívoco, pois os efeitos letais deste químico seriam causados pela dioxina, um resíduo da mistura dos componentes 2,4-D e 2,4,5-T da fórmula do Agente Laranja.

No entanto, especialistas apontam que a toxicidade do 2,4-D independe de sua vinculação com a dioxina. Em nome da Academia Americana de Medicina e Meio Ambiente, Robin A. Bernhoft afirma que “o 2,4-D é considerado a causa de todos os cânceres e defeitos genéticos nos filhos de ex-combatentes americanos no Vietnã e de vietnamitas causados pelo Agente Laranja”.

A questão reside também na qualidade do 2,4-D utilizado. Benbrook aponta o risco de que maior parte do 2,4-D usado no Brasil seja importado da China, com altos níveis de dioxina. “Eu concordo que o 2,4-D da Dow é muito mais limpo do que o dos 1970, mas quem pode garantir que os agricultores brasileiros irão comprar o 2,4-D mais caro e mais limpo?”, questiona.

Melgarejo aponta para o mesmo problema, devido à utilização da forma de 2,4-D conhecida como éster butílico, considerada mais perigosa por formar mini-gotículas que dispersam facilmente no meio ambiente.

“Nesse caso, o produto dança no ar, ele se desloca por grandes áreas e pode afetar muitas outras culturas. É uma formulação mais barata, porque mais perigosa”, esclarece. “As empresas afirmam que não vão vender no Brasil. Mas nada impede que entre por contrabando”, alerta Melgarejo.

Os riscos do 2,4-D-éster-butílico levaram a Autoridade Australiana para Medicina Veterinária e Agrotóxicos (APVMA) a cancelar, em agosto, a autorização do uso dessa modalidade de herbicida na Austrália alegando “riscos ambientais inaceitáveis”.

Aprovação


Aproximadamente 90% da soja plantada no Brasil é transgênica, segundo CIB
 
O Brasil já aprovou 56 organismos geneticamente modificados. Das 31 plantas, contando com sementes e algodão, 25 possuem alteração para resistir a agrotóxicos e doze são tolerantes a mais de um herbicida ou inseticida. A tolerância, em grande maioria, é aos agrotóxicos glifosato e glufosinato de amônico, ambos de baixa toxicidade.

As duas modalidades de milho e de soja foram apresentadas pela empresa Dow no ano de 2012 e 2013 para liberação comercial. Quando concedida, a liberação permite a venda das sementes transgênicas para plantação, seu consumo direto em alimentos e derivados, assim como utilização em rações animais.

Caso as sementes resistentes ao 2,4-D sejam aprovadas pela CTNBio, o processo é encaminhado ao Conselho Nacional de Segurança, que pode deferir ou indeferir a decisão da Comissão.

 Eco Debate

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Brasil tem 370 mil usuários regulares de crack nas capitais, aponta Fiocruz


Um levantamento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça, revela que cerca de 370 mil brasileiros de todas as idades usaram regularmente crack e similares (pasta base, merla e óxi) nas capitais ao longo de pelo menos seis meses em 2012.

Por "uso regular", foi considerado um consumo de pelo menos 25 dias nos seis meses anteriores ao estudo, de acordo com definição da Organização Panamericana de Saúde (Opas).

Esse número de 370 mil pessoas corresponde a 0,8% da população das capitais do país e a 35% dos consumidores de drogas ilícitas nessas cidades. Além disso, 14% do total são crianças e adolescentes, o que equivale a mais de 50 mil usuários.

O estudo foi realizado com 25 mil pessoas de forma domiciliar e indireta, ou seja, cada indivíduo respondeu a questões sobre suas redes sociais (familiares, amigos e colegas de trabalho residentes no mesmo município) de forma geral e também especificamente sobre o uso de crack e outras drogas.

O resultado, portanto, é uma estimativa do que ocorre nas 26 capitais e no Distrito Federal – em outra pesquisa da Fiocruz, por exemplo, feita de forma direta com 7 mil entrevistados em 112 municípios (incluindo capitais e regiões metropolitanas) entre o fim de 2011 e junho de 2013, o total não passou de 48 mil usuários de crack e similares.

Segundo os autores, a metodologia indireta, chamada Network Scale-up Method (NSUM), permite que populações de difícil acesso (como presos, hospitalizados, estudantes, militares, religiosos, fugitivos e vítimas de catástrofes) também entrem nessa conta.

De acordo com o secretário da Senad, Vitore Maximiano, essas duas pesquisas são as maiores já feitas sobre crack no mundo, pelo número de entrevistados e pelo volume de dados gerados.

"Somando-se os dois estudos, são 32 mil questionários produzidos. Estamos investigando uma população oculta, que tem dificuldade de revelar seu uso, suas prevalências, porque há a questão criminal, a discriminação", destaca.

Maximiano diz que o usuário de crack, conforme os resultados, é alguém que vive uma forte exclusão social, tem baixa escolaridade e dificuldade de inserção no mercado de trabalho, com predominância de indivíduos não brancos (80%) e em situação de rua.

Nordeste lidera ranking



Entre as regiões do Brasil, o Nordeste lidera o uso regular de crack e similares, com 40% do total, seguido do Sudeste, do Centro-Oeste, do Sul e do Norte (veja o gráfico acima). Além disso, cerca de 80% dos usuários dessas substâncias fazem isso em lugares públicos e de grande circulação, como as ruas.

Nas capitais do Sudeste e do Centro-Oeste, o crack e similares correspondem a 52% e 47%, respectivamente, de todas as drogas ilícitas (com exceção de maconha) consumidas nessas cidades. Já no Norte, o crack tem uma participação menor no total: cerca de 20%.

Além disso, as capitais do Nordeste são as que concentram mais crianças e adolescentes usuários de crack e similares, com 28 mil pessoas. No Sul e no Norte, esse número é de cerca de 3 mil indivíduos em cada região.

Segundo Maximiano, o alto uso de crack no Nordeste está ligado ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) local, onde há uma população mais carente. Essa droga acaba sendo, portanto, uma alternativa barata. Já no Sul, a relação é de ordem sociológica, pois lá as pessoas tradicionalmente consomem mais drogas (sobretudo injetáveis) que a média nacional.

Nas mesmas cidades analisadas, estima-se que 1 milhão de pessoas usem drogas ilícitas em geral (cocaína, heroína, ecstasy, LSD, etc), com exceção de maconha. De acordo com os autores, ainda não é possível fazer um estudo em todo o país porque não há bancos de dados nacionais com informações suficientes sobre grupos específicos da população.

Usuário difícil de encontrar



Na opinião do pesquisador da Fiocruz Francisco Inácio Bastos, um dos coordenadores dos levantamentos, em estudos tradicionais com perguntas diretas não é possível identificar os usuários de crack e similares em casa, pois eles estão nas ruas. Para ter acesso a essas pessoas, então, é preciso ir em busca de suas redes de contatos.

Além de estarem fora de casa, os indivíduos que consomem drogas como o crack são mais estigmatizados que aqueles que usam maconha ou álcool, na opinião de Bastos. Por isso, a maioria dos usuários não assume o vício.

Entre as perguntas feitas pelo método indireto, incluídas em uma lista com cerca de 100 questões, estavam: "Você conhece alguém que usa crack? Quantas pessoas?" Além disso, o levantamento reuniu perguntas sobre o programa Bolsa Família e outros assuntos que, depois, foram confirmados em cadastros oficiais das capitais.

Sobre as "cracolândias", Bastos diz que esse não é um fenômeno comum e está mais restrito a São Paulo e ao Rio de Janeiro, pois para esses locais existirem é preciso de alguns pré-requisitos, como grande densidade urbana, ausência do poder público naquele determinado lugar e uma cadeia de distribuição de drogas de grande porte.

O relatório da Fiocruz conclui que o estudo indireto pode servir de base para futuras pesquisas sobre crack com essa mesma metodologia, a fim de gerar uma série histórica confiável. A partir dele, na visão dos autores, também é possível pensar em políticas públicas e estratégias voltadas principalmente para crianças e adolescentes.

Homem jovem, solteiro e de rua

O outro levantamento da Fiocruz, feito de forma direta com 7 mil pessoas de 18 anos ou mais em 112 municípios, entre 2011 e 2013, envolveu cerca de 400 perguntas e teve como base o método Time-Location Sampling (TLS), para analisar o perfil dos usuários e o cenário de consumo.

As cidades pesquisadas foram as 26 capitais, o Distrito Federal, nove regiões metropolitanas e municípios de médio e pequeno porte. Os locais de estudo foram as próprias cenas de uso de crack e serviços de saúde próximos.

A média de idade dos entrevistados era de 30 anos. Por sexo, os usuários se mostraram predominantemente homens, representando quase 80% do total. Em levantamentos anteriores sobre crack e cocaína, essa proporção era menor: cerca de 60%, contra 40% de mulheres. Esse índice encontrado agora, segundo a Fiocruz, tem relação com uma maior presença masculina no tráfico e em cenários abertos de uso de drogas.

Entre as mulheres usuárias de crack ouvidas, 10% estavam grávidas naquele momento e mais da metade já havia engravidado pelo menos uma vez desde o começo do vício.

Além disso, a maioria (60%) dos usuários de crack declarou ser solteira, 40% vivem nas ruas, 65% fazem trabalhos esporádicos ou autônomos e muitos não chegaram a concluir o ensino médio ou entrar no ensino superior. Atividades ilícitas, como tráfico de drogas e furtos/roubos, foram admitidas por apenas 6,4% e 9% dos entrevistados, respectivamente.

A principal motivação para usar crack e similares foi curiosidade/vontade, apontada por mais da metade dos entrevistados. Em seguida, vieram pressão dos amigos (26,7%) e problemas familiares ou perdas afetivas (29,2%). O baixo preço da droga também seria um fator contribuinte para a manutenção do vício ao longo do tempo, mas não determinante para o início da experimentação.

O tempo médio de uso foi de 8 anos nas capitais, contra 5 anos nos demais municípios. O número médio de pedras utilizadas por pessoa nas capitais foi de 16 ao dia, contra 11 nas outras cidades. O consumo dos homens foi mais prolongado, mas as mulheres usaram mais pedras por dia – até 21, contra 13 dos homens.
Além desses dados, quase 30% das usuárias de crack ouvidas admitiram trocar dinheiro ou drogas por sexo, contra 1,3% dos homens. Elas também foram maioria nos casos de violência sexual prévia: 44,5%, contra 7% no sexo masculino.

Mais de um terço de todos os usuários entrevistados admitiu, ainda, não ter utilizado preservativo em nenhuma das relações sexuais ocorridas naquele mês. E mais da metade (53,9%) nunca havia feito um teste de HIV, o que é algo preocupante, pois os usuários analisados apresentaram prevalência do vírus da Aids oito vezes maior que a da população geral.

A maioria (quase 75%) fumava crack em cachimbos, seguidos de latas (51,8%) e copos plásticos com tampa de alumínio (28,3%). Além disso, mais de 70% compartilhavam esses apetrechos, o que a Fiocruz chama atenção pelo risco de transmissões virais como hepatites.

Dos entrevistados que já tiveram alguma situação de overdose nos 30 dias anteriores à pesquisa, 44,7% passaram por isso pelo uso de crack e 22,4% sofreram intoxicação aguda em decorrência do abuso de álcool. E, ao todo, 41,6% relataram terem sido detidos no último ano, por motivos como posse de drogas (quase 14%), assalto/roubo (9,2%), furto/fraude/invasão de domicílio (8,5%) e tráfico ou produção de drogas (5,5%).


G1


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Teoria de Gaia – um olhar diferente sobre a nossa morada, artigo de Marcos Paulo Gomes Mol


Registros da história do imperador Marco Aurélio, publicados na obra Guia do Imperador, apontam dentre as várias reflexões propostas, a ideia de que o universo é um organismo vivo individual, que tem uma substância e uma alma, mantendo todas as coisas sustentadas por uma única consciência e criando todas as coisas com um único propósito de poderem trabalhar juntas, fiando, tecendo e ligando tudo o que venha a passar por ali.

Sob um ponto de vista científico, um congresso da União Europeia de Geofísica, realizado em 2001, atestou que “o sistema Terra comporta-se como um único sistema autoregulador formado de componentes físicos, químicos, biológicos e humanos”. Este foi um dos sinais de que a Hipótese de Gaia, proposta por James Lovelock, estava próxima de ser aceita por parte dos cientistas mundiais.

A hipótese proposta por Lovelock indica que a Terra tem o comportamento equivalente a um organismo vivo, como uma unidade em maior proporção. Esta descoberta foi iniciada através de observações atmosféricas, em especial nas concentrações de oxigênio e nitrogênio, correlacionadas direta ou indiretamente com as atividades de organismos vivos, que indicam um possível poder de autoregulação da Terra em busca de um ideal ecossistema.

Sob a ótica proposta pela hipótese de Gaia, o ser humano representa uma parte deste todo, que conjugado com os demais seres vivos, garante o funcionamento de um sistema complexo que se encerra no planeta Terra.

Segundo o teólogo e pesquisador Leonardo Boff, a Terra é um gigantesco superorganismo que se autoregula, fazendo com que todos os seres se interconectem e cooperem entre si. Nada está à parte, pois tudo é expressão da vida de Gaia, inclusive as sociedades humanas, seus projetos culturais e suas formas de produção e consumo.

A autonomia do ser humano, ser racional dentre os demais organismos vivos, proporciona a ele grande potencial de interferência no sistema Gaia, que, dependendo das tomadas de decisão, podem gerar efeitos positivos ou negativos em grandes proporções. Nossa responsabilidade neste contexto é evidente.

Daí, o desafio de reverter o conceito desenvolvido pela sociedade atual de que o ser humano necessita do meio ambiente para seu desenvolvimento, e dessa forma, o meio ambiente passa a ser “aquilo que está do lado de fora das cidades”. Perdeu-se a noção de que o ser humano é parte integrante da natureza, e este conceito é fundamental para a criação de uma sociedade equilibrada ambientalmente.

Observa-se na sociedade contemporânea elementos como a valorização da imagem, do “ter”, que leva inevitavelmente a um padrão de comportamento ligado à descartabilidade tanto dos produtos já consumidos, ou a serem consumidos, quanto das pessoas que não têm acesso a estes bens.

Compreender o funcionamento do planeta Terra tem sido um desafio dentre pensadores e pesquisadores da humanidade, com vistas a alcançar um nível de conhecimento amplo acerca da função dos seres humanos e dos elementos naturais neste contexto. O rumo destas reflexões ainda é incerto. O fato é que a prática do ser humano tem se mostrado pífia no que diz respeito ao cuidado com a nossa atual morada.

Eco Debate

Colisão com torre eólica já matou 67 águias em 5 anos nos EUA, diz estudo


Estudo publicado nos Estados Unidos aponta que ao menos 67 águias morreram nos últimos cinco anos após colidirem com torres de energia eólica, um número que, segundo cientistas, é preocupante e pode ser ainda maior.

A pesquisa, publicada "Journal of Research Raptor", é uma das primeiras contagens de mortes de águias atribuídas à crescente indústria de energia eólica do país, considerada um dos pilares do plano do presidente Barack Obama para reduzir a poluição global, responsável pelo aumento da temperatura e pelas mudanças climáticas.

Parques eólicos são aglomerados de turbinas com tamanhos que podem chegar ao de um prédio de 30 andares. Embora as lâminas parecem se mover lentamente, elas podem atingir velocidades altas nas pontas.
Os cientistas dizem que fazendas eólicas em dez estados dos EUA já mataram ao menos 85 águias desde 1997, sendo que a maioria dos óbitos ocorreu entre 2008 e 2012, período que coincide com a expansão das fazendas eólicas. Os estudiosos afirmam que o número de óbitos pode ser muito maior, já que as empresas relatam poucos casos e de forma voluntária.


A maioria dos óbitos (79) foram de águias-douradas que colidiram com as turbinas. Uma delas, segundo o estudo, foi eletrocutada por linhas de energia. De acordo com o vice-presidente da Associação Americana de preservação de pássaros, tais informações são um “registro alarmante e preocupante”.

A Associação Americana de Energia Eólica informou em comunicado que o total de mortes causadas pelas usinas eólicas é muito menor se comparado a outras causas. O grupo informou que trabalha junto ao governo e a grupos ambientais para encontrar formas de evitar que novas águias sejam vítimas.

De acordo com o Departamento de Pesca e Vida Selvagem, há investigações abertas sobre a morte de 18 pássaros envolvendo instalações eólicas. Sete delas foram encaminhadas ao Departamento de Justiça.

G1

Índios na Amazônia peruana têm alta concentração de mercúrio, diz estudo


Um estudo americano feito sobre contaminação por mercúrio em peixes decorrente da mineração informal de ouro na Amazônia peruana revela que povos indígenas têm sido extremamente atingidos, principalmente as crianças.

A pesquisa conduzida pelo Instituto Carnegie para Ciência encontrou níveis de mercúrio acima dos limites aceitáveis em 76,5% das pessoas que vivem na região de Madre de Diós, no sudeste do Peru. Foram analisados indivíduos tanto de áreas rurais quanto urbanas.

Um quarto das pessoas avaliadas trabalha na indústria de mineração, que usa cerca de 35 toneladas de mercúrio por ano para purificação do ouro. Isso ocorre porque o mercúrio é o único metal líquido em temperatura ambiente e acaba se unindo facilmente ao ouro, formando uma liga de amálgama.

Esse material, então, é aquecido, o mercúrio se evapora e o ouro se funde sozinho. Em seguida, o excesso de mercúrio restante desse processo é lançado diretamente nos rios e entra na cadeia alimentar, por meio da ingestão de água e peixes.


Limite e efeitos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece como limite máximo de mercúrio 0,5 mg/kg para um consumo de até 400 gramas de peixe por semana, considerando-se um adulto de 60 kg.

Quando se acumula no organismo, o mercúrio é capaz de causar danos irreversíveis ao sistema nervoso central, com sintomas como tremores, perda de memória, dificuldade motora, de visão e audição.

G1 Natureza

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Cientistas apresentam bateria que funciona com esgoto


A edição desta semana da revista “PNAS” apresenta uma forma inusitada de bateria: por meio da ação de micro-organismos, ela é capaz de gerar energia a partir de esgoto. Quando gasto, o eletrodo que fica imerso na água suja só precisa ser exposto ao oxigênio e, em seguida, reinserido na bateria para que ela volte a funcionar.

O professor Yi Cui, da Universidade Stanford, nos EUA, e sua equipe,  alertam que ainda é preciso diminuir o preço das matéria-primas para tornar a tecnologia viável em larga escala. No entanto, afirmam que a “bateria de esgoto” é capaz de alcançar uma eficiência 30% maior que as células de energia fotovoltaica disponíveis no mercado.

Em teoria, informa a “PNAS”, a matéria orgânica existente no esgoto doméstico é suficiente para, por meio de oxidação, gerar três vezes a energia necessária para tratar o efluente.

G1 Ciência

Impacto de cometa pode criar 'bloco fundamental' para a vida, diz estudo


Um time de cientistas do Imperial College de Londres, da Universidade de Kent e do Laboratório Nacional de Livermore, no Reino Unido, decobriram que, quando cometas de gelo colidem com um planeta, o choque pode produzir aminoácidos, compostos fundamentais para o surgimento da vida.

Quando um meteorito rochoso colide sobre uma superfície de gelo num planeta, o mesmo pode ocorrer, segundo os autores.

Eles sugerem que a descoberta pode ajudar a esclarecer como a vida começou na Terra, no período entre 4,5 bilhões e 3,8 bilhões de anos atrás.

De acordo com os pesquisadores, o estudo publicado na revista “Nature Geoscience” mostra que os “blocos básicos” para a formação de vida podem surgir em qualquer lugar do Sistema Solar, ou mesmo fora dele. A questão é que, para que os aminoácidos evoluam para a vida, são necessárias outras condições favoráveis que não estão disponíveis em qualquer lugar.

As luas de Encélado e Europa, que orbitam Saturno e Júpiter, respectivamente, são lugares ideais para a formação de aminoácidos se meteoritos caírem sobre sua superfície. 

O trabalho afirma que o impacto de um meteorito forma uma onda de choque que origina moléculas das quais, com a presença de calor (que a batida também fornece), surgem os aminoácidos. O efeito foi recriado com um lançador capaz de arremessar projéteis a 7,15 quilômetros por segundo (o equivalente a 25,7 mil km/h), instalado em Kent.

G1 Ciência

sábado, 14 de setembro de 2013

DUAS PB: Seca no Sertão e água no Brejo revelam fenômeno climático típico do estado


Em cidades como Sumé e Monteiro, no Cariri do Estado, a paisagem sem vida revela que há muito tempo não chove na região. O imenso deserto desaparece do alcance da vista. Apenas os pés de mandacaru e outras plantas da região, resistem a longa estiagem. Esta semana o PBAgora percorreu parte dessa região, e viu o cenário desolador.

Em compensação, em outra região da Paraíba, a realidade é outra. A paisagem verde revela que a chuva caiu recentemente. Entre Guarabira e Areia no Brejo, as estradas estreitas e de curvas fechadas, extremamente perigosas, são tomadas por uma vegetação verde. As árvores e plantas de diversas espécies tornam as serras do Brejo paraibano em um cenário de cartão postal. A meteorologista da Agência Executiva da Gestão das Águas (AESA), Marlen Bandeira, explicou que esse fenômeno é bem característico da Paraíba. No território paraibano, as quatro estações do ano – inverno, verão, outono e primavera – não seguem o ciclo traçado pelos livros de geografia.

De acordo com Marlen Bandeira, nas regiões que hoje estão secas, o período de inverno dura entre janeiro e abril, e já terminou. Além do mais, nessas regiões – Sertão, Cariri e Curimataú – este ano choveu abaixo da média, agravando a vida sofrida do homem do campo. Nas outras regiões, onde o verde predomina como é o caso do Brejo, Litoral e até Agreste, o período invernoso dura entre os meses de abril até julho, sendo que este ano, as chuvas se prolongaram até este mês de setembro.

Ela observou que o prolongamento da seca no Sertão, e, consequentemente, a transformação da vegetação, é uma característica do semiárido. “São fenômenos característicos da Paraíba, mas absolutamente normais” explicou Marlem Bandeira em entrevista ao PBAgora.

Desertificação – Entre a seca e o inverno, a desertificação no território paraibano tem avançado de forma preocupante a cada dia. Os especialistas alertam que se nada for feito e se o estado atual de degradação ambiental continuar, é provável que em 100 anos, o Semiárido paraibano esteja totalmente árido. Isso significa que a vegetação da Paraíba corre sérios riscos de desaparecer de vez, o que seria catastrófico para a população.

O Estado, um dos mais atingidos pela desertificação pode virar deserto no futuro. Atravessando uma das mais rigorosas secas dos últimos 50 anos, a Paraíba sente os efeitos drásticos da longa estiagem e tem uma noção do que pode está reservado para o futuro. A Paraíba, conforme alertou o ambientalista Roberto Almeida, com base em dados da organização internacional Greenpeace, e da Associação de Proteção da Natureza (APAN), está em adiantado estado de desertificação, ocupando o 1º lugar no Brasil.

De acordo com os dados repassados pelo ambientalista com base no relatório sobre mudanças climáticas elaborado pelo Greenpeace, mais de 72% do território do estado da Paraíba está suscetível ao processo de desertificação. Isso significa que 1,66 milhão de pessoas – a metade da população paraibana – está sofrendo com os drásticos efeitos do processo devastador. “Esse processo tem avançado. A Paraíba é o Estado do país mais atingido pelo processo de desertificação do tipo muito grave”, alerta o ambientalista Roberto Almeida.

Na Paraíba 208 dos 223 municípios – 93,27% estão suscetíveis a desertificação – e o processo avança a cada dia. Um levantamento feito pela Sudema da qual, Roberto é superintendente em Campina Grande, revela que pelo menos 68% das matas paraibanas sofreram alguma interferência do homem e estão com sua fauna e flora comprometida afetando diretamente mais de 1milhão de paraibanos. As regiões com maior grau de ocorrência de desertificação apontadas no documento são o Seridó oriental e ocidental – composto por municípios como Barra de Santa Rosa, Salgadinho, Frei Martinho, Cuité e Picuí – e o Cariri ocidental. Seca pode deixar municípios sem água.

A seca que castiga o Nordeste, particularmente, as regiões do semiárido da Paraíba, já estão trazendo consequências na vida de muitos paraibanos. Gado morrendo de sede, açudes secos e colapso no sistema de abastecimento.

As chuvas que caíram no final de abril em todas as regiões da Paraíba não foram suficientes para abastecer os mananciais nas áreas mais críticas. Conforme relatório de monitoramento dos mananciais do estado feito pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) alguns açudes localizados no Cariri, Curimataú e Sertão estão quase secos. Em cinco açudes há menos de 1% da água que pode comportar. O Açude Epitácio Pessoa em Boqueirão por exemplo, está com menos de 45% de sua capacidade. O açude, responsável pelo abastecimento de Campina Grande e mais 20 cidades do Compartimento da Borborema, está perdendo até 2 centímetros de água por dia devido a evaporação, e o consumo.

Por conta da escassez de água, pelo menos sete municípios da Paraíba já estão em colapso nos seus abastecimentos de água para consumo humano e outros 19 convivem com racionamento e 12 cidades já estão em colapso. Uma população estimada em quase 357 mil habitantes, nessas 25 cidades, enfrenta uma situação crítica no fornecimento de água tratada. Cidades como Nova Palmeira, Barra de São Miguel, Areia, Umbuzeiro, Remígio, Esperança, Aroeiras, Gado Bravo, Belém, Caiçara, Logradouro, Alagoa Grande, Serraria, Arara, Casserengue, Solânea, Bananeiras, Cacimba de Dentro e Araruna, estão atravessando um racionamento.

De acordo com o levantamento da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), mais 15 municípios estão seriamente ameaçados devido ao baixo nível dos reservatórios. De acordo com dados da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), 19 reservatórios estão com situação extremamente crítica, com menos de 7% da capacidade total.

Dos municípios com açudes que apresentam entre 0 e 3% estão o de Emas, que suporta pouco mais de dois milhões de metros cúbicos, mas tem apenas 17,6 mil (0,9% do seu total); o açude Serrote, que abastece Monteiro, tem 16 mil metros cúbicos de água (0,3% do total de 5,7 milhões de metros cúbicos que ele comporta); e o de Ouro Velho tem 2,5 mil metros cúbicos de água (0,2%, de 1,7 milhão de sua capacidade). Esses municípios ficam localizados na região do Cariri paraibano.

No Sertão, o manancial de São Mamede tem 157 mil metros cúbicos, o que representa 1% dos 15,7 milhões de sua capacidade de acúmulo; Chupadouro I, em São José do Rio do Peixe, tem 36,9 mil metros cúbicos, 1,3% da capacidade total de 2,8 milhões. O gerente regional de bacias hidrográficas da Aesa, Isnaldo Costa, explicou que a situação nas regiões do Cariri, Curimataú e Sertão é preocupante devido à chegada do final do período chuvoso nestas regiões.

“Os principais açudes do estado ainda não tiveram uma recarga suficiente. As chuvas que caíram nos últimos dias não foram suficientes, ainda é preciso racionalidade no uso da água. As chuvas que caíram na Paraíba foram chuvas finas ou moderadas, que não são suficientes para reabastecer os mananciais. Os açudes do Brejo ainda podem voltar à capacidade normal, devido à localização da quadra chuvosa, mas os açudes do Cariri, Curimataú e Sertão devem continuar em situação de alerta”, comentou Isnaldo Costa. Ele defende o uso racional da água.

PB Agora

Nova praga preocupa produtores de algodão do país


A Helicoverpa armigera é uma lagarta que chegou ao Brasil este ano e tem causado graves prejuízos às lavouras de algodão, milho e soja, entre outras. Por isso, ela será um dos principais temas científicos do 9º Congresso Brasileiro do Algodão, que começa amanhã em Brasília e espera receber 2,5 mil visitantes, inclusive do exterior, para discutir as tendências do setor e a crescente importância da cotonicultura brasileira no cenário mundial.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Pinesso, a praga não existia no Brasil, mas a lagarta se transforma em borboleta e consegue voar até mil quilômetros, bota ovos e gera novas lagartas, o que explica seu surgimento nas lavouras algodoeiras do país. “Ela come a maçã do algodão com tal voracidade que destrói toda a plantação”, disse Pinesso. Outro assunto que, segundo ele, estará em pauta no Congresso é o do preço mínimo do algodão, que não é reajustado há mais de dez anos.

De acordo com o presidente do Congresso, Milton Garbugio, essa edição do evento, que tem como tema geral Algodão, Gestão e Otimização de Resultados, será dividida em duas etapas. “Adotamos estrutura diferenciada das outras edições, com dois dias dedicados ao Módulo Negócios e dois ao Módulo Científico, para dar mais dinâmica aos debates e garantir a participação maior dos congressistas”,  disse Garbugio, que também preside a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).

O público-alvo do Congresso é formado pelas principais lideranças do segmento, empresas que investem diretamente no setor e por todos os envolvidos na cadeia produtiva do algodão.

A partir da safra 2013/14, o produtor brasileiro certificado pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) será automaticamente licenciado pela Better Cotton Initiative (BCI), iniciativa que busca garantir uma produção mundial ecologicamente correta. Segundo Gilson Pinesso, “O Brasil já é o maior produtor de algodão BC no mundo e com essa harmonização dos protocolos a tendência é termos um crescimento ainda maior”.

Apesar desse otimismo, os dados da Abrapa indicam que este ano a safra será menor que a de 2011/2012, quando atingiu 1,877 milhão de toneladas. Isso porque houve redução de 33% da área plantada, já que existe muita oferta do produto no mercado. Para este ano, portanto, a produção não passará de 1,263 milhão de toneladas.

Para a safra 2013/2014, a previsão é de alta de 28% na área plantada, o que deve elevar a produção para 1,422 milhão de toneladas. A produção mundial do produto este ano está estimada em 25,587 milhões de toneladas. A China, maior produtor mundial de algodão, tem safra estimada em 7,284 milhões de toneladas.

Revista Ecológico

Novo relatório da ONU aponta risco climático maior, diz agência


Algumas partes da natureza e da sociedade estão mais vulneráveis do que se esperava à mudança climática, segundo versão preliminar de um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que adota uma nova cor, o roxo, para mostrar o agravamento do risco além do nível vermelho usado até agora.

O texto diz que "sistemas ímpares e ameaçados", como os recifes de corais, espécies vegetais e animais sob risco de extinção, comunidades indígenas do Ártico, geleiras tropicais e pequenos Estados insulares, parecem menos capazes de se adaptar ao aquecimento do que se acreditava no relatório anterior, de 2007.

O esboço de 44 páginas do Sumário para Definidores de Políticas, redigido pelo Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC), tem a data de março de 2013, e é parte de uma série de relatórios do IPCC atualizando informações de 2007 para orientar os governos nacionais.

A Reuters teve acesso a uma cópia do relatório, cuja versão final deverá ser lançada em março de 2014, no Japão, após sofrer várias alterações por especialistas. "Seria equivocado tirar conclusões a partir dele", disse Jonathan Lynn, porta-voz do secretariado do IPCC.

Riscos extremos

Seja como for, o esboço feito pelos principais climatologistas do mundo adota o roxo em um dos seus cinco diagramas, o que resume os riscos para comunidades humanas e a sistemas naturais.

Esses diagramas são apelidados de "brasas", porque contém barras verticais cujo topo fica mais vermelho, refletindo uma escala em que as temperaturas médias do planeta sobem até 5 ºC.

O novo roxo substituirá o vermelho por volta dos 2º C de elevação da temperatura em relação aos níveis atuais, indicando riscos extremos para muitos sistemas naturais e humanos sob ameaça.

Os outros quatro diagramas que mostram as principais "razões para preocupação" continuarão terminando no vermelho.

O esboço diz que no geral não houve alterações significativas desde 2007 nos riscos nessas categorias -- riscos decorrentes de eventos climáticos extremos, difusão dos danos no planeta, custo geral da mudança climática e riscos de grandes mudanças, como um derretimento da capa de gelo da Groenlândia.

Quase 200 governos nacionais já concordaram em adotar até o final de 2015 um acordo que se destina a limitar o aquecimento global a 2 ºC acima dos níveis pré-industriais. Já houve um aumento de 0,8 ºC.

G1

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Plantio de culturas de subsistência no Semiárido nordestino: um caso a ser repensado, artigo de João Suassuna


O plantio de milho e feijão, na dependência de chuvas, no Nordeste Semiárido, é uma atividade que não faz parte das nossas propostas de convivência com o clima da região. O clima semiárido é muito irregular, no tocante à caída das precipitações, portanto, inadequado ao cultivo de tais culturas, quando plantadas em regime de sequeio (na dependência única e exclusiva das chuvas). Não assinaria embaixo uma proposta como essa, que viesse a pôr em risco o sustento e a vida do cidadão que reside no Polígono das Secas.
 
Em recente entrevista na mídia, Manelito Dantas Vilar, proprietário da fazenda Carnaúba, localizada no município de Taperoá (PB), no Semiárido paraibano, fez comentários sobre a loteria existente na caída das chuvas no Cariri do Estado, fazendo referência à semelhança existente com as precipitações de Paris, na França. Segundo ele, em Paris, as precipitações alcançam um volume médio anual de cerca de 600 mm, equivalente ao que é precipitado na região de Taperoá, em igual período. Apenas salientou uma diferença fundamental: as chuvas de Paris ocorrem em 183 dias, de forma bem distribuída no tempo e no espaço. Já as do Cariri paraibano ocorrem em cerca de 42 dias, no máximo, portanto concentradas irregularmente em curto período de tempo. Essa característica é imperiosa de ser observada, pois é, com ela, que advêm todas as impropriedades de se plantar, na região, as culturas de subsistência, que necessitam de umidade suficiente, e em momentos bem específicos do desenvolvimento da planta, para a satisfação de seu ciclo biológico de: germinar, se desenvolver, florir e frutificar.

Faltando a umidade necessária, em um dos segmentos do ciclo, haverá certamente a quebra da safra das culturas, com as consequências nefastas à vida do produtor rural, tão bem conhecidas por todos nós nordestinos. 

Uma planta de milho ou de feijão leva, em média, cerca de 90 dias para ser colhida. Na região semiárida, a semeadura dessas culturas costuma ocorrer no dia de São José (19 de março), para ser colhida no dia de São João (24 de junho). É a esperança do sertanejo de vir a ter milho verde no período junino, para a confecção das variadas iguarias de milho, tão apreciadas na região. É por essa razão que as chuvas ocorridas no dia de São José, enchem de esperanças o sertanejo, na crença de um ano com chuvas regulares e, portanto, de boas colheitas. 

Como produzir grãos numa região com problemas climáticos tão sérios, se podemos produzir, e com competência, a proteína animal em termos de carne e leite e, a partir desses produtos, adquirir os grãos necessários à alimentação, produzidos em outras localidades do país, com condições mais propícias para assim fazê-lo? É uma questão de se adequar uma política agrícola, que efetivamente não temos, a uma realidade regional. 

A Embrapa vem trabalhando a genética das plantas de milho e feijão, no sentido de torná-las precoces. Esse trabalho tem chegado a resultados interessantíssimos. Recentemente, a instituição desenvolveu nova variedade de feijão Caupi, com ciclo vegetativo inferior a 60 dias. Com esses resultados, a sua intenção é o de aumentar as chances nos plantios dos cultivares, quando realizados em regime de sequeiro, ou seja, a expensas das chuvas que, normalmente, ocorrem na região.

Respeitando as intenções da Embrapa nesse trabalho, mas a nossa opinião é a de que, mesmo com a utilização de cultivares precoces, os resultados nele obtidos não irão alcançar o sucesso desejado pelos pesquisadores, pelo simples fato de não haver ainda, na ciência, mecanismos de se fazer chover no momento adequado e nas quantidades volumétricas suficientes para a satisfação dos cultivos. Ora, no caso do Cariri paraibano, as chuvas são concentradas em 42 dias do ano. Nesse diminuto intervalo de tempo, torna-se impossível se prever a caída das chuvas, em volumes suficientes e no momento adequado, necessárias ao cumprimento do ciclo biológico dos vegetais, mesmo com as novas características de precocidade adquiridas. No caso do milho, por exemplo, em linguagem sertaneja, faltará sempre a chuva da “boneca” (fase vegetativa na qual a espiga está formada e os grãos estão em processo de desenvolvimento) e no do feijão o problema residirá na fase de desenvolvimento dos grãos.

Na visão de José do Patrocínio Tomaz Albuquerque, um dos maiores hidrogeólogos do Nordeste, os cultivos de subsistência no Semiárido são importantes, desde que haja aportes hídricos para realizá-los. Segundo ele, a alternativa correta na produção de alimentos, não é somente uma (sequeiro), mas a correção das irregularidades que o afetam pelo uso dos recursos hídricos acumulados, seja superficialmente, seja subterraneamente.

Além, é claro do incremento do xerofitismo. Porém, sem radicalismos. As águas subterrâneas continuam desconhecidas e, por isso, subestimadas em sua importância na correção de tais irregularidades. Principalmente as contidas nos aquíferos aluviais (há, inclusive, aquíferos aluviais intermitentes, como os rios, cujas águas não são aproveitadas e se perdem, também, por evaporação). Só um programa de pesquisas com sondagens poderia revelar onde e como dispor de todas estas águas subterrâneas dos aquíferos aluviais. Isso e tantas outros estudos e ações governamentais é o que falta para encarar, com relativo sucesso, o problema de nosso Semiárido”.

Isso posto, defendemos um novo modelo de exploração agrícola para ser implantado no Semiárido. Esse modelo deve passar, necessariamente, pela exploração racional da capacidade de suporte da região, com a utilização dos elementos biológicossolo, água, plantas xerófilas, e animais adaptados, fugindo, sempre que possível, das culturas de grãos na dependência de chuvas (culturas de sequeiro). A instabilidade climática da região é muito severa, resultando, invariavelmente, em perdas frequentes de safras.

Finalizamos essa breve análise, com uma observação feita por Mônica Silveira, repórter da Globo Nordeste, quando da realização da Série sobre a Seca de 2013, editada no mês de maio, no Recife. Numa hora em que estavam recolhendo, na caatinga, as carcaças dos animais mortos pela seca, a repórter se referia aos laticínios produzidos na fazenda Carnaúba, evidenciando a possibilidade de, mesmo em período de seca severa, se “produzir queijos finos no Semiárido, temperados com plantas nativas da Caatinga, direto da região mais seca do Brasil. Segundo ela, delicadeza e sabor para alcançar paladares de quem nem imagina o que é a luta para enfrentar tanta adversidade”.

Eco Debate