quinta-feira, 29 de novembro de 2012

EDUCAÇÃO: BRASIL ENTRE OS PIORES


Educação brasileira só perde para a Indonésia, ficando em pior colocação que países vizinhos como a Colômbia, Argentina e Chile, 36º, 35º e 33º, respectivamente

A Educação brasileira tem muito a melhorar. A orientação é anunciada por especialistas, após a divulgação de um ranking sobre a qualidade do Ensino em que o Brasil figura entre os piores do mundo. A pesquisa, encomendada à consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit), pela Pearson, divulgada ontem, mostrou que o país está em penúltimo lugar, em uma análise que engloba 40 países. A Educação brasileira só perde para a Indonésia, ficando em pior colocação que países vizinhos como a Colômbia, Argentina e Chile, 36º, 35º e 33º, respectivamente. No topo da lista, ficaram Finlândia, Coreia do Sul, Hong Kong, Japão e Cingapura.O diretor superintendente de Educação básica da Pearson no Brasil, Mekler Nunes, explica que, apesar do penúltimo lugar, o Brasil ostenta o dado positivo de ter aparecido no ranking. A pesquisa incluiu apenas os países com métricas claras, confiáveis e capazes de serem comparáveis internacionalmente. “Se por um lado é ruim, por outro mostra que estamos fazendo nosso dever de casa na gestão educacional. Esse é o grande passo que toda nação tem de dar”, argumenta.
Segundo Nunes, as nações que se destacaram no levantamento são aquelas que tem a cultura da Educação bem inserida na sociedade e valorizam os Docentes. “O Professor ainda é o agente vital dos processos educacionais. É pelo Professor que a eficácia da aprendizagem é ampliada. Nos países de melhor performance, o profissional tem uma valorização melhor e esse é um dos avanços que precisamos ter.”
A posição na classificação acende mais uma vez o sinal de alerta, de acordo com o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. O especialista lembra que, independentemente da metodologia do levantamento, o Brasil precisa se adiantar. “Esse índice é sistêmico. O Brasil está sempre entre os últimos. Em 2040, seremos um país de adultos e idosos. Quando isso acontecer, a gente precisa estar bem preparado, com profissionais com boa formação que garantam a capacidade produtiva do país. A soberania passa pela Educação da geração atual e, nisso, estamos muito mal”. Procurado pela reportagem, o Ministério da Educação não comentou a pesquisa. 

Fonte: Diário de Pernambuco (PE)

 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Geografia Agrária


1. (FACID) O Piauí forma, com os Estados do Maranhão, Bahia e Tocantins, a região denominada de MAPITOBA, uma área de expansão econômica e moderna. Destacam-se, entre as atividades desenvolvidas nesta região,

a) grandes projetos de mineração com destaque para a extração de ferro e manganês.
b) a exploração de grandes jazidas carboníferas, devido ser uma área rica em hidrocarbonetos.
c) a instalação de um centro têxtil que se beneficia da grande produção algodoeira da região.
d) a construção de um pólo termelétrico, explorando o grande reservatório de gás natural encontrado na área.
e) a formação de uma fronteira agrícola em grandes latifúndios destinada à industrialização e à exportação de commodities.

2. (FEI) Sobre as características da expansão da fronteira agrícola brasileira para áreas de cerrado, sobretudo nos estados do Mato Grosso, Tocantins e sul do Maranhão, assinale a alternativa incorreta:

a) Como são áreas novas, a incorporação agrícola é feita sem reproduzir as estruturas produtivas preexistentes, permitindo uma nova dinâmica espacial, facilitada pelas baixas densidades demográficas.
b) Há utilização de pesquisa científica, que possibilita a adaptação de espécies vegetais como soja, milho e algodão às características do cerrado.
c) Há uso intensivo de máquinas, equipamentos e insumos, que são determinantes para os bons índices de produtividade que predominam nas culturas introduzidas.
d) Há o predomínio de climas com período seco definido e topografia plana, facilitando a mecanização e a previsão de safra.
e) Há a presença de bioma com baixa diversidade biológica e com pouco interesse preservacionista, o que justifica a expansão agrícola para estas áreas.

3. (FGV-SP) Considere as assertivas sobre a agricultura brasileira. 

I. A modernização do campo brasileiro possibilitou o crescimento da agricultura familiar comercial, ampliando a produção e a produtividade.
II. Nestas últimas décadas, a agricultura camponesa tornou-se antieconômica, porque não conseguiu incorporar mu- danças estruturais e, praticamente, desapareceu do campo brasileiro.
III. Nas últimas décadas, a industrialização da agricultura contou com o apoio do Estado que, oferecendo financia- mentos e infraestrutura, priorizou os produtos destinados à exportação.
Está correto somente o que se afirma em
a) I.
b) II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.

4. (UNICAMP) “A produção de grãos no Brasil na safra 2009/2010 será recorde (147,10 milhões de toneladas), superando em 8,8% o volume produzido na safra 2008/2009 (....). A área plantada na safra 2009/2010 é de 47,33 milhões de hectares, 0,7% menor que a cultivada na safra 2008/2009.” (Jornal Brasil Econômico, 06/08/2010, p. 17.)

O aumento de produção de grãos em área menor indica um aumento da produtividade, em função dos seguintes fatores:

a) uso de sementes geneticamente modificadas, baixa utilização de insumos agrícolas e de maquinário, mão de obra predominantemente assalariada e uso intensivo do solo.
b) uso de sementes de melhor qualidade, maior utilização de insumos agrícolas e de maquinário, mão de obra predominantemente assalariada e uso intensivo do solo.
c) uso de sementes de melhor qualidade, maior utilização de insumos agrícolas e de maquinário, mão de obra predominantemente familiar e uso extensivo do solo.
d) uso de sementes geneticamente modificadas, maior utilização de insumos agrícolas e de maquinário, mão de obra predominantemente familiar e uso intensivo do solo.

Respostas:
1) E
2) E
3) D
4) B

domingo, 25 de novembro de 2012

Sertanejo improvisa tipoia para manter de pé a última vaca do rebanho dizimado pela seca


Mais de 40% do rebanho bovino da Paraíba já foi dizimado pela prolongada estiagem. Desesperados com a morte dos animais, pequenos produtores da zona rural improvisam de tudo para salvar as últimas reses. É o caso de seu Jorge dos Santos, 52 anos, que tem um pequeno roçado no município de Itaporanga (na região do Vale do Piancó, a  420 quilômetros de João Pessoa). Sua última vaca leiteira, sem força para se sustentar de pé, é amparada por uma tipoia feita com redes velhas amarradas em quatro traves.
 
A cena dramática foi registrada pelo padre Djacy Brasileiro, pároco da cidade de Pedra Branca, na mesma região, que vem denunciando a falta de assistências dos governos aos agricultores e produtores que perderam tudo o que investiram por conta da seca.
 
Seu Jorge tinha 11 animais em seu rebanho. A maioria morreu de sede e fome. Hipertenso, há uma semana ele foi encontrado desacordado no meio do terreiro, próximo de uma vaca que também morreu tentando parir. “A vaca, uma das últimas que eu tinha, morreu depois de tentar parir e não ter forças. Não agüentei de tanta tristeza, passei mal e desmaiei. Sofro de pressão alta e caí ao ver meu animal morrer de fome, sede e sem ter sua cria”, narra.  
 
Ele teve que se desfazer de outros animais, vendendo-os  a preço abaixo do mercado local, para fugir de um prejuízo maior. A única vaca que sobrou está magra e mal consegue parar de pé. Pele e osso sustentados por cordas de agave, para tomar água e comer das mãos do seu dono.
 
A tentativa desesperada de seu Jorge para manter vivo seu último animal é comovente. Ele diz que vai fazer tudo que puder para que a vaca sobreviva até fevereiro do próximo ano, quando a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) prevê que chova na região. Para seu Jorge, esse último animal é um símbolo da perseverança e da resistência do povo sertanejo.
 
Itaporanga é um dos 195 municípios sob estado de emergência decretado pelo Governo do Estado. O principal manancial que abastece o município, o açude Cachoeira dos Alves, com capacidade para acumular 10,6 milhões de metros cúbicos de água, está com menos de 33% do seu total.
 
O município tem uma população estimada em 17.632 habitantes, sendo que na zona rural moram 5.563 pessoas. Seu Jorge está entre os moradores da zona rural, no sítio Riachão. 

Portal Correio

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Água mineral vira artigo de luxo em cidades da Paraíba e da Bahia


Os Estados da Bahia e Paraíba têm 454 cidades em situação de emergência por conta da seca. São 259 municípios baianos e 195 paraibanos. Mais de três milhões de pessoas já foram afetadas pelas consequências da prolongada estiagem.

A venda de água potável em algumas regiões mais afastadas se tornou um negócio lucrativo. Em algumas cidades não chove desde março de 2011. Chega-se a cobrar 60% a mais do que o comum por uma garrafa. No sertão paraibano, um carro pipa custa R$ 200, o que dificulta que algumas famílias consigam ter acesso. Um galão pequeno custa R$ 18.

Em Bernardino Batista, no sertão paraibano, para encher uma caixa de água é necessário pagar R$ 50. Os agricultores não conseguem alimentar os bois e não raramente eles são encontrados mortos. Alguns criadores queimam diversos animais já sem vida de uma só vez para evitar o mal cheiro e a proliferação de doenças.

Na Bahia, a Coordenação Estadual de Defesa Civil informou que houve perda de 25% de tudo que se foi plantado no Estado. Algumas cidades decretaram emergência pelo baixo nível dos reservatórios e outros pelo aumento do número de focos de incêndio. Em alguns casos, não existe água nem para apagar as chamas.

Cerca de 75% do território paraibano e 65% do baiano estão com os decretos de emergência vigentes. Em algumas áreas existe a previsão de chuva para dezembro, mas em outras não deve chover mais neste ano.
 
R7

Cássio pede a Dilma que decrete estado de emergência no Nordeste


Da tribuna, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) fez, nesta quarta-feira, 21, um apelo à presidente da República, Dilma Rousseff, pela decretação do estado de emergência em razão da seca que devasta o Nordeste. “Venho bradar desta tribuna em relação à gravíssima situação que o Nordeste enfrenta naquela que está sendo constatada como a mais longa estiagem dos últimos 40, 50 anos. Diante da letargia do Governo Federal na adoção de providências, lembro-me de uma frase do tribuno e poeta Raymundo Asfora, que certa feita disse, em relação ao Nordeste: “o Governo Federal promete como sem falta e falta como sem dúvida” - denunciou.

Segundo Cássio, as populações estão passando sede, porque o Governo Federal não repassa ao Exército Brasileiro, que é o responsável pelo suprimento de água por meio dos caminhões-pipas, os recursos suficientes para abastecer as populações rurais. “Ao mesmo tempo em que a população tem de se socorrer de um caminhão-pipa para comprar uma lata d’água para sua sobrevivência, ela tem de beber água barrenta diante da omissão do Governo Federal, que simplesmente faz de conta que o problema não existe. O nosso rebanho está sendo dizimado, a avicultura no Nordeste está sendo destruída porque, simplesmente, não temos como fazer a distribuição de milho” – lamentou.

O senador explicou que a Conab só pode contratar o sistema logístico dos portos se a Presidência da República decretar o estado de emergência no Nordeste, a exemplo do que já foi feito pelos estados e pelos municípios. “A Conab só pode usar o instrumento da dispensa de licitação, previsto na Lei 8.666, se houver o decreto presidencial” – disse, com didatismo.

Cássio explicou ainda que a Paraíba recebeu 21 mil toneladas de milho, à proporção de 3 mil toneladas de milho por semana, o que é insuficiente para as necessidades, e que ainda há 21 mil toneladas a serem distribuídas. Isso só poderá ser feito, com a pressa necessária, se o Governo Federal decretar o estado de emergência da região para que a Conab possa dispensar a licitação e utilizar de pronto o Porto de Cabedelo para a distribuição e estocagem de milho.

- Fica aqui o nosso alerta, de forma reiterada e renovada, e nosso apelo para que a presidente Dilma faça o decreto de reconhecimento do estado de emergência do Nordeste, para que as providências com as dispensas de licitações necessárias sejam adotadas 'para ontem' – exortou Cássio.
- É uma situação de caos, desolação completa e omissão absoluta do governo federal com relação ao Nordeste brasileiro, exigindo providências urgentes, porque boa vontade e promessas não resolverão nosso problema – finalizou Cunha Lima.

Blog do Tião Lucena

Governador da PB prorroga situação de emergência em mais 25 cidades


O governador Ricardo Coutinho (PSB) prorrogou por mais seis meses a situação de emergência de 25 cidades da Paraíba por causa da seca. O decreto de prorrogação foi publicada nesta quinta-feira (22) no Diário Oficial do Estado. O prazo decretado anteriormente se encerraria na próxima semana.

Na Paraíba, 195 municípios vêm sofrendo com a seca. No início de novembro, o governador Ricardo Coutinho já havia prorrogado por mais 180 dias a situação de emergência em 170 dessas cidades.
Tiveram a situação de emergência prorrogada nesta quinta, as cidades de Alagoa Grande, Araçagi,  Areia, Belém, Caldas Brandão, Capim, Cuité de Mamanguape, Duas Estradas, Guarabira, Gurinhém, Mamanguape, Matinhas, Mulungu, Pilar, Pilões, Pirpirituba, Pedro Régis, Rio Tinto, São José dos Ramos, São Miguel de Itaipu, Serra da Raiz, Serra Redonda, Sertãozinho, Sobrado e Lagoa de Dentro.

No decreto o governador destaca que a Paraíba “está passando por uma das piores secas dos últimos 30 anos, tendo gerado prejuízo às atividades agropecuárias”. Ricardo ressalta ainda que a prorrogação da situação de emergência se fez necessária porque “não há perspectiva, nos próximos meses, de chuvas para as áreas afetadas pela seca”.

G1 PB

Paraibanos passam fome e racionam água por causa de seca no Sertão


As regiões do Cariri, Curimataú e Sertão da Paraíba são as mais atingidas pela seca que atinge o estado e registraram 62% abaixo da média histórica no seu período chuvoso, que é de 1.880 milímetros no somatório das três regiões. Entre fevereiro e maio, a análise da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa-PB) constatou que o Alto Sertão ficou 48,6% abaixo da média, o Cariri/Curimataú registrou menos 78,9% e o Sertão com 58,7% inferior ao índice histórico de chuvas.
O homem e o gado lutam pela sobrevivência em uma das secas mais rigorosas dos últimos 30 anos na Paraíba, segundo os agricultores. Os cadáveres e ossadas dos bichos mortos de fome e sede acumulados nas estradas chegam a formar cemitérios de animais a céu aberto no Sertão do estado. Quase dois milhões de paraibanos sofrem com a falta de comida e o racionamento de água e muitas vezes tiram do próprio sustento para a sobrevivência dos animais.
Este é um dos retratos da seca que afeta os nordestinos. Na zona rural de Monteiro, no Cariri do estado, a agricultora Helena Deodato da Silva mora há mais de 40 anos no sítio Várzea Limpa. 'Dona Deló', como é mais conhecida na região, tem 77 anos e sobrevive graças à ajuda de vizinhos. Com o que resta de esperança, ela aguarda a chegada chuva.


A torturante rotina da idosa se estende desde o início do ano. A plantação está deserta onde antes havia apenas alguns pés de palma. “Seca igual a essa eu nunca enfrentei, porque antes tinha pelo menos algo para dar aos bichos. A última chuva na região foi em fevereiro, de lá para cá nem um pingo caiu. Por isso a gente não tem mais nem palma sobrevivendo nesse sol e nem consegue plantar nada porque não dá. Os vizinhos de vez em quando me ajudam. Me deram esse mandacaru, estou capinando ele para retirar os espinhos e dar ao gado”, contou a agricultora.
Seus animais estão morrendo lentamente, três já se foram somente nos últimos meses, e em seu terreno não nasce mais nada que possa servir de ração para o gado. “Tenho que ter esperança de chuva. Se não escapar dessa vez, minha vida termina por aqui. Não vou sair da minha terra. Só saio direto para o cemitério”, garantiu.


O G1 viajou 1,5 mil quilômetros cortando o interior da Paraíba, percorreu 7 cidades e acompanhou o sofrimento de paraibanos que enfrentam a seca vivenciada por habitantes dos 195 municípios que estão há quase um ano em situação de emergência, devido à estiagem.
Criadores esperam até três meses para conseguir uma única saca de ração para o gado nos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Enquanto a maioria convive com a escassez das chuvas, o açude de Coremas, maior reservatório de água do estado, esvazia sua capacidade e está de comportas abertas para o abastecimento do Rio Grande do Norte, segundo o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs).

Poços artesianos, raros açudes particulares já enlameados e carros-pipa ajudam a abastecer as comunidades. No solo ressecado, nem mesmo a palma forrageira, planta cáctea que se desenvolve na mais rigorosa das secas, está sobrevivendo. Com a falta de chuvas, agricultores na região de Patos estão dando ao gado para beber água de esgoto, oriunda do rio Espinharas.


Na zona rural de Conceição, no Sertão paraibano, pequenos açudes particulares garantem a subistência de 18 mil habitantes. “Todo mundo em Conceição vem buscar água no meu açude. Já secou muito e não tem outros. Vou esperar até o fim do mês ajudando porque gosto de todos, mas não ganho nada com isso. Quase não tem mais água nem para minha família e não vou deixar que continuem pegando água até que chova de novo, não posso fazer nada”, disse o agricutor Manoel Tavares de Menezes, de 78 anos, morador do sítio Lagoa Nova.
Um dos açudes que abastece o município de Monteiro, no Cariri do estado, está com apenas 1,6% da sua capacidade. “Esse açude só sangrou em 1986, no ano em que eu nasci. Até semanas atrás ainda vinha carro-pipa buscar água, mas agora só tem lama e ninguém tira mais nada”, agricultor Ricardo Gonçalves, 26 anos, sobre o reservatório.

Meteorologia

De acordo com a Aesa-PB, as regiões do Cariri, Curimataú e Sertão do estado são as mais castigadas pela estiagem. As chuvas registradas de fevereiro a maio foram 62% abaixo da média histórica. “Entre fevereiro e maio, a análise constatou que o Alto Sertão ficou 48,6% abaixo da média, o Cariri/Curimataú ficou 78,9% abaixo e o Sertão com 58,7% inferior ao índice histórico”, afirmou a meteorologista Marle Bandeira.

A fraca precipitação pluviométrica é comparada à intensa seca registrada em 1998, quando o clima paraibano foi afetado pelo fenômeno 'El Niño' e foi registrado 70% abaixo da média histórica. “As condições eram diferentes. Em 2012, foram as condições do oceano Atlântico Sul que estava com águas mais frias que a média. Com isso houve o desvio negativo de chuvas”, pontuou a especialista. Em dezembro a Aesa realiza reunião onde irá elaborar previsão climática para 2013.

 G1


Países voltam a debater compromissos contra efeitos das mudanças climáticas


A partir da próxima semana, negociadores de mais de 190 países voltam a discutir as responsabilidades para conter os impactos das mudanças climáticas. Durante a 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18), que ocorrerá de 26 de novembro a 7 de dezembro, em Doha, capital do Catar, técnicos, especialistas e autoridades governamentais devem estabelecer uma nova agenda e reforçar compromissos já assumidos para minimizar os efeitos provocados pelas alterações do clima, que afetam milhares de pessoas em várias regiões do planeta com secas extremas e enchentes, por exemplo.

A conferência será aberta sem grandes expectativas por parte dos governos. Os negociadores sabem, por exemplo, que o debate sobre o Fundo Verde, um mecanismo de financiamento para os países menos desenvolvidos estabilizarem as emissões de gases de efeito estufa (GEE), não deve evoluir. Nos encontros internacionais mais recentes, os representantes das economias mais desenvolvidas, que deveriam repassar o dinheiro, têm reforçado que os efeitos da crise econômica  minam qualquer tipo de comprometimento financeiro.

O fundo poderia ser usado para ajudar a estancar o desmatamento em países com menos condições de investir na redução de emissões de gases de efeito estufa. No caso brasileiro, o governo tem destacado os resultados positivos obtidos com a queda do desmatamento ilegal. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, a derrubada ilegal de árvores nas florestas nacionais caiu de 29 mil quilômetros quadrados (km²) em 2004, para 6,4 mil km² em 2012.

Mesmo sem previsão de definições sobre o tema e o debate sobre o Redd (sigla de Redução das Emissões Geradas com Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento), negociadores dos países emergentes e nações mais pobres esperam que os assuntos, ao menos, estejam incluídos na pauta da COP18.

A maior aposta dos negociadores em relação à conferência é a conclusão da segunda rodada de compromissos do Protocolo de Quioto. Assinado por mais de 180 países, o tratado passou a valer em fevereiro de 2005, com um conjunto de metas e limites de emissão de gases para os países desenvolvidos. O prazo do acordo termina no final de dezembro e, para evitar uma lacuna dessas medidas, os negociadores devem se esforçar para definir quais serão os próximos passos a serem assumidos.
Mais do que expectativa, a definição dos novos compromissos de Quioto é apontada como ponto indispensável para que a conferência no Catar seja considerada produtiva, principalmente, porque o novo acordo será o ponto de partida para outras discussões mais complexas, como o próprio debate sobre o financiamento de medidas verdes. Ainda sim, existem barreiras polêmicas, como o prazo de validade desses novos compromissos.

Alguns países defendem que o segundo período de 2013 tenha validade de cinco anos, como ocorreu até agora. Mas, outros países, como o Brasil, acreditam que isso geraria problemas porque, ao final de 2017, as metas dos países inscritos no protocolo acabariam e um novo acordo só entraria em vigor em 2020, que seria a Plataforma Global, acertada em dezembro do ano passado, em Durban, na África.
A plataforma propõe um acordo que envolva todos os integrantes das Nações Unidas em torno das metas de redução de emissões dos gases de efeito estufa. A ideia é que as regras sejam concluídas até 2015, mas que apenas em 2020 substituam o Protocolo de Quioto.
 
Agência Brasil

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Geografia - Transportes


1.(CEFET-MG) Sobre a matriz de transportes brasileira, afirma-se:

I - Há uma concentração de ferrovias na região Centro-Oeste devido à ampliação dos investimentos internacionais.
II - O incremento estatal na infra-estrutura aérea possibilitará um escoamento significativo da exportação dos produtos agrícolas.
III - A preferência pelas ferrovias em detrimento da navegação de cabotagem, deve-se à sua maior capacidade de carga.
IV - A modalidade rodoviária apresenta um percentual de utilização superior às demais tipologias.
V - A expansão da rede dutoviária, a partir do final do século XX, efetivou-se em consonância com o processo de diversificação da matriz energética brasileira.

Estão corretas apenas as afirmativas

a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) III e V.
e) IV e V.

2.(PUC-PR-CURSOS SUPERIORES DE TECNOLOGIA) Em abril de 2010 um vulcão entrou em erupção na Islândia. Apesar da sua localização geográfica, as fumaças lançadas na atmosfera levaram ao fechamento de vários aeroportos da Europa, provocando atrasos e cancelamentos de viagens em escala mundial. Essa situação demonstra que:

a) No mundo globalizado a dependência dos transportes aéreos e a necessidade da rapidez nos deslocamentos de pessoas e no transporte de cargas são tamanhas, que mesmo os trens de alta velocidade, existentes em vários países europeus, não conseguem suportar o volume a ser transportado, o que pode causar um verdadeiro “caos aéreo”.
b) Os aeroportos do norte da Europa foram fechados para servir de alojamento à população que precisou ser evacuada das áreas de risco nas imediações do vulcão, afetando, dessa forma, o transporte aéreo mundial.
c) O conhecimento científico e a tecnologia sísmica foram capazes de prever a atividade vulcânica com bastante antecedência. Assim foi possível evacuar a população das áreas de risco, fator que causou o congestionamento dos principais aeroportos da Europa.
d) O verdadeiro caos no transporte aéreo decorreu do intenso movimento de passageiros nos aeroportos da Europa, pois o derrame das lavas vulcânicas comprometeu a estrutura das principais rodovias do continente e fechou as estações de trens.
e) Nenhuma das alternativas anteriores é correta.

3.(UFMG) Considerando-se as redes que compõem as diferentes modalidades de transporte no Brasil, é INCORRETO afirmar que

a) as ferrovias são, em sua grande extensão, utilizadas sobretudo para o escoamento da produção mineral e subutilizadas no transporte interurbano e interregional de passageiros.
b) as hidrovias tornariam o preço do produto agrícola brasileiro mais competitivo no mercado internacional, mas têm sua implementação dificultada pelo custo e pelos impactos ambientais decorrentes de seus projetos.
c) as rodovias, principal modalidade de transporte do País, assumem, com alto custo, elevada tonelagem no deslocamento de mercadorias diversas e maior percentual de tráfego de passageiros.
d) o transporte aéreo registra um uso mais intenso nas regiões do País onde há grandes distâncias entre os principais centros urbanos e fraca densidade das redes rodoviária e ferroviária.

4.(ACAFE) Em um mundo economicamente globalizado o capital não encontra fronteiras físicas e, desta forma, reina a liberdade de comércio entre os países do mundo. Para um maior fortalecimento das posições econômicas ou para intensificar as relações comerciais entre si, alguns países for-mam alianças, os blocos econômicos.
Sobre os blocos econômicos é correto afir-mar, exceto:

a) As Zonas de Livre Comércio são acordos comerciais que visam a redução ou eliminação de tarifas aduaneiras entre os países membros do bloco, como é o caso do NAFTA.
b) O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) é uma associação de expres-são mundial reduzida e se caracteriza pela livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais.
c) Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, paí-ses integrantes do MERCOSUL, compõem um bloco econômico que estabelece as mesmas tarifas de exportação e importação para o co-mércio internacional fora do bloco.
d) O bloco econômico com maior nível de avanço e de integração econômica é a União Européia, pois, além de participar dos acordos do mercado comum, encontra-se na etapa da união econômica e monetária.

Respostas:

1)E
2)A
3)D
4) B
 

Temperatura pode registrar até 4ºC a mais no fim deste século, alerta estudo


Inundação de cidades costeiras, agravamento de seca em algumas regiões do mundo e de ondas de calor são cenários prováveis, caso os países não cumpram as promessas que têm firmado de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Estudo encomendado pelo Banco Mundial revelou que se as economias do mundo não adotarem posturas mais ambiciosas em relação ao clima e ao meio ambiente, a temperatura pode registrar até 4 graus Celsius (ºC) a mais no fim deste século.

De acordo com a pesquisa, todas as regiões do mundo sofreriam, mas as nações mais pobres seriam as mais afetadas pelos riscos à produção de alimentos, que podem elevar as taxas de subnutrição e desnutrição, ao agravamento da escassez de água e à maior ocorrência de fenômenos como ciclones tropicais e perda irreversível da biodiversidade.

Algumas cidades de Moçambique, Madagascar, do México, da Venezuela, Índia, de Bangladesh, da Indonésia, das Filipinas e do Vietnã estariam mais vulneráveis  à elevação do nível do mar em 0,5 metro (m) a 1m até 2100. O estudo destaca que as regiões mais vulneráveis estão nos trópicos, em regiões subtropicais e em direção aos polos, onde múltiplos impactos podem ocorrer simultaneamente.

Mesmo diante do alerta, os representantes do Banco Mundial destacaram que ainda é possível manter a elevação da temperatura no mundo abaixo dos 2ºC, meta assumida por autoridades de quase 200 países que estiveram reunidos na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em 2010.

A possibilidade de evitar 4°C a mais na temperatura mundial, segundo o estudo, dependeria de uma ação política sustentada da comunidade internacional. Ainda assim, a pesquisa indica que alguns danos e riscos ao meio ambiente e às populações não poderiam ser mais evitados.

Pesquisadores da instituição apontam o uso mais eficiente e mais inteligente da energia e dos recursos naturais como uma das medidas de redução do impacto do clima sobre o desenvolvimento, sem que isso represente  ameaça ao ritmo de redução da pobreza no mundo e ao crescimento econômico das nações.

Agência Brasil

sábado, 17 de novembro de 2012

Menos taxas para a aquicultura


Para simplificar o licenciamento ambiental de atividades aquícolas (que englobam atividades como a pesca e a criação de rãs, moluscos e camarões), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou nesta terça-feira (13) um decreto que prevê isenção da taxa de licenciamento para os pequenos criadores, que têm pequeno potencial poluidor. O programa foi chamado de Via Rápida Ambiental da Aquicultura.

"Queremos, em dez anos, quintuplicar a produção de peixe. Hoje a aquicultura produz em torno de 40 mil toneladas por ano e nós queremos ir para 200 mil toneladas por ano", disse o governador. Com o decreto estadual, os pequenos criadores de São Paulo poderão ser isentos da taxa.

“Antes tinha-se que pagar R$ 19 mil [para o licenciamento], além da burocracia. Agora, o pequeno produtor da pisicultura em tanque escavado, até 5 hectares; do camarão em água doce até 5 hectares; da ranicultura [criação de rãs] até 400 metros quadrados; da algicultura [criação de algas] até 5 hectares; e da malacocultura [criação de moluscos] até 2 hectares é zero. Não vão precisar pagar nada. Só precisam se inscrever na Secretaria de Agricultura”, explicou o governador.

Os demais produtores terão à disposição um modelo simplificado, com taxas que poderão alcançar em torno de R$ 5,5 mil, em caso de médio impacto ambiental, e R$ 1,9 mil, em caso de baixo impacto ambiental. Com a assinatura do decreto, o governo paulista pretende, além de desburocratizar o processo, aumentar o número de criadores formais.
A cerimônia de assinatura ocorreu na tarde de hoje (13) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e foi acompanhada pelo ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella. “São Paulo tem um grande potencial para produção de pescado e aquicultura. Esperamos que, em breve, São Paulo possa produzir 500 mil toneladas de pescado por ano”, disse o ministro. Hoje, segundo o ministério, o país produz 1.264.764,9 toneladas de pescado por ano.

Segundo o ministro, a expectativa do governo federal é que outros estados também comecem a simplificar o licenciamento de atividades aquícolas, que compreendem o cultivo ou a criação de organismos cujo ciclo de vida ocorre total ou parcialmente em meio aquático.

Agência Brasil

Justiça pede prisão de frei que denunciou uso de agrotóxicos em Minas Gerais


Frei Gilvander Moreira, assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Minas Gerais, pode ser preso por determinação da Justiça mineira. O motivo seria um vídeo produzido e postado por ele no Youtube, em que denuncia o uso de agrotóxicos no feijão Unaí. O produto era utilizado na merenda de estudantes da cidade de Unaí, em Minas Gerais. Segundo Frei Gilvander, o excesso de agrotóxicos no alimento está relacionado ao grande número de casos de câncer na cidade. “Unaí é um distrito considerado campeão na produção de feijão e, para nossa tristeza, está sendo também campeão no número de pessoas com câncer”, disse em entrevista à Rádio Brasil Atual.
 
Foi conversando com a professora de uma escola municipal que Frei Gilvander ficou sabendo que 30 quilos de feijão tiveram de ser jogados fora pelas cozinheiras. “Logo perceberam que o feijão estava com muito veneno, o cheiro era fortíssimo, então decidiram não dar para as crianças.” Frei Gilvander gravou um vídeo reportando a situação com o título “O feijão Unaí está envenenado?” e o colocou na internet.

“A empresa entrou na justiça contra o Google, o Youtube e conta mim, alegando danos morais. O juiz concedeu uma liminar determinado que o vídeo fosse retirado do ar.” Porém, o vídeo não foi retirado pelo Google e pelo Youtube. “Desde o dia 29 de outubro, quando terminou o prazo dado pelo juiz, há um mandado de prisão contra mim.” Para o Frei, o episódio revela as prioridades do judiciário. “Isso dá a entender que o judiciário está do lado de uma empresa que não tem escrúpulos. O juiz não mandou investigar a qualidade do feijão, preferiu mandar prender quem estava denunciando.”

O mandado de prisão contra Frei Gilvander tem recebido apoio de movimentos sociais. Foi feito um manifesto contra o uso excessivo de agrotóxicos e contra a criminalização do Frei, assinado por mais de 80 organizações e atores sociais. Entre elas, a CUT de Minas Gerais. Os números dados pelo Frei assustam. “Nos últimos dez anos, a cada ano, em média, aparecem 1260 pessoas com câncer em Unaí, isso é quatro vezes mais que média mundial. Não podemos ser cúmplice do envenenamento da alimentação que está acontecendo no Brasil.”

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Ministro do STF nega suspensão de reajuste para professores


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa negou pedido de liminar (decisão provisória) de seis governadores para suspender o índice de reajuste do piso nacional de professores da rede pública, definido em lei de 2008.
O critério atual leva em conta o aumento no valor gasto por aluno no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Com base nesse parâmetro, o reajuste deste ano foi de 22,22% em relação ao valor pago ano passado o salário subiu de R$ 1.187 para R$ 1.451.
Com dificuldade para cumprir a regra, muitos Estados ainda não pagam o valor estipulado.
Em sua decisão, o ministro argumentou que o Supremo já considerou constitucional a fixação do piso para a rede pública em 2011 e que esse questionamento sobre o mecanismo de reajuste deveria ter sido feito nesta ação.
"Essa omissão sugere a pouca importância do questionamento ou a pouco ou nenhuma densidade dos argumentos em prol da incompatibilidade constitucional do texto impugnado", disse.
Barbosa rebateu ainda tese dos governadores de que pode faltar recursos para pagar a correção. Ele sustenta que previsão legal obriga a União a complementar os recursos locais para atendimento do novo padrão de vencimentos. "Toda e qualquer alegação de risco pressuporia prova de que o governo federal estaria a colocar obstáculos indevidos à legítima pretensão dos entes federados a receber o auxílio proveniente dos tributos pagos pelos contribuintes de toda a Federação".
Para o relator, há a judicialização precoce da questão. "Sem a prova de hipotéticos embaraços por parte da União, a pretensão dos requerentes equivale à supressão prematura dos estágios administrativo e político previstos pelo próprio ordenamento jurídico para correção dos deficits apontados", disse.
O mérito da ação ainda será analisado pelo plenário do Supremo, mas não há previsão para ocorrer.
Os governadores defendem um novo parâmetro que permita um menor impacto nas contas públicas. Segundo a ação, a fórmula atual causa um impacto de tal forma no orçamento dos Estados que pode comprometer os demais serviços dos governos estaduais e municipais e inviabilizar investimentos.
Na ação, os Estados destacam a diferença entre o reajuste atual e o que seria aplicado com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O INPC acumulado em 2011 foi de 6,08%.
"O sistema, por certo, retira dos entes federados todo e qualquer controle sobre seus orçamentos, cabendo a um órgão da Administração Federal, a definição dos reajustes, a partir de critérios inseguros e imprevisíveis", diz a ação.
O documento é assinado por governadores dos Estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina. Entre eles, há apenas um petista: o governador Tarso Genro, ex-ministro da Educação.
Ao validar o piso no ano passado, o Supremo entendeu que ele deve ser composto apenas pelo vencimento básico, sem levar em consideração os benefícios adicionais, como vale-refeição e gratificações. A decisão teve origem em outra ação direta de inconstitucionalidade proposta pelos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará.
Fonte: Folha de São Paulo

Programa federal contra o crack abrirá perto de 10 mil vagas


O programa do governo federal “Crack, é Possível Vencer” deve abrir aproximadamente 10 mil vagas gratuitas para usuários e dependentes de drogas em todo o país.
Segundo o Ministério da Justiça, os recursos são provenientes do Fundo Nacional Antidrogas (Funad). Serão R$ 1 mil por mês pelos serviços de acolhimento de adultos e R$ 1,5 mil para crianças, adolescentes e mães em fase de amamentação.

O edital da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça (Senad) para habilitação e pré-qualificação de entidades para celebrar contrato de prestação de serviços foi publicado no Diário Oficial da União  no último dia 8. A Senad, órgão do Ministério da Justiça, oferecerá cursos e avaliará os serviços prestados pelas entidades, e as comunidades terapêuticas selecionadas devem, obrigatoriamente, participar da capacitação dos profissionais e voluntários que atuarão com as pessoas acolhidas.

Além disso, as entidades devem obedecer alguns parâmetros terapêuticos para a prestação dos serviços, tais como não praticar ou permitir a contenção física, isolamento ou restrição à liberdade da pessoa acolhida; respeitar a internação voluntária, exceto para casos previstos em lei; obedecer legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre requisitos de segurança sanitária exigidos para o funcionamento de instituições do gênero; comunicar formalmente o acolhimento voluntário da pessoa em tratamento às redes do Sistema Único de Sáude (SUS), do Ministério da Saúde, e do Sistema Único de Assistência Social (Suas), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Até 2014 o programa Crack, é Possível Vencer terá R$ 4 bilhões em recursos federais. De acordo com o Ministério da Justiça, as ações são executadas de forma descentralizada e integrada pela União, estados, Distrito Federal e municípios.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Demora e burocracia agravam problema da seca no Nordeste, reclamam produtores


Os produtores rurais da região do semiárido do Nordeste estão reclamando da demora e da burocracia nas ações governamentais anunciadas para socorrer as cerca de 10 milhões de pessoas que sofrem com a maior estiagem dos últimos 40 anos na região.
Os trabalhadores do campo cobram ações mais rápidas contra os prejuízos já causados pela falta de chuva.
Segundo representantes de produtores rurais ouvidos pelo UOL, apesar dos vários programas e ações anunciados pelo governo federal e estaduais, boa parte da ajuda não consegue chegar às vítimas da seca, seja por problemas logísticos ou por excesso de exigências.

Desde o agravamento da seca, no início do ano, várias ações e envio de recursos foram anunciadas pelos governos federal e estaduais.
A principal política pública é o envio diário de carros pipa a todas as comunidades afetadas pela estiagem. Outras ações –como apoio a distribuição de alimento para os animais e crédito para os produtores– estariam enfrentando problemas.
Segundo os nordestinos afetados, apesar de não faltar água potável, há outras carências graves e que causam prejuízo econômico.
O principal problema apontado pelos produtores é a falta alimento para os animais, que representavam a renda de muitos sertanejos.
O rebanho continua morrendo nos terrenos e sítios da zona rural. Além disso, os financiamentos anunciados pelo governo federal não estariam chegando ao produtor rural.
“A ajuda não está chegando nem na quantidade, nem velocidade que a gente entende que seria necessária. Estamos fazendo uma série de cobranças ao governo federal e estadual. Tivemos hoje [quarta-feira] uma reunião com o arcebispo de Recife e Olinda [Dom Fernando Saburido] para darmos início a uma campanha de arrecadação de água para consumo humano. Temos municípios entrando em colapso. Pedimos também para a Igreja cobrar o governo. Vamos tentar criar uma conta e pedir aos empresários que depositem recursos para realização de obras para que se somem às que o governo diz que vai fazer, como cisternas e barragens subterrâneas”, afirmou o presidente da Fetape (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco), Doriel Barros.
Segundo Barros, diante do cenário “gritante”, os trabalhadores e produtores rurais pretendem se organizar e cobrar medidas mais enfáticas, na próxima semana, ao governo federal e aos governadores.
“Estamos indo a Brasília com representantes das federações estaduais do Nordeste para organizarmos um evento regional. A ideia é fazer reunião chamando governadores, a presidente Dilma e ministros para discutirmos ações. A situação está séria, e a burocracia é grande. O que percebemos é que o governo não se preparou para enfrentar um momento como esse”, disse.

Morte de animais

A consequência direta da falta de ajuda seria a morte dos animais pelo sertão. Em Pernambuco, a estimativa da Fetape, por exemplo, é que a seca resulte em 800 mil mortes até o fim do ano.
Sem alimento para fornecer aos animais, os produtores estão abandonando os animais, que morrem de fome à beira de rodovias.
No Rio Grande do Norte, a estimativa é que 65% do rebanho morra ou seja vendido antes da hora para abate por conta da falta de alimento.
“O governo federal tem um programa emergencial de crédito, mas que é um mentira, que de emergencial não tem nada. A burocracia é normal. Há um fluxo de projetos no Banco do Nordeste travadíssimo. É um ‘check list’ muito grande. No Rio Grande do Norte, por exemplo, somente 2% do público teve acesso a esse crédito”, disse Gilberto Silva, assessor técnico da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Rio Grande do Norte.
O representante também questiona a falta de distribuição de comida para os animais. “A entrega do milho, que é um paliativo, não chega ao Nordeste porque não há logística. Tudo isso estamos reclamado. Estamos pedindo também a prorrogação do Garantia Safra. O Bolsa Estiagem é um valor irrisório [R$ 80 por mês], uma esmola. Fizemos uma pauta do Grito da Terra, em maio, mas até agora nada foi feito. A situação está complicadíssima.”
Com as previsões de chuva apenas a partir do início do próximo ano, a perspectiva é que os produtores rurais só se recuperem na metade do ano de 2013.
“Mesmo que chova em março, como nos apontam, só teremos produção em junho e julho. O abastecimento que chega pelos carros-pipa é de água potável, e não atende às necessidades dos animais. As adutoras prometidas são demoradas, só vão estar prontas na próxima seca”, completou.
Os mesmos problemas estão sendo enfrentados pelos produtores rurais da Paraíba, onde mais de 80% dos municípios estão sendo afetados pela estiagem.
“A burocracia é muito grande, especialmente para os financiamentos. Nenhum assentado tem como acessar esse crédito. Outra coisa: a política federal do milho para os pequenos produtores foi lançada, mas esse milho não chega ao Nordeste. Recentemente tem melhorado a situação, mas ainda é muito pouca a distribuição. E olhe que a gente vai sempre a Brasília, conversa, mas a demanda é grande”, afirmou Ivanildo Pereira Dantas, assessor técnico da Federação dos Trabalhadores da Agricultura da Paraíba.

Ações

Em resposta ao UOL, no fim da tarde desta terça-feira (14), o Ministério da Integração Nacional –responsável federal pela coordenação dos trabalhos de assistência às vítimas das seca– informou que apenas autoriza e repassa o dinheiro para crédito especial, com as devidas orientações, ao BNB (Banco do Nordeste), que é responsável pela operação dos financiamentos. Sobre a demora na entrega do milho, o ministério afirma que se trata de responsabilidade da Conab  (Companhia Nacional de Abastecimento).
Em seu site, o BNB informa que destinou, esta semana, mais R$ 500 milhões para Programa Emergencial para a Seca e que os empréstimos estão sendo concedidos.
“Com o aumento, o total disponibilizado para financiar empreendedores urbanos e rurais atingidos pela estiagem na área de atuação do BNB chega a R$ 1,5 bilhão, dos quais o Banco já contratou R$ 1,2 bilhão, com 158 mil operações realizadas, em 1.250 municípios de sua área de atuação. Estão ainda em fase de contratação mais R$ 198 milhões em propostas”, informa a instituição.
A reportagem do UOL também entrou em contato com a Conab e aguarda resposta do órgão.
Nesta terça-feira (13), a presidente Dilma Rousseff lançou o programa “Mais Irrigação”, que prevê investimentos de R$ 10 bilhões, sendo R$ 7 bilhões captados com a iniciativa privada. Ao todo devem ser beneficiados 538 mil hectares de áreas destinadas produção de biocombustíveis, fruticultura, leite carne e grãos.

UOL

terça-feira, 13 de novembro de 2012

50 cidades do Brasil e do mundo em defesa dos Guarani-Kaiowá


Esta é uma carta das lideranças do Aty Guasu (Grande Assembleia) direcionada especialmente às diversas “mobilizações contra o genocídio do nosso povo Guarani e Kaiowá” previsto para o dia 09 de novembro em várias cidades do país e do mundo. Queremos agradecer por todas estas iniciativas de solidariedade em defesa das nossas terras e nossas vidas.
Hoje somos 46 mil pessoas sobreviventes de um continuo e violento processo de extermínio físico e cultural acarretado principalmente pela invasão histórica de nossos territórios tradicionais (tekoha guasu) e por assassinatos de nossas lideranças e famílias. Por isso reafirmamos que o Estado Brasileiro é o principal responsável por este estado de genocídio, ora por participação, ora por omissão.
Nossa Aty Guasu é responsável nos últimos 35 anos pela organização política regional e internacional do nosso povo e por nossa luta na defesa e efetivação de nossos direitos fundamentais e constitucionais, de modo prioritário a retomada dos territórios tradicionais. Por esse motivo, nosso povo possui a maior quantidade de comunidades atacadas por pistoleiros e de lideranças assassinadas na luta pela terra do Brasil República.
Por isso, através desta carta queremos unir nossas vozes a de todos vocês e promover o mesmo grito pela vida de nosso povo com as seguintes prioridades:


- A imediata demarcação de nossos territórios tradicionais e a desintrusão dos territórios já declarados e homologados.
- Que a Funai publique, ainda este ano, os relatórios de identificação dos territórios em estudo.
- Que diante do processo legítimo de retomada de nossos territórios, nosso povo não seja despejados, uma vez que roubaram nossas terras por primeiro e nos confinaram em pequenas reservas.
- Que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ crie mecanismos para que as ações judiciais envolvendo nossos territórios sejam julgados com prioridade máxima, de modo, a não se arrastarem por anos nas instância do judiciário, enquanto nosso povo passa fome à beira das estradas em Mato Grosso do Sul.
- Que haja uma efetiva ação de segurança de nossas comunidades e lideranças em área de conflito e ameaçadas.
- Que os fazendeiros e pistoleiros assassinos de nosso povo sejam julgados e condenados.
- A imediata revogação da inconstitucional portaria 303 da Advocacia Geral da União e o fim das iniciativas do Congresso Nacional em destruir nossos direitos garantidos na Constituição Federal de modo unânime as PECs 215, 38, 71, 415, 257, 579 e 133. Não aceitaremos mudança constitucional!
Por fim, que todas as manifestações não se encerrem em 9 de novembro, mas que esta data seja o início de um contínuo engajamento da sociedade não-indígena na defesa da vida de nosso povo e de pressão sobre o governo.
Junto com todos vocês, nosso Povo é mais forte e venceremos o poder desumano do agronegócio explorador e destruidor de nossas terras. A ganancia deste sistema não vencerá a partilha de nossos povos.
Vamos continuar a retomada de todas as nossas terras tradicionais! Somos todos Guarani e Kaiowá! Muito obrigado pela SUA VOZ SAGRADA PROTETORA: “TODOS POR GUARANI E KAIOWÁ!”



Na Paraíba, 70% da população vive em situação de emergência


A seca prolongada já afeta 2,3 milhões de paraibanos, cerca de 70% da população em 198 dos 223 municípios do Estado. São famílias que enfrentam os efeitos da estiagem, como a fome, a sede e a perda do rebanho, há mais de três meses. Os 122 açudes monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) já perderam 2,1 bilhões de metros cúbicos de água – a capacidade total é de 3,9 bilhões. As cidades mais prejudicadas são Triunfo, no Alto Sertão, e Cabaceiras, na região do Cariri, onde já falta água há um mês.

“Nos próximos 180 dias, vamos continuar com os carros-pipa, a recuperação de 486 poços e fornecimento de ração”, afirma o secretário estadual de Infraestrutura, Efraim Morais, que coordena o Comitê Integrado de Enfrentamento à Estiagem. “A situação é crítica. Começamos a perder a água dos mananciais e fica cada vez mais distante buscar e distribuir. Doze cidades já racionam água para evitar o colapso”, diz.
O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, prorrogou na terça-feira passada os decretos de situação de emergência de 170 cidades por mais 180 dias. As outras 28 cidades terão os decretos prorrogados no dia 26 deste mês. Segundo Morais, o governo já pediu mais R$ 32 milhões para mais 180 dias de estiagem ao governo federal, além dos R$ 10 milhões já liberados para os últimos 90 dias de seca.

Em Pedra Branca, a 480 km de João Pessoa, famílias caminham mais de 5 km para buscar água com jumentos. A cidade tem apenas 4 mil habitantes e fica no Vale do Piancó, no Polígono da Seca, formado por 23 municípios.
O agricultor Sebastião Silva já perdeu as cabras que tinha e é um dos que usam o jumento. “É uma situação difícil, não temos ajuda”, reclama.

Fé e protesto. O padre da cidade, Djacy Brasileiro, tem celebrado missas de protesto dentro de barragens para alertar sobre a situação crítica. “Vi muito gado morrer e muita gente desesperada. A situação é dramática e existe morosidade por parte dos governos”, diz o sacerdote.
No total, 684 carros-pipa abastecem áreas urbanas e rurais na Paraíba – 239 são do Estado e 445 do Exército. De acordo com o governo, a Companhia de Desenvolvimento dos Recursos Minerais (CDRM) perfurou neste ano 169 poços. A Companhia de Água e Esgotos precisou racionar a oferta de água em 15 cidades e nove distritos.

O Programa Nacional de Agricultura Familiar liberou R$ 18 milhões para o Estado. Segundo a Secretaria Executiva de Agricultura Familiar, o dinheiro já foi repassado aos produtores.
Prejuízo. A perda chega a 40% do rebanho animal e a 90% da safra agrícola, de acordo com o governo. A falta de chuva afeta cerca de 60 mil produtores e causa prejuízos. Alimentos e água tiveram quase 50% de aumento nas áreas de seca.

Fonte: estadão

Produção de orgânicos no Curimataú paraibano recebe supervisão


A aplicação correta do crédito do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) por agricultores familiares tem apresentado resultados positivos com assistência técnica da Emater Paraíba. Um exemplo de sucesso é o agricultor Antônio Ambrósio Dantas, do Sítio Estrondo, em Nova Floresta, no Curimataú paraibano, que de forma ordenada produz 27 variedades de hortaliças orgânicas utilizando irrigação por microaspersão, garantindo excelentes produtos.

O agricultor iniciou o projeto há quatro anos, em uma área de 20 metros quadrados, produzindo alface e coentro. Ele adquiriu um hectare de terra e obteve outros financiamentos do Pronaf, ampliando a produção que hoje é comercializada nas feiras das cidades de Nova Floresta, Cuité e Picuí, na Paraíba, e nos municípios de Jaçanã e Santa Cruz, no Rio Grande do Norte. Também montou um posto de comercialização ao lado de sua residência onde atende aos consumidore
 
Para não faltar produção no período de estiagem, o produtor utiliza água de um poço amazonas. Atualmente, outro poço está em fase de construção para armazenar a água que será utilizada na irrigação econômica. Tudo é feito seguindo a orientação técnica da Emater de convivência com a estiagem.
Ele denominou seu projeto de “Canteiro Cheiro Verde”, marca que já se tornou bastante conhecida na região. “Sem as orientações dos extensionistas da Emater, a gente não teria alcançado todo esse progresso”, afirmou. Dos oito filhos, quatro já concluíram curso superior e técnico agrícola, graças à produção de hortaliças.
 
Devido ao período de estiagem e para economizar água na irrigação, a produção de verduras está em torno de 600 quilos mensais. Todo o trabalho é acompanhado, desde os primeiros momentos, pelos extensionistas Audivan Azevedo da Silva e Rui Medeiros, da Emater em Nova Floresta, região administrativa de Picuí.
 
Secom PB

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Índios protestam pela demarcação de suas terras no Ceará


A praça do Ferreira, no centro de Fortaleza, ganhou movimento extra na tarde desta sexta-feira. Índios das comunidades Tapeba (Caucaia) e Pitaguari (Pacatuba) e pessoas da sociedade civil se reuniram no local, ao som do Toré, para protestar contra a ausência de demarcação de terras dos índios no Ceará. "Só existe uma terra demarcada e isso só aconteceu porque nenhum empresário chegou para contestar", criticou o estudante Moreira, um dos manifestantes.

A manifestação já aconteceu em diversas cidades do Brasil, fato destacado pelo pajé Barbosa, Pitaguari. "Nunca uma nação havia se mobilizado por um povo. Isso é um fato inédito", disse. Ele ressaltou também que o ato de hoje é em solidariedade a todos os irmãos índios do País que sofrem pelos seus territórios. "A terra que nosso povo ocupa é sagrada e está pedindo socorro", afirmou.

Panfletos foram distribuídos durante a manifestação e a Carta da Aty Guasu Guarani e Kaiowá aos diversos movimentos sociais foi lida pela ativista Regiane Nigro. "Estamos representandos todos os índios do Ceará", afirmou. A imediata demarcação do territórios tradicionais e a desintrusão dos territórios já declarados e homologados foi um dos pontos da carta mais exaltados durante a atividade.

 Jornal do Brasil

Fazendeiros são notificados para deixar Terra Indígena Marãiwatsédé


O processo de retirada de fazendeiros da Terra Indígena Marãiwatsédé, no norte de Mato Grosso, já começou. Atendendo à decisão da Justiça Federal em Cuiabá (MT), as notificações de desocupação são entregues aos agricultores desde a última quarta-feira (7).
O processo de entrega foi dividido em quatro fases. Na primeira, que já foi concluída, foram notificados os grandes fazendeiros. A segunda etapa, em que são notificados os médios produtores, teve início hoje (9). Em seguida, receberão as notificações os pequenos agricultores e, por último, os moradores do vilarejo Estrela do Araguaia, que fica numa região mais interna da terra indígena.

Os produtores rurais e moradores têm prazo de 30 dias para deixar a área, após a notificação. Vencido o prazo, os oficiais de Justiça voltarão ao local para comprovar a saídas das famílias. Em caso de resistência, a força policial pode ser acionada.
O coordenador-geral de Movimentos do Campo e Territórios da Secretaria-Geral da Presidência da República, Nilton Tubino, está acompanhando o processo in loco. Segundo ele, dois oficiais de Justiça são responsáveis pelas notificações, inclusive percorreram a área de avião para identificar a localização dos moradores.

O coordenador relatou que, até o momento, o clima no local é pacífico. Ele acrescentou que algumas famílias, que se enquadrarem nos requisitos da reforma agrária, serão reassentadas em local já definido, e com o mínimo possível de burocracia.

A entrega das notificações vai ser interrompida no domingo (11), e será retomada no dia seguinte (12), porque a decisão judicial pede urgência na desintrusão da terra indígena.

A desocupação da terra xavante tem sido objeto de uma longa batalha jurídica, que começou em 1995, quando a área foi ocupada por produtores rurais. A demarcação da terra indígena foi homologada em 1998 e, desde então, os índios xavantes, que a ocupavam tradicionalmente e foram expulsos na década de 60, tentam retomar o local. A Terra Indígena Marãiwatsédé ocupa uma área de 165 mil hectares, espalhada pelos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, no norte de Mato Grosso.

Jornal do Brasil

Ministério autoriza compra de imagens de satélite para o Cadastro Ambiental Rural


A partir de dezembro deste ano, as imagens captadas por um satélite alemão contratado pelo governo brasileiro vão apontar a situação nos 5,2 milhões de imóveis rurais que existem no país. Com as informações, será possível identificar as áreas de preservação permanente (APPs) e de reservas legais em cada propriedade e acompanhar a recuperação da cobertura vegetal onde a lei exigir.
O georreferenciamento realizado a partir desse equipamento é uma exigência do novo Código Florestal brasileiro e serve como base para a elaboração do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Pela nova lei, todos os produtores terão que aderir ao CAR.

Com o contrato assinado hoje (9), pelo Ministério do Meio Ambiente, a empresa paulista Santiago e Cintra Consultoria – responsável pelo uso do satélite – terá que entregar, em dois meses, as imagens captadas ao longo de todo o ano de 2011. O acordo custou aos cofres do governo R$ 28,9 milhões.
“O cadastro nasce com o que tem de melhor em tecnologia, hoje, em termos de informação. Pela primeira vez, teremos um conjunto de imagens de todo o país, em alta resolução”, destacou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Segundo ela, as imagens também serão disponibilizadas para os órgãos ambientais estaduais e municipais, que serão os responsáveis pela formulação do CAR em cada região. “Essa tecnologia vai aprimorar a gestão e fiscalização no país. É uma mudança bastante expressiva no dia a dia da gestão florestal”, avaliou.

Como a contratação do serviço prevê o compartilhamento das imagens com outros ministérios e órgãos do governo federal, o material captado também poderá ser usado para o Censo Agropecuário, previsão de safra agrícola, e para o acompanhamento de queimadas e desmatamento ilegal em unidades de conservação.
Cerca de 500 equipamentos, conhecidos como plataforma de coleta de dados, serão distribuídos para técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) e do Instituto Chico Mendes (ICMBio). O equipamento funciona como um celular capaz de carregar as imagens captadas pelo satélite, apontando detalhes para facilitar a chegada dos fiscais às áreas afetadas.

Segundo o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Paulo Guilherme Cabral, o problema de regularização fundiária na Amazônia é um dos dificultadores do processo de fiscalização da derrubada ilegal de árvores. Com as imagens e a consolidação dos dados no CAR, Cabral acredita que será possível identificar quem é o proprietário da área, além de “acelerar e dar mais confiabilidade ao processo de fiscalização, que é uma ação decorrente do cadastro”.
A empresa contratada também terá que repassar a metodologia de análise dos dados para os estados e municípios e os outros órgãos federais. A intenção do governo é criar uma base uniforme, já que hoje as diferentes metodologias e tipos de imagens utilizados, muitas vezes, resultam em dados controversos sobre uma mesma avaliação, como a de áreas desmatadas no país.

De acordo com Iara Musse, diretora da empresa contratada, existe uma dificuldade comum em órgãos estaduais de meio ambiente de todas as regiões do país. “A dificuldade é tanto do ponto de vista da disponibilidade de especialistas e técnicos para analisar o cadastro, que é um desafio pelo volume de dados, quanto da falta de disponibilidade de uma informação segura”, explicou.

Iara Musse garantiu que os técnicos estaduais vão receber toda a especificação de como analisar as imagens que serão disponibilizadas. Segundo ela, a tecnologia usada para captação das imagens é a mais atualizada entre todas as disponíveis atualmente. Com a resolução de 1 metro para 5 metros, Iara Musse explica que é possível captar detalhes com mais precisão do que o próprio Código Florestal exige, chegando a identificar áreas de até 0,5 hectare.

Uma equipe do Ministério do Meio Ambiente também está levantando dados de outros satélites já utilizados para monitorar o desmatamento, por exemplo, desde 2007, que vão complementar, com as novas imagens, o Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar). De acordo com a ministra, um acordo com o Exército Brasileiro vai possibilitar a recuperação de imagens da cobertura vegetal do país na década de 1960.

Agência Brasil

Codevasf debate desenvolvimento do Nordeste em reunião da Sudene


A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) participa, nesta sexta (09), em Salvador (BA), da 16ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Sudene (Condel), que terá a presença da presidenta Dilma Rousseff. O presidente da Codevasf, Elmo Vaz, estará no evento, que acontece às 15h, no Hotel Deville, Itapuã.
Os principais temas da pauta são os Fundos de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), além das ações de enfrentamento à estiagem. A abertura da reunião contará, ainda, com pronunciamentos do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e do governador da Bahia, Jaques Wagner.
Na ocasião, será discutida proposição que trata de alterações da programação do FNE do exercício de 2012 relativas à exclusão da restrição a projetos de alta relevância e estruturantes; à flexibilização da distribuição do financiamento entre médio e grande porte; e à elevação das disponibilidades do Programa Emergencial para a Seca, em R$ 500 milhões, passando a disponibilidade total a R$ 1,5 bilhão.
Também serão votadas proposições referentes ao Programa de Aplicação dos Recursos do FNE para o exercício de 2013; às prioridades para aplicação dos recursos do FDNE no exercício 2013; à regulamentação dos procedimentos operacionais para a aplicação de 1,5% dos recursos do FDNE para custeio de atividades em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia de interesse do desenvolvimento; e aos novos ajustes na programação de 2012 do FNE, relativos à alocação adicional de recursos para os segmentos de agricultura e pecuária (FNE Rural) e ao FNE Comércio e Serviços.
Ainda como parte da pauta, será realizado um balanço das ações de enfrentamento à estiagem e a assinatura de termos de compromissos com os estados do semiárido no âmbito do PAC-SECA.

Desenvolvimento do Nordeste

A Codevasf tem realizado uma série de ações para promover o desenvolvimento dos estados onde atua. Exemplo disso é o projeto de irrigação Baixio de Irecê. Em fase de implantação, ele fica localizado a cerca de 500 km de Salvador (BA), ao norte da Região do Médio São Francisco. A área total do projeto compreende 98.940 hectares, e a área prevista para irrigação é de 47.028 hectares, podendo chegar a 60 mil.
Dentre as culturas a serem exploradas no projeto, destacam-se abacaxi, abóbora, algodão, banana, cebola, coco, feijão, goiaba, limão, mamão, maracujá, milho, melancia, melão, pimentão, tangerina, tomate e uva. Também será montado um polo energético para a produção de oleaginosas como pinhão manso, dendê, soja e mamona, entre outras. Com a conclusão do projeto, a expectativa é de que sejam gerados cerca de 85 mil empregos diretos e indiretos, beneficiando 180 mil pessoas, totalizando mais de 34 mil famílias.
Outro importante projeto de irrigação em andamento é o Salitre. Localizado no Submédio São Francisco, a 20 km do município de Juazeiro (BA), possui uma área bruta de 67,1 mil hectares, sendo 31,3 mil para agricultura irrigada. Sua implantação está dividida em cinco etapas, sendo que a primeira, com área irrigável de 5 mil hectares e área ocupada de 1,6 mil hectares, foi inaugurada em março de 2010 e já está em fase de produção. Segundo levantamento da Codevasf, o Valor Bruto da Produção (VBP) nessa etapa do projeto, em 2011, totalizou cerca de R$ 6 milhões na área familiar, com destaque para as culturas temporárias, entre elas o melão e a melancia, que atingiram R$ 5,9 milhões.
A Codevasf também tem atuado no enfrentamento à seca no semiárido. Por meio do Água para Todos, por exemplo, a Companhia já instalou 28.953 cisternas de consumo em 45 municípios em sua área de atuação. O programa é coordenado pelo Ministério da Integração Nacional e integra o Plano Brasil Sem Miséria.

Com informações da Sudene

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Um terço dos alimentos consumidos pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos


Há três anos o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de consumo de agrotóxicos no mundo. Um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado pelos agrotóxicos, segundo alerta feito pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em dossiê lançado durante o primeiro congresso mundial de nutrição que ocorre no Rio de Janeiro, o World Nutrition Rio 2012, que termina nesta terça-feira (1º).
 
O documento destaca que, enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o brasileiro aumentou 190%. Em 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto liderança, representando uma fatia de quase 20% do consumo mundial de agrotóxicos e movimentando, só em 2010, cerca de US$ 7,3 bilhões - mais que os EUA e a Europa.
A primeira parte do dossiê da Abrasco  faz um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e na segurança alimentar. A segunda parte, com enfoque no desenvolvimento e no meio ambiente, terá seu lançamento durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e na Cúpula dos Povos na Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro.
Segundo um dos coordenadores do estudo, Fernando Carneiro, chefe do departamento de Saúde Coletiva da UnB (Universidade de Brasília), “o dossiê é uma síntese de evidências científicas e recomendações políticas”.
“A grande mensagem do dossiê  é que o Brasil conquistou o patamar de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Queremos vincular a ciência à tomada de decisão política”, disse Carneiro ao UOL.
Soja é o que mais demanda agrotóxico
Segundo dados da Anvisa e da UFPR compilados pelo dossiê, na última safra (2º semestre de 2010 e o 1º semestre de 2011), o mercado nacional de venda de agrotóxicos movimentou 936 mil toneladas de produtos, sendo e 246 mil toneladas importadas.
Em 2011 houve um aumento de 16% no consumo que alcançou uma receita de US$ 8,5 bilhões. As lavouras de soja, milho, algodão e cana-de-açucar representam juntas 80% do total das vendas do setor.
Na safra de 2011 no Brasil, foram plantados 71 milhões de hectares de lavoura temporária (soja, milho, cana, algodão) e permanente (café, cítricos, frutas, eucaliptos), o que corresponde a cerca de 853 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nessas lavouras, principalmente de herbicidas, fungicidas e inseticidas. O consumo em média por hectare nas lavouras é de 12 litros por hectare e exposição média ambiental de 4,5 litros de agrotóxicos por habitante, segundo o IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo o dossiê, a soja foi o cultivo que mais demandou agrotóxico - 40% do volume total de herbicidas, inseticidas, fungicidas e acaricidas. Em segundo lugar no ranking de consumo está o milho com 15%, a cana e o algodão com 10%, depois os cítricos com 7%, e o café, trigo e arroz com 3% cada.
Maior concentração em hortaliças
Já para a produção de hortaliças, em 2008, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), o consumo de fungicidas atingiu uma área potencial de aproximadamente 800 mil hectares, contra 21 milhões de hectares somente na cultura da soja.
“Isso revela um quadro preocupante de concentração no uso de ingrediente ativo de 22 fungicidas por área plantada em hortaliças no Brasil, podendo chegar entre 8 a 16 vezes mais agrotóxico por hectare do que o utilizado na cultura da soja, por exemplo”, alerta o dossiê.
Numa comparação simples, o estudo estima que a concentração de uso de ingrediente ativo de fungicida em soja no Brasil, no ano de 2008, foi de 0,5 litro por hectare, bem inferior à estimativa de quatro a oito litros por hectare em hortaliças, em média. “Pode-se constatar que cerca de 20% da comercialização de ingrediente ativo de fungicida no Brasil é destinada ao uso em hortaliças”, destaca o estudo da Abrasco.
Riscos para a saúde
O dossiê revela ainda evidências científicas relacionadas aos riscos para a saúde humana da exposição aos agrotóxicos por ingestão de alimentos. Segundo Fernando Carneiro, o consumo prolongado de alimentos contaminados por agrotóxico ao longo de 20 anos pode provocar doenças como câncer, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.
Um fato alarmante foi a constatação de contaminação de agrotóxico no leite materno, afirmou. Para o cientista, não se sabe ainda ao certo as consequências para um recém-nascido ou um bebê que está em fase inicial de formação. “Uma criança é altamente vulnerável para esses compostos químicos. Isso é uma questão ética, se vamos nos acostumar com o nível de contaminação do agrotóxico”, criticou.
Parte dos agrotóxicos utilizados tem a capacidade de se dispersar no ambiente, e outra parte pode se acumular no organismo humano, inclusive no leite materno, informa o relatório. “O leite contaminado ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos a saúde, pois os mesmos são mais vulneráveis à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, por suas características fisiológicas e por se alimentar, quase exclusivamente, com o leite materno até os seis meses”, destaca o estudo.
Recomendações
O dossiê da Abrasco formula 10 princípios e recomendações para evitar e reduzir o consumo de agrotóxicos nos cultivos e na alimentação do brasileiro. Carneiro defende a necessidade de se realizar uma “revolução alimentar e ecológica”.
Segundo o IBGE, cerca de 70 milhões de brasileiros vivem em estado de insegurança alimentar e nutricional, sendo que  90% desta população consume frutas, verduras e legumes abaixo da quantidade recomendada para uma alimentação saudável. A superação deste problema, de acordo com o dossiê, é o desenvolvimento do modelo de produção agroecológica.
Carneiro e sua equipe composta por seis pesquisadores defendem a ampliação de fontes de financiamento para pesquisas, assim como a implantação de uma Política Nacional de Agroecologia em detrimento ao financiamento público do agronegócio e o fortalecimento das políticas de aquisição de alimentos produzidos sem agrotóxicos para a alimentação escolar – atualmente a lei prevê 30% deste consumo nas escolas.
Além disso, o documento defende a proibição de agrotóxicos já banidos em outros países e que apresentam graves riscos à saúde humana e ao ambiente assim como proibir a pulverização aérea de agrotóxicos.
O cientista defende ainda a suspensão de isenções de ICMS, PIS/PASEP, COFINS e IPI concedidas aos agrotóxicos. “A tendência no Brasil é liberalizar ainda mais o uso de agrotóxico, só no Congresso Nacional existem mais de 40 projetos de lei neste sentido. Nós estamos pagando para ser envenenados”, criticou Carneiro.


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