quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Fiocruz disponibiliza banco de dados sobre plantas medicinais

 


O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) disponibiliza mais um benefício para a comunidade científica e a sociedade. Trata-se do banco de dados que reúne as informações bibliográficas disponíveis sobre plantas medicinais a partir do conhecimento tradicional. A plataforma resulta de um estudo realizado pelo herbário Coleção Botânica de Plantas Medicinais (CBPM), do Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde da unidade (Cibs), com o apoio da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz).

A iniciativa tem como objetivo valorizar o conhecimento popular e a pesquisa etnobotânica a fim de estimular a repartição de benefícios com comunidades provedoras. Além disso, visa também a subsidiar pesquisas voltadas para a comprovação dos usos populares de plantas medicinais e estimular o desenvolvimento de produtos e políticas de saúde que priorizem a biodiversidade brasileira.



O projeto foi idealizado pelo biólogo Marcelo Galvão, curador adjunto da CBPM/Fiocruz. O levantamento bibliográfico foi realizado pelo técnico do CBPM/Fiocruz, Marco Antonio Filho. O site foi desenvolvido pelo analista computacional da VPPCB/Fiocruz, Carlos Henrique da Silva. Galvão explica que a nova ferramenta pode ser útil para profissionais que trabalham com produtos naturais e buscam novas espécies para estudar ou precisam comprovar tradicionalidade de uso para notificar produtos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Este banco pode subsidiar pesquisas na área farmacêutica de produtos naturais, auxiliar registros de produtos tradicionais fitoterápicos na Anvisa, fomentar questões de repartição de benefícios junto ao [Conselho de Gestão do Patrimônio Genético] CGEN, além de outros benefícios”, destaca.

O Brasil possui aproximadamente 40 mil espécies vegetais conhecidas, inúmeras dessas plantas são consideradas medicinais por povos originários e diversas comunidades tradicionais. No entanto, as listas oficiais de plantas medicinais possuem um número muito inferior ao já registrado por estudos etnobotânicos. Desta forma, o trabalho realizado pela instituição é contínuo, ou seja, à medida que uma nova espécie entre no acervo da CBPM, o levantamento bibliográfico sobre ela será incluído no banco, além da atualização das espécies já catalogadas.

O banco também é voltado para indústrias, provedores do conhecimento popular, gestores públicos que busquem ampliar listas oficiais de plantas medicinais no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo a Política e Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, e a população em geral.

Ao todo, o acervo atual conta com 300 espécies. Para consultar, basta acessar a página da Coleção de Botânica de Plantas Medicinais. As buscas podem ser feitas por família botânica, nome popular ou científico.

Fonte: Ciclo Vivo

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Novo vírus de origem animal infecta 35 pessoas na China, aponta estudo



Um estudo científico feito na China e publicado na revista científica “New England Journal of Medicine” anunciou a detecção de um novo tipo de vírus de origem animal, o henipavírus. A doença é transmitida por morcegos frugívoros e, de acordo com a publicação, já são 35 casos confirmados por meio de amostras de saliva.

Localizados nas províncias chinesas de Shandong e Henan, nenhum dos infectados está em estado grave. Apenas 26 deles apresentaram sintomas, que são: tosse, febre, cansaço, perda de apetite, dores de cabeça, musculares, náuseas e irritabilidade.

A pesquisa relata queo s pacientes tiveram contato recente com animais e não há casos de transmissão de humanos para humanos. Outros tipos de henipavírus relacionados foram detectados em morcegos, roedores e musaranhos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), surtos subsequentes da doença na Índia, o consumo de frutas ou produtos de frutas (como suco de tamareira cru) contaminados com urina ou saliva de morcegos frugívoros infectados foi a fonte mais provável de infecção.

Sem medicamento ou vacina, o vírus Nipah causou apenas surtos na Ásia. Infecta uma ampla variedade de animais, a taxa de letalidade em humanos é estimada em 40 -75%.

Fonte: G1

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Conheça as vitaminas aliadas da saúde e onde estão presentes

 


Para prevenir o surgimento de algumas doenças, bem como auxiliar o corpo a reagir aos indesejados vírus e bactérias que fragilizam a capacidade de defesa das pessoas, é importante preservar e fortalecer o sistema imunológico. Por definição, imunidade nada mais é que a “resistência natural ou adquirida de um organismo vivo a um agente infeccioso ou tóxico”. Em outras palavras, é a proteção e defesa da saúde ou do corpo do ser humano a agentes que podem provocar doenças. Com a pandemia, o – até então – pouco conhecido sistema imune tornou-se pauta de inúmeras pesquisas. Segundo o Google Trends Brasil, a busca pela frase “como aumentar sua imunidade” cresceu 136% durante os primeiros meses da crise sanitária e a tendência persistiu em 2021.   

A imunidade pode ser fortalecida com a adoção de um estilo de vida saudável, o que inclui a prática de exercícios físicos, manejo do estresse, alimentação equilibrada, priorizando proteínas, fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos. Tais hábitos soam corriqueiros e triviais, mas sua aplicabilidade no dia a dia do brasileiro não é tão simples.

Segundo estudo de Christ, Lauterbach e Latz em 2019, 80% das mortes em países ocidentais foram causadas por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como síndrome metabólica associada à obesidade, Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), esteatose hepática não alcoólica, doenças cardiovasculares, Alzheimer e alguns tipos de câncer. Em pesquisa desenvolvida pela Bloomberg sobre os países mais saudáveis do mundo, o Brasil também não desponta. O país figura em 76.º lugar, atrás de alguns vizinhos sul-americanos como o Chile (33.º), Uruguai (47.º) e Argentina (54.º). 

O que pôr à mesa?



O clássico menu com frutas, proteínas, legumes, verduras, leguminosas, oleaginosas, sementes e cereais integrais deve ser ingerido diariamente para garantir que as necessidades de nutrientes e compostos bioativos sejam supridas.

Em relação às vitaminas e aos minerais, a comunidade científica revelou achados importantes no que se refere à imunidade. O estudo realizado em 2020 e publicado pela Multidisciplinary Digital Publishing Institute (MDPI) mostra que as vitaminas A, B6, B9, B12, C, D e E, assim como os minerais zinco, selênio e magnésio, desempenham papéis fundamentais no suporte do sistema imunológico, e suas deficiências podem aumentar a suscetibilidade do indivíduo.

“Isso porque esses micronutrientes são fundamentais na manutenção da integridade estrutural e funcional de barreiras físicas, como pele e mucosa. E também em atividades que eliminam os patógenos – em outras palavras, organismos capazes de causar doenças, como processos fagocíticos e matadores de neutrófilos e macrófagos. Ou seja, os processos naturais do organismo nos quais as células de defesa do corpo eliminam invasores”, explica a Dra. Karla Maciel, nutricionista e consultora da Jasmine Alimentos.

Além de turbinar o sistema imune, essas vitaminas fornecem energia ao organismo, auxiliam no processo de cura de determinadas doenças e promovem a detoxificação, ou seja, eliminação de substâncias e compostos tóxicos do organismo.

Como consumir as principais vitaminas?

A vitamina A é facilmente adquirida em vegetais amarelos e alaranjados como cenoura, abóbora, damasco, pêssego, além de laticínios derivados do leite integral, gema de ovo e fígado. As vitaminas do complexo B, tais quais a B6, B9 e B12 podem ser ingeridas por meio de sementes de girassol, arroz, avelã, feijão, lentilha, ovos, carnes bovina e suína, e produtos lácteos.



As vitaminas C e D são abundantes em alimentos como acerola, laranja, limão, couve e peixes como salmão, truta e arenque. Por fim e não menos importante, as principais fontes de vitamina E são as oleaginosas como amêndoas, nozes, gérmen de trigo, azeite de oliva e semente de girassol.

“A Jasmine apresenta em seu portfólio uma série de alimentos ricos em magnésio, zinco, ômega 3, vitaminas A e C essenciais para a imunidade. Alguns dos preferidos são Red Berries, Goji Berries, Cranberries, Mix de Sementes, Frutas e Nuts, Aveia, Linhaça, Granolas, Chia e muitos outros”, complementa Melissa Gomide Carpi, gerente de P&D da marca.

4 hábitos para incluir na rotina

  1. Priorize uma alimentação mais natural, com produtos formulados com bons ingredientes, sem aditivos, como corantes artificiais, adoçantes sintéticos, aromatizantes artificiais, etc. Se possível, prefira orgânicos.
  1. Varie a alimentação para conseguir atender as necessidades de vitaminas e minerais. Por exemplo, um dia consuma semente de linhaça dourada, no outro, a chia, no seguinte farelo de aveia, e assim por diante.
  1. Beba bastante água e consuma quantidades adequadas de fibras provenientes de verduras, legumes, frutas (inclusive as desidratadas) e grãos integrais, como quinoa. O bom funcionamento do intestino fortalece a imunidade.
  1. Tenha um estilo de vida saudável: se alimente bem, pratique atividade física, durma bem e cuide do estresse!
Fonte: Ciclo Vivo

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

O que se sabe sobre a flurona?


Nos últimos dias, uma palavra vem se tornando cada vez mais rotineira nos noticiários: flurona.

Trata-se do termo usado para designar uma infecção simultânea pelo coronavírus e pelo vírus influenza, causador da gripe. A palavra é uma junção de “flu”, que significa gripe em inglês, com corona.

Diferentemente do que muitos possam pensar, o virologista e professor da Universidade de Brasília Bergmann Ribeiro explica que a coinfecção com dois vírus não é incomum na medicina e não indica, necessariamente, que o paciente desenvolverá formas mais graves das doenças.

Os sintomas da covid-19 e da gripe são semelhantes e, por isso, só mesmo exames de laboratório podem confirmar casos de flurona.

“Especialmente na temporada de gripe, a infecção mista é algo que certamente veremos, mas serão casos indetectáveis, a menos que seja feita a busca específica pelo genoma do vírus da gripe”, explica o microbiologista José Antonio López Guerrero, diretor do Departamento de Cultura Científica do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa e diretor do Grupo de Neurovirologia da Universidade Autônoma de Madri.

Primeiros casos foram registrados em 2020

Apesar de ser um termo relativamente recente para maioria das pessoas, a flurona não chega a ser uma novidade. Ainda em fevereiro de 2020, antes mesmo de ser declarada a pandemia de covid-19, a revista americana The Atlantic relatou o caso de um homem em Nova York diagnosticado simultaneamente com coronavírus e gripe. A esposa e os dois filhos dele também tiveram flurona.

Depois, outros casos foram descobertos durante estudos em hospitais dos Estados Unidos e da China. Apesar disso, ainda se sabe pouco sobre a condição.

Uma coinfecção torna a situação mais grave?


Não necessariamente. Ter dois vírus simultaneamente no corpo humano não significa que eles se somam clinicamente. “Pode ser ocasionalmente mais sério, mas não necessariamente”, afirma Guerrero.

No primeiros caso de flurona em Israel, anunciado na semana passada, uma mulher grávida não vacinada praticamente não apresentava sintomas. Ela só foi diagnostica com flurona porque exames para os dois patógenos foram realizados.

“Os sintomas de uma infecção mista variam, dependendo da carga viral com a qual se está infectado com cada um dos vírus e também da idade, estado imunológico e outras patologias”, enumera Guerrero.

Também pode influenciar o quadro do paciente se a pessoa já teve uma infecção por coronavírus e se foi vacinada contra um ou ambos os vírus.

Por outro lado, Adrian Burrowes, médico da família e professor assistente na University of Central Florida, afirmou que estar infectado simultaneamente com gripe e covid-19 pode ser “catastrófico para o sistema imunológico”. Em entrevista à CNN em setembro, ele disse acreditar que a flurona poderia elevar a taxa de mortalidade na pandemia.

Nadav Davidovitch, diretor da Escola de Saúde Pública da Universidade Ben-Gurion em Israel, disse, também em entrevista à CNN, que ainda não há dados suficientes para afirmar que as taxas de hospitalização são mais altas em pessoas com flurona em relação a aquelas com apenas um dos dois vírus.

Flurona pode agravar a covid-19?

Os vírus da gripe e o que provoca a covid-19 não compartilham informações. Por isso, a proliferação de casos de flurona não aumenta o risco de o coronavírus evoluir para formas mais perigosas.

“São vírus de espécies completamente diferentes, que usam receptores diferentes para infectar, e não há muita interação entre eles”, explica o epidemiologista Abdi Mahamud, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Qual é a melhor forma de prevenir uma possível coinfecção?

O melhor a fazer é seguir observando as medidas de proteção e higiene que já fazem parte da rotina devido à covid-19: distanciamento, lavar bem as mãos, evitar ficar em locais mal ventilados e, claro, a vacinação – se possível contra as duas doenças (covid-19 e gripe).

Mutações do coronavírus Sars-Cov-2 tendem a ocorrer especialmente em pessoas não vacinadas, nas quais o patógeno tem maior probabilidade de se replicar.

Por isso, o principal objetivo para combater a propagação do coronavírus deve continuar sendo “vacinar todos para que as chances de mutação sejam reduzidas”, explica Mahamud.

Por que há tantos casos de flurona atualmente?

O especialista da OMS considera normal o surgimento de mais casos de flurona do que na estação anterior, devido ao maior relaxamento em muitas sociedades em relação à pandemia e à redução nas vacinações contra a gripe em alguns países.

As medidas de proteção e higiene não ajudam a prevenir apenas o coronavírus, como também várias outras doenças, entre elas, a gripe. E vários países começaram a relaxar as medidas de proteção, por exemplo, eliminando a obrigatoriedade de máscara em vários lugares e permitindo reuniões de grupos maiores de pessoas, além de eventos. A isso, se soma a tradicional temporada de gripe, sobretudo nos países do Hemisfério Norte, onde é inverno.

Para Guerrero, certamente já houve mais casos de flurona do que os noticiados, mas que não foram descobertos. A explicação é simples: se uma pessoa com certos sintomas de gripe é diagnosticada com coronavírus, por exemplo, através de um teste positivo, automaticamente se para de procurar por outros patógenos. Por isso, “as infecções mistas podem ser subdiagnosticadas”, explica o especialista.

Há casos no Brasil?

Sim, e eles existem já há mais de um ano. Em São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde informou que desde 2020, dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe indicam 24 registros da dupla infecção.

No Ceará, foram confirmados três casos em dezembro de 2021: um homem de 52 anos, que não precisou ser hospitalizado, e duas crianças de um ano de idade, que já receberam alta.

Casos de pessoas que contraíram covid-19 e gripe ao mesmo tempo estão sendo investigados pelas secretarias de Saúde de vários estados, como no Rio de Janeiro.

O virologista Bergamnn Ribeiro relata que, com as festas de fim de ano e a não obrigatoriedade de uso de máscaras em ambientes externos, o contágio subiu naturalmente. Para ele, a redução do número de vacinados contra a gripe também é uma das causas para o registro de casos de flurona no Brasil.

Fonte: Isto é