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segunda-feira, 15 de abril de 2013

71% do semiárido da PB está em alto grau de desertificação; áreas mais afetadas são Cariri e Seridó


Caracterizado pela perda da biodiversidade e degradação dos solos, o processo de desertificação atinge em cheio o interior do estado da Paraíba que atualmente já consta mais de 71% de seu território de semiárido afetado com o processo em estágio avançado.

De acordo com o Insa, Instituto Nacional do Semiárido, localizado em Campina Grande, a situação está grave, ou gravíssima em áreas do Seridó paraibano, na divisa com o Rio Grande do Norte, e na região do Cariri, divisa com o estado de Pernambuco.  Nessas localidades, a desertificação é fruto da ação conjunta de alguns processos, tais como a redução da caatinga, a redução de fertilidade, as condições climáticas e a erosão.

Entretanto, para o professor Jonas Duarte, pesquisador do Núcleo de Desenvolvimento de Tecnologias Sociais, o fator que mais influencia o desenvolvimento do fenômeno são as condições antrópicas, ou seja, as condições geradas pelo próprio homem.

“A ação que mais influência o processo de desertificação é a ação humana. O desmatamento degrada o solo que não resiste aos índices pluviométricos. Aqui chove pouco, mais as primeiras chuvas são sempre muito intensas e acabam levando o solo gerando um regime pluviométrico desastroso”, explicou o professor.

Ações de recuperação – Atualmente o Insa desenvolve algumas ações de recuperação do solo com a plantação de uma vegetação adequada, tais como Agavi, Macambira e Palma Forrageira em curva de nível.
Todas as ações contam com uma campanha de conscientização da população, prevendo as alternativas para enfrentamento dos processos de desertificação e mudanças climáticas. Mais de 500 famílias tem sido beneficiadas com os projetos que agregam, em sua maioria, os assentamentos do semiárido.

“O combate envolve diretamente a população local. Precisamos prezar por medidas educativas que ensine a população a lidar com o solo do semiárido e a conviver com o clima”, concluiu o professor.

Focando a notícia

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Desertificação avança na Paraíba e já atinge 93,27% dos municípios


Dos 223 municípios da Paraíba, 203 já estão sob ameaça de desertificação – 93,27% do total. Em 2009, eram 198 nessa situação (87,78%). O avanço desse processo é agravado com a estiagem prolongada, considerada como uma das piores dos últimos 30 anos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a situação da maioria dos solos no Estado foi classificada, quanto aos riscos de desertificação, como grave (14,76%) ou muito grave (57,06%).

Mais de 72% dos solos agricultáveis na Paraíba foram atingidos pelo estado de desertificação. O Estado é um dos mais atingidos por esse processo, segundo relatório da organização internacional Greenpeace. Mais de 1,7 milhão de pessoas – metade da população paraibana – sofre com os efeitos desse processo.
O secretário de Desenvolvimento Agropecuário do Estado, Marenilson Batista, confirma o avanço da desertificação. Ele disse que mesmo em áreas verdes é possível observar a degradação da vegetação nativa e o aparecimento de areais.

O processo de desertificação se alastra em áreas como a do Compartimento da Borborema. Segundo dados da Associação de Proteção ao Meio Ambiente, 80% da área territorial de Campina Grande estão totalmente desertificadas.

Estudioso do semiárido, o deputado estadual e professor da UFPB, Francisco de Assis Quintans, alerta que muito se fala sobre seca, que cíclica, mas a desertificação precisa de ações permanentes. “Nada está sendo feito, seja pelos governos do Estado, Federal ou pelos municípios”, queixa-se.

Municípios como o de Santa Luzia (a 178 quilômetros de João Pessoa, no Sertão paraibano) enfrentam exôdo sem precedentes. Apenas 8% dos moradores ainda resistem deixar a zona rural. O município tem uma população de 13.489 habitantes, sendo que apenas 1.240 não residem na cidade. Há mais de três dias a cidade não tem água nas torneiras.

Patos (a 294 quilômetros da Capital, no Sertão) enfrenta a seca, temperaturas acima dos 30 graus centígrados ao dia e umidade relativa do ar entre 11% e 16%, comparada as registradas no deserto do Saara, na África.

Na região do Cariri, a falta de chuvas provoca colapso no abastecimento de água. Na cidade de Cabaceiras (localizado na microrregião do Cariri Oriental,a 180 km de João Pessoa) falta água há mais de meses. O município, que ficou famoso no país por servir de cenário para o filme o ‘Auto da Compadecida’, fica a cerca de 300 metros acima do nível do mar, na área mais baixa do Planalto da Borborema. Tem um população estimada em 5.035 habitantes, segundo censo do IBGE em 2010. Deste total, 2.217 habitantes estão na zona urbana e 2.818 na zona rural.



Um relatório do Greenpeace, em 2009, já destacava que, na Paraíba, a bacia hidrográfica do rio Taperoá (Cariri paraibano) apresentava um processo significativo de desertificação e o município de Cabaceiras apresentava áreas comprometidas. “Há uma perda da biodiversidade. Em função da severidade climática e do desmatamento para uso agropecuário, vem aumentando a área de caatinga baixa e rala na região”, alertava o relatório.

Para o secretário Maerinlson Batista, o trabalho de recuperação dessas áreas é lento e precisa ser trabalhado a partir de agora, com plantação de vegetação resistente ao clima quente e seco. Segundo ele, o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Cariri e Seridó (Procase), que vai permitir o financiamento dos projetos de famílias de agricultores e cooperativas, ajudará nesse trabalho. Em convênio com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), o Procase prevê investimentos de R$ 100 milhões.
O Procase irá convergir com outros programas desenvolvidos pelo Estado para convivência com a estiagem, como distribuição de ração, raquetes de palma, cisternas, poços, além dos investimentos de R$ 220 milhões em adutoras no Estado.

O ambientalista Roberto Almeida observou que a caatinga (bioma do semiárido) paraibana vem sendo agredida nos últimos 50 anos, devido ao tráfico de lenha. O diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Ignacio Hernan Salcedo, alerta que o desmatamento está associado ao consumo de lenha (70% de consumo doméstico e 30% de consumo industrial) no semiárido Paraibano.
Apenas terras indígenas e unidades de conservação federal e estaduais, que 
ocupam 82,9 mil hectares, são protegidas por lei contra o desmatamento. A área corresponde a 1,42% do território paraibano.

A seca e a desertificação impõe o sacrifício do rebanho bovino. “Uma parte do rebanho foi vendida e outra parte está morrendo por conta da seca”, diz o presidente da Federação da Agricultura do Estado da Paraíba (Faepa), Mário Borba. A Paraíba tinha, segundo o IBGE, 1 milhão e 354 mil cabeças de gado em 2011. Pelos cálculos da Faepa, no final de 2012 esse número cairá para 950 mil.

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