domingo, 9 de junho de 2013

Turismo e poluição ameaçam Parque de Areia Vermelha


O Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha se tornou um dos mais importantes roteiros turísticos de quem visita a Paraíba. A beleza de Areia Vermelha deixa os visitantes encantados. O passeio de barco até o local, durante a alta temporada, custa em torno de R$30 por pessoa. É um negócio lucrativo para os operadores de turismo da capital, sem dúvida. Aos finais de semana, quando a maré permite, Areia Vermelha fica lotada.

Mas tudo pode ter uma consequência drástica. Uma pesquisa coordenada pelo professor Tarcísio Cordeiro, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mostrou que as comunidades dos recifes de Areia Vermelha estão bastante comprometidas e se a situação não for revertida, é possível que o bioma de corais deixe de existir em Areia Vermelha. “Tendo em vista o impactos já identificados, é provável que o Parque nunca mais venha a ter a diversidade e produtividade semelhantes àquelas de uma condição original”, disse o professor na pesquisa.

A degradação ambiental de Areia Vermelha é consequência, segundo os pesquisadores, de impactos de caráter global e local. Enquanto os turistas desfrutam da beleza do local, o Parque vai sendo degradado, em um sofrimento silencioso, porém rápido e preocupante. Segundo Cordeiro, há dois fatores que contribuem para o problema.

O primeiro deles é consequência de impactos naturais, como por exemplo, as tempestades. O segundo fator compreende o impacto causado pela poluição, pesca excessiva e também pela forma como o turismo é conduzido no local. Quando se somam, esses fatores têm uma combinação explosiva, que culmina na fragilidade do Parque de Areia Vermelha, considerado um dos principais destinos turísticos do Estado.

A pesquisa constatou dois fenômenos preocupantes, cujas consequências são desastrosas: água turva e com temperatura excessiva. De acordo com Cordeiro, duas coletas foram realizadas em Areia Vermelha, sendo uma durante a estação seca e outra na chuvosa. Antes de se estender mais sobre o resultado, cabe dizer que águas aquecidas acima do normal é considerado um fator de estresse. Os corais precisam de água com boa transparência e aquecida, mas nada de excessos.

Voltando à pesquisa, o professor afirmou que foi observado o branqueamento em massa, em decorrência do aumento da temperatura. Segundo ele, houve variação entre 30 e pouco mais de 31ºC na estação seca , e de 28 a 29º C durante o período de chuvas. O problema acontece, portanto, porque parte considerável das espécies de corais tem pouca tolerância a altas temperaturas. “Já foi provado em experimentos de laboratório que o aumento da temperatura provoca branqueamento e até a morte, dependendo do quanto a temperatura subiu e de quanto é a exposição”, afirmou.

Sobre os impactos locais, o professor disse que “todo cidadão deveria pensar no excesso de carbono na atmosfera”. Os recifes, ele explicou, são a primeira defesa contra ressacas e tempestades. Quando os corais são afetados, essa proteção fica fragilizada, e o reflexo será a maior erosão costeira. Dentre as contribuições ambientais dos corais, é possível citar: proteção costeira, produção de alimentos, turismo e conservação da biodiversidade.

Jornal da Paraíba

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